Os trabalhadores dos centros comerciais na Área Metropolitana do Porto

Os trabalhadores dos centros comerciais na Área Metropolitana do Porto

A presente investigação visa uma análise detalhada e compreensiva da natureza do trabalho e do perfil dos trabalhadores que laboram na área de venda dos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Trabalho, Centros Comerciais, Precarização, Género

A presente investigação visa uma análise detalhada e compreensiva da natureza do trabalho e do perfil dos trabalhadores que laboram na área de venda dos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.

Objectivos: 
A investigação centra-se na análise do trabalho e dos trabalhadores nos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto. A pesquisa aborda os seguintes objectos interrelacionados: a natureza do trabalho de venda e a especificidade dos contextos profissionais a ele associados; os percursos laborais dos trabalhadores; as suas atitudes e valores face ao trabalho; as suas expectativas face ao futuro profissional; as relações entre as estratégias que accionam na vida laboral e na vida familiar. Interessa-nos apreender o carácter multidimensional das experiências laborais, sobretudo as marcadas pela precariedade, cujo impacto não se circunscreve à esfera estritamente laboral, antes abarcando outras esferas sociais.
State of the art: 
O com&eacute;rcio em Portugal passa por profundas transforma&ccedil;&otilde;es decorrentes quer do alargamento do mercado, quer da multiplica&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&otilde;es e fluxos entre mercados, tornada poss&iacute;vel pelas inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que revolucionaram transportes e comunica&ccedil;&otilde;es, quer ainda decorrentes das muta&ccedil;&otilde;es organizacionais da sociedade. Entre as referidas transforma&ccedil;&otilde;es, poder-se-&aacute; salientar a prolifera&ccedil;&atilde;o dos centros comerciais desde os in&iacute;cios de 1980. Importa referir que o conceito de centro comercial teve na sua origem as primeiras unidades ligadas &agrave;s esta&ccedil;&otilde;es inglesas de caminho de ferro. Todavia, o seu maior desenvolvimento deu-se nos EUA, sob a forma de conjuntos de lojas ligadas a grandes armaz&eacute;ns, situadas nas periferias urbanas e servidas por comunica&ccedil;&otilde;es rodovi&aacute;rias que apresentavam grandes facilidades ao n&iacute;vel de escoamento do tr&aacute;fego. <br />Para a presente investiga&ccedil;&atilde;o, revelam-se de crucial import&acirc;ncia as tend&ecirc;ncias laborais que ocorrem no com&eacute;rcio retalhista (Cachinho, 1999), sobretudo aquelas que operam nos centros comerciais. A&iacute; encontramos uma forte combina&ccedil;&atilde;o de fen&oacute;menos como a feminiza&ccedil;&atilde;o, a precariza&ccedil;&atilde;o e a externaliza&ccedil;&atilde;o (Salgueiro, 2002), cujos efeitos se revestem de consequ&ecirc;ncias s&oacute;cio-econ&oacute;micas de grande amplitude e complexidade. Verifica-se a&iacute; a exist&ecirc;ncia de: mais mulheres a trabalhar, o que representa uma redu&ccedil;&atilde;o de custos salariais para os empregadores; um acr&eacute;scimo da precariza&ccedil;&atilde;o mediante renova&ccedil;&otilde;es ilegais de contratos a termo certo e difus&atilde;o do trabalho a tempo parcial feminino; e um aumento do n&uacute;mero de empresas de servi&ccedil;os de merchandising e de empresas de trabalho tempor&aacute;rio. <br />Neste &acirc;mbito, o reconhecimento da multidimensionalidade da precariedade laboral (Paugam, 2000; Sennett, 1998) assume-se como decisivo para mapear as configura&ccedil;&otilde;es relacionais das esferas laboral e s&oacute;cio-familiar daqueles que a vivenciam. Com efeito, pesquisas sociol&oacute;gicas nacionais (Cruz, 2003; Cerdeira, 2001; Pais, 2001; Rosa, 2000; Rebelo, 2001) trazem &agrave; luz esta problem&aacute;tica, radiografando as suas dimens&otilde;es e as suas consequ&ecirc;ncias. Muito embora enveredem por percursos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos distintos, confluem no reconhecimento de que os efeitos da precariedade laboral n&atilde;o se cisrcuncrevem &agrave; esfera estritamente laboral (natureza do contrato de trabalho, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, etc), atingindo outras esferas da vida s&oacute;cio-familiar dos trabalhadores prec&aacute;rios. Com o intuito de esbo&ccedil;ar um perfil do trabalhador prec&aacute;rio, Rebelo (2001) define ?cinco grupos de exclus&atilde;o por via da precariedade?: mulheres, jovens, idosos, os ?pouco? qualificados e os actuais licenciados. Alguns destes constituem objectos anal&iacute;ticos j&aacute; assinalados, por exemplo, no estudo intensivo de Pais (2001) sobre o percurso biogr&aacute;fico de jovens prec&aacute;rios, e na investiga&ccedil;&atilde;o extensiva do Inofor (1999) sobre a educa&ccedil;&atilde;o e o emprego dos diplomados do ensino superior. <br />Urge conferir visibilidade (K&oacute;vacs, 2002) &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es laborais dos indiv&iacute;duos, evidenciando o seu duplo condicionamento, quer por tra&ccedil;os estruturais que persistem e que explicam a maior ou menor vulnerabilidade daqueles, quer pelas dimens&otilde;es intr&iacute;nsecas aos seus percursos s&oacute;cio-familiares e profissionais.
Sofia Miranda Cruz
Coordenador 
Data Inicio: 
02/12/2004
Data Fim: 
01/12/2008
Duração: 
48 meses
Concluído