Os trabalhadores dos centros comerciais na Área Metropolitana do Porto
Os trabalhadores dos centros comerciais na Área Metropolitana do Porto
A presente investigação visa uma análise detalhada e compreensiva da natureza do trabalho e do perfil dos trabalhadores que laboram na área de venda dos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.
Estatuto:
Entidade proponente
Financiado:
Não
Keywords:
Trabalho, Centros Comerciais, Precarização, Género
A presente investigação visa uma análise detalhada e compreensiva da natureza do trabalho e do perfil dos trabalhadores que laboram na área de venda dos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.
Interessa captar a natureza particular do trabalho de venda nestes espaços laborais, atentando na especificidade da relação de serviço que lhe subjaz, no sentido de definir as suas modalidades, em contextos fortemente microsituados marcados por interacções onde as questões do poder, da linguagem e do corpo assumem papéis decisivos. É nosso objectivo captar, também, as configurações de identidades profissionais, as atitudes e valores face ao trabalho, as expectativas face ao futuro profissional, bem como a multidimensionalidade dos percursos laborais dos trabalhadores, focando as suas imbricações com a vida sócio-familiar.
Objectivos:
A investigação centra-se na análise do trabalho e dos trabalhadores nos centros comerciais da Área Metropolitana do Porto. A pesquisa aborda os seguintes objectos interrelacionados: a natureza do trabalho de venda e a especificidade dos contextos profissionais a ele associados; os percursos laborais dos trabalhadores; as suas atitudes e valores face ao trabalho; as suas expectativas face ao futuro profissional; as relações entre as estratégias que accionam na vida laboral e na vida familiar. Interessa-nos apreender o carácter multidimensional das experiências laborais, sobretudo as marcadas pela precariedade, cujo impacto não se circunscreve à esfera estritamente laboral, antes abarcando outras esferas sociais.
State of the art:
O comércio em Portugal passa por profundas transformações decorrentes quer do alargamento do mercado, quer da multiplicação de ligações e fluxos entre mercados, tornada possível pelas inovações tecnológicas que revolucionaram transportes e comunicações, quer ainda decorrentes das mutações organizacionais da sociedade. Entre as referidas transformações, poder-se-á salientar a proliferação dos centros comerciais desde os inícios de 1980. Importa referir que o conceito de centro comercial teve na sua origem as primeiras unidades ligadas às estações inglesas de caminho de ferro. Todavia, o seu maior desenvolvimento deu-se nos EUA, sob a forma de conjuntos de lojas ligadas a grandes armazéns, situadas nas periferias urbanas e servidas por comunicações rodoviárias que apresentavam grandes facilidades ao nível de escoamento do tráfego. <br />Para a presente investigação, revelam-se de crucial importância as tendências laborais que ocorrem no comércio retalhista (Cachinho, 1999), sobretudo aquelas que operam nos centros comerciais. Aí encontramos uma forte combinação de fenómenos como a feminização, a precarização e a externalização (Salgueiro, 2002), cujos efeitos se revestem de consequências sócio-económicas de grande amplitude e complexidade. Verifica-se aí a existência de: mais mulheres a trabalhar, o que representa uma redução de custos salariais para os empregadores; um acréscimo da precarização mediante renovações ilegais de contratos a termo certo e difusão do trabalho a tempo parcial feminino; e um aumento do número de empresas de serviços de merchandising e de empresas de trabalho temporário. <br />Neste âmbito, o reconhecimento da multidimensionalidade da precariedade laboral (Paugam, 2000; Sennett, 1998) assume-se como decisivo para mapear as configurações relacionais das esferas laboral e sócio-familiar daqueles que a vivenciam. Com efeito, pesquisas sociológicas nacionais (Cruz, 2003; Cerdeira, 2001; Pais, 2001; Rosa, 2000; Rebelo, 2001) trazem à luz esta problemática, radiografando as suas dimensões e as suas consequências. Muito embora enveredem por percursos teórico-metodológicos distintos, confluem no reconhecimento de que os efeitos da precariedade laboral não se cisrcuncrevem à esfera estritamente laboral (natureza do contrato de trabalho, condições de trabalho, etc), atingindo outras esferas da vida sócio-familiar dos trabalhadores precários. Com o intuito de esboçar um perfil do trabalhador precário, Rebelo (2001) define ?cinco grupos de exclusão por via da precariedade?: mulheres, jovens, idosos, os ?pouco? qualificados e os actuais licenciados. Alguns destes constituem objectos analíticos já assinalados, por exemplo, no estudo intensivo de Pais (2001) sobre o percurso biográfico de jovens precários, e na investigação extensiva do Inofor (1999) sobre a educação e o emprego dos diplomados do ensino superior. <br />Urge conferir visibilidade (Kóvacs, 2002) às situações laborais dos indivíduos, evidenciando o seu duplo condicionamento, quer por traços estruturais que persistem e que explicam a maior ou menor vulnerabilidade daqueles, quer pelas dimensões intrínsecas aos seus percursos sócio-familiares e profissionais.





