Cabo verde pelo mundo: informalidade, género e migrações

Cabo verde pelo mundo: informalidade, género e migrações

O principal objectivo deste projecto é analisar as actividades informais e os movimentos de pessoas de origem Cabo-verdiana. Estes consistem num fenómeno social organizado em redes que permitem estabelecer trocas económicas e sociais em qualquer parte do mundo em que se encontrem. O processo de observação e análise destas redes em Portugal (Grande Lisboa), em Itália (Roma) e nos EUA (Pawtucket, Rhode Island) mostra que estas estão estruturadas maioritariamente no parentesco, na  identidade nacional, - a chamada "caboverdianidade" - e  na etnicidade. Adicionalmente, é o contexto que ,  para explicar os factos sociais, determina a supremacia de uma ou outra identidade e a articulação entre estas . O trabalho de campo mostrou ser importante estabelecer uma aproximação à sociologia das migrações e aos estudos sobre o transnacionalismo. Este conceito pode ser definido como o "movimento de pessoas, bens, informação, ideias e recursos que estrutura o mundo real actual" (Keohane and Nye, 1971: 3). O transnacionalismo encontra-se ao nível conceptual, económica e socialmente relacionado com uma análise macro dos movimentos financeiros transnacionais no contexto da globalização capitalista (Sklair, 1995, Castells, 1996, Dicken, 2001, Yeung, 2000). Mas a história  da  diáspora Cabo-verdiana mostra como o transnacionalimo pode ser um factor estruturante de fenómenos sociais e económicos que escapam ao controlo do Estado. O projecto Cabo Verde pelo mundo aborda estes mesmos fenómenos.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 
migrações, género, informal, redes

O principal objectivo deste projecto é analisar as actividades informais e os movimentos de pessoas de origem Cabo-verdiana. Estes consistem num fenómeno social organizado em redes que permitem estabelecer trocas económicas e sociais em qualquer parte do mundo em que se encontrem. O processo de observação e análise destas redes em Portugal (Grande Lisboa), em Itália (Roma) e nos EUA (Pawtucket, Rhode Island) mostra que estas estão estruturadas maioritariamente no parentesco, na  identidade nacional, - a chamada "caboverdianidade" - e  na etnicidade. Adicionalmente, é o contexto que ,  para explicar os factos sociais, determina a supremacia de uma ou outra identidade e a articulação entre estas . O trabalho de campo mostrou ser importante estabelecer uma aproximação à sociologia das migrações e aos estudos sobre o transnacionalismo. Este conceito pode ser definido como o "movimento de pessoas, bens, informação, ideias e recursos que estrutura o mundo real actual" (Keohane and Nye, 1971: 3). O transnacionalismo encontra-se ao nível conceptual, económica e socialmente relacionado com uma análise macro dos movimentos financeiros transnacionais no contexto da globalização capitalista (Sklair, 1995, Castells, 1996, Dicken, 2001, Yeung, 2000). Mas a história  da  diáspora Cabo-verdiana mostra como o transnacionalimo pode ser um factor estruturante de fenómenos sociais e económicos que escapam ao controlo do Estado. O projecto Cabo Verde pelo mundo aborda estes mesmos fenómenos.

Objectivos: 
A partir das conclusões do doutoramento pode-se afirmar que a inserção de Cabo Verde na economia e na sociedade mundial é feita, também, através das redes internacionais de comércio e relações sociais, cujos circuitos não têm sido até agora estudados. O objectivo deste projecto é estudar as suas formas, esclarecer a natureza das redes económico-sociais que os cabo-verdianos produzem e reproduzem no em espaço social de três continentes. O estudo irá ajudar à percepção das mudanças sociais e culturais e económicas cabo-verdianas e esclarecer o seu peso no desenvolvimento. Além disso, o estudo das relações sociais, políticas, culturais e religiosas dos actores dentro das redes migratórias contribui para aprofundar as formas de contacto com países com um grau de desenvolvimento diferente e as modificações nas dinâmicas da diáspora cabo-verdiana.
State of the art: 
Se, por um lado, o conceito do g&eacute;nero (assim como os de desenvolvimento, etnia, classe...) &eacute; um conceito transversal que se situa no espa&ccedil;o de intersec&ccedil;&atilde;o entre o cient&iacute;fico e o pol&iacute;tico (cf. Coquery Vidrovitch 1997), por outro lado, a sua abordagem permite analisar as estruturas pol&iacute;ticas, psicol&oacute;gicas, econ&oacute;micas e socioculturais que constituem a complexidade social (Grassi 2003: 72) como &eacute; proposto nesta colect&acirc;nea sobre as migra&ccedil;&otilde;es cabo-verdianas nos seus diversos contextos. <br />Os estudos sobre migra&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m reflectem a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do conceito do g&eacute;nero ligado ao desenvolvimento e, na teoria cl&aacute;ssica das migra&ccedil;&otilde;es, o mesmo ponto de partida das abordagens, que se traduz na concep&ccedil;&atilde;o das mulheres como acompanhantes e dependentes dos homens e n&atilde;o como sujeitos activos. Apesar da compreens&atilde;o emp&iacute;rica da especificidade da migra&ccedil;&atilde;o feminina por quest&otilde;es de trabalho, na maioria das vezes, do ponto de vista conceptual permanece a liga&ccedil;&atilde;o da mulher como sujeito que segue os comportamentos do homem (Carlings 2005:4). &Eacute; durante a d&eacute;cada de 1976-1985 que surgem os primeiros estudos sobre a mulher migrante como sujeito vis&iacute;vel aut&oacute;nomo do homem (Morokvasic 1983) e sobre os fluxos migrat&oacute;rios de mulheres (Kofman 1999; Mahler 1999), embora se debrucem, especificamente, sobre estudos de caso, como um assunto maioritariamente de mulheres, aos quais n&atilde;o corresponde, ainda, uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o migrat&oacute;ria feminina (Carlings 2005:4). Neste sentido, &eacute; de se sublinhar a exist&ecirc;ncia de trabalhos como o de Leeds (1976) que tinha sido marginalizado por ser redutivo ao tratar exclusivamente de mulheres migrantes (Donato et al. 2006:10). Por outro lado, a primeira an&aacute;lise de g&eacute;nero consistente parece aparecer na literatura sobre migra&ccedil;&otilde;es em 1992 na introdu&ccedil;&atilde;o do livro ?Gender and migration? de Sylvia Chant e Sarah Radcliffe onde as autoras apontam que at&eacute; ent&atilde;o os estudos sobre mulheres e migra&ccedil;&otilde;es limitavam-se a estabelecer as diferen&ccedil;as num&eacute;ricas entre os sexos nos fluxos migrat&oacute;rios sem analisar substantivamente as diferen&ccedil;as em termos do g&eacute;nero. Outros autores, como Donato, Gabaccia, Holdaway, Malanansan, IV, Pessar (2006:14) concordam que a explos&atilde;o do interesse da quest&atilde;o do g&eacute;nero no interior das v&aacute;rias disciplinas e em contextos migrat&oacute;rios n&atilde;o pode ser atribu&iacute;do, nem &agrave; emerg&ecirc;ncia da corrente filos&oacute;fica p&oacute;s-moderna, nos finais da d&eacute;cada de 1980, nem sequer &agrave; emerg&ecirc;ncia das teorias p&oacute;s-coloniais. De acordo com os autores supracitados, foi no interior das suas pr&oacute;prias disciplinas que os cientistas sociais inseriram o g&eacute;nero como uma estrat&eacute;gia intelectual para superar a marginaliza&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o do trabalho da mulher na sociedade, tal como aparece nos trabalhos reunidos no n&uacute;mero especial do International Migration Review (IMR) de 1984, organizado por Mirjana Morokvasic. Mais recentemente, alguns autores sublinham que as fronteiras disciplinares n&atilde;o desaparecem em presen&ccedil;a de um espa&ccedil;o pluridisciplinar assim como n&atilde;o desaparecem as amplas varia&ccedil;&otilde;es na pr&aacute;tica e na aceita&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise transversal do g&eacute;nero que respeitam as suas especificidades epistemol&oacute;gicas, te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas (Donato et al. 2006: 15; Grassi 2003, 2004).
Coordenador ICS 
Data Inicio: 
01/05/2002
Data Fim: 
31/05/2008
Duração: 
72 meses
Concluído