O jardim secreto da política: candidatos à Assembleia da República 1975-2019
O jardim secreto da política: candidatos à Assembleia da República 1975-2019
Os partidos políticos são centrais nos processos de seleção de candidatos a cargos públicos. De acordo com Sartori (1976), esta característica funcional distingui-os dos restantes atores sociais. Em linha com os seus congéneres Europeus, em Portugal, os partidos detêm o monopólio de seleção de candidatos à Assembleia da República. Na prática, isto significa que, antes dos cidadãos expressarem os seus desejos eleitorais, os partidos detêm o poder ex-ante de escolher os candidatos. Os partidos moldam, assim, a representação descritiva, isto é, a presença no parlamento de uma constelação de deputados que represente fielmente a diversidade social, económica, étnica e sexual da sociedade. O processo de seleção de candidatos funciona como uma caixa negra, da qual apenas observamos o resultado final. Os partidos políticos tomam as decisões sobre os candidatos a candidatos numa arena que foi apelidada de “jardim secreto da política” (Gallagher & Marsh 1988). Este projeto dará um contributo decisivo para o estudo dos partidos políticos, da Assembleia da República, assim como dos efeitos do sistema eleitoral em Portugal. Nas últimas décadas (veja-se Freire 2009), têm havido esforços bem-sucedidos para estudar a composição da Assembleia da República. Todavia, o nosso conhecimento sobre os candidatos é muito limitado. Esta limitação impede-nos de abordar vários ângulos analíticos, cuja análise constituirá o principal contributo deste projeto para o conhecimento já existente sobre este tema. Em primeiro lugar, este estudo permitirá perceber quais as diferenças e semelhanças nos quadros políticos candidatos por partidos que ganham lugares na Assembleia da República e aqueles que, concorrendo, não logram obter apoio suficiente. Em segundo lugar, este trabalho permitir-nos-á perceber as diferenças regionais, por exemplo, entre os candidatos de círculos de alta magnitude e de média e baixa magnitude. Em terceiro lugar, este projeto ajudar-nos-á a perceber de que modo os partidos políticos evoluíram ao longo das últimas décadas e se as listas hoje estão mais inclusivas com a presença de minorias. Este projeto contribuirá para preencher esta lacuna através do estudo aprofundado dos candidatos de todos os partidos políticos à Assembleia da República desde as eleições fundadoras do regime até às mais recentes eleições legislativas.
candidatos, partidos políticos, parlamento, Portugal
Os partidos políticos são centrais nos processos de seleção de candidatos a cargos públicos. De acordo com Sartori (1976), esta característica funcional distingui-os dos restantes atores sociais. Em linha com os seus congéneres Europeus, em Portugal, os partidos detêm o monopólio de seleção de candidatos à Assembleia da República. Na prática, isto significa que, antes dos cidadãos expressarem os seus desejos eleitorais, os partidos detêm o poder ex-ante de escolher os candidatos. Os partidos moldam, assim, a representação descritiva, isto é, a presença no parlamento de uma constelação de deputados que represente fielmente a diversidade social, económica, étnica e sexual da sociedade. O processo de seleção de candidatos funciona como uma caixa negra, da qual apenas observamos o resultado final. Os partidos políticos tomam as decisões sobre os candidatos a candidatos numa arena que foi apelidada de “jardim secreto da política” (Gallagher & Marsh 1988). Este projeto dará um contributo decisivo para o estudo dos partidos políticos, da Assembleia da República, assim como dos efeitos do sistema eleitoral em Portugal. Nas últimas décadas (veja-se Freire 2009), têm havido esforços bem-sucedidos para estudar a composição da Assembleia da República. Todavia, o nosso conhecimento sobre os candidatos é muito limitado. Esta limitação impede-nos de abordar vários ângulos analíticos, cuja análise constituirá o principal contributo deste projeto para o conhecimento já existente sobre este tema. Em primeiro lugar, este estudo permitirá perceber quais as diferenças e semelhanças nos quadros políticos candidatos por partidos que ganham lugares na Assembleia da República e aqueles que, concorrendo, não logram obter apoio suficiente. Em segundo lugar, este trabalho permitir-nos-á perceber as diferenças regionais, por exemplo, entre os candidatos de círculos de alta magnitude e de média e baixa magnitude. Em terceiro lugar, este projeto ajudar-nos-á a perceber de que modo os partidos políticos evoluíram ao longo das últimas décadas e se as listas hoje estão mais inclusivas com a presença de minorias. Este projeto contribuirá para preencher esta lacuna através do estudo aprofundado dos candidatos de todos os partidos políticos à Assembleia da República desde as eleições fundadoras do regime até às mais recentes eleições legislativas.





