Nyangas e Hospitais - conceitos e práticas terapêuticas em Moçambique

Nyangas e Hospitais - conceitos e práticas terapêuticas em Moçambique

O projecto tem por fulcro uma pesquisa antropológica, a desenvolver ao longo de 3 anos junto de curandeiros moçambicanos, centrada em 6 vertentes: 1) conceitos e sistemas de interpretação da realidade que estão subjacentes à sua actividade; 2) suas práticas terapêuticas e respectivas lógicas internas; 3) seus saberes sociais, psicológicos, farmacológicos e médicos; 4) processos de integração na profissão e consequentes relações hierárquicas; 5) papeis e relações de poder que vêm mantendo com a sociedade e a biomedicina, ao longo de diferentes quadros históricos e políticos; 6) articulação entre a acção dos curandeiros, pacientes e médicos e as políticas globais/internacionais de saúde.
Os dados recolhidos serão ainda capitalizados de duas outras formas: a) canalização de informação acerca de plantas medicinais, para triagem de espécies e/ou de utilizações desconhecidas, tendo em vista futuros projectos de análise farmacológica e eficácia terapêutica; b) divulgação do conhecimento através de acções públicas que estimulem o diálogo, a informação mútua e a colaboração entre as estruturas de cuidados biomédicos e a rede de curandeiros existente.
A pesquisa antropológica começará nas províncias de Maputo e Gaza, com posterior alargamento às províncias de Inhambane, Sofala, Cabo Delgado e Niassa.
Conta à partida com 3 investigadores, incluindo uma bolseira de doutoramento seleccionada por concurso público. Tendo por base o protocolo de cooperação entre o ICS-UL e a FLCS da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), virão a integrar-se no projecto outros antropólogos e historiadores moçambicanos, com eventual recurso a financiamentos complementares.
O trabalho de campo antropológico privilegiará contextos de consulta e adivinhação, de tratamento e ritual, de julgamentos por adivinhação ou ordália e de aprendizagem profissional, nas instalações dos curandeiros ou seus clientes. Constituirão contextos complementares de pesquisa as "bandla" (confrarias/linhagens profissionais) e associações de curandeiros, a documentação na posse destas últimas e do Arquivo Histórico de Moçambique (AHM), e as representações dos médicos acerca da actividade dos curandeiros.
Metodologicamente, será privilegiada a observação presencial e directa (incluindo registo audiovisual) das acções referidas, acompanhada de contacto corrente e conversas informais com curandeiros. Em complemento, serão recolhidas histórias de vida de curandeiros, seus alunos e pacientes, sendo realizadas entrevistas semi-directivas a esses três grupos e a médicos. Será efectuada a análise documental de quatro tipos de fontes: documentos pertinentes do AHM; actas e registos da Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique (Ametramo); notícias publicadas na imprensa escrita; registos clínicos de curandeiros, com óbvio sigilo quanto à identidade dos pacientes e outros dados sensíveis.
O acesso ao terreno e a documentos reservados é potenciado pelo estatuto de Membro Honorário da Ametramo detido pelo coordenador do projecto. O acesso a documentos à guarda do AHM é facilitado pelas relações de colaboração entre esse arquivo e o ICS-UL.
O trabalho será desenvolvido em diálogo com consultores especialistas desta temática e/ou área geográfica, que igualmente participarão nos seminários de debate e divulgação a realizar.
O aproveitamento de dados botânicos para futuros projectos e análises terá como interlocutor o Prof. Virgílio do Rosário, do Centro da Malária e outras Doenças Tropicais.
As acções de divulgação e extensão previstas incluem: a) seminário para médicos, sobre o contexto sociocultural da saúde em Moçambique e a actividade dos curandeiros; b) eventual apoio a formações complementares acerca do tema, na licenciatura de Medicina da UEM; c) seminário para curandeiros, médicos e decisores políticos, sobre colaboração no âmbito dos cuidados de saúde; d) seminário de apresentação de resultados, em Portugal.
Constituem objectivos globais do projecto: 1) aprofundar as práticas de diagnóstico e terapêutica dos curandeiros, suas lógicas e etiologias da doença e a relação que mantêm com a gestão da incerteza; 2) compreender os recursos simbólicos e retóricos nelas envolvidos, e a sua relação com o contexto sociocultural circundante; 3) analisar o processo de aprendizagem dos curandeiros e o seu potencial para a transmissão de regras higiénicas e profilácticas; 4) compreender a evolução do seu papel nos cuidados de saúde e gestão de relações sociais, e da sua relação com a biomedicina, o Estado e as políticas globais/internacionais; 5) recolher dados sobre farmacopeia, para triagem de plantas que possam ser objecto de futuros estudos especializados; 6) divulgar informação e estimular o diálogo entre instituições biomédicas e curandeiros, passível de conduzir a protocolos de conduta e ao equacionamento de especificidades socioculturais locais no ensino e prática da medicina.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Sim

O projecto tem por fulcro uma pesquisa antropológica, a desenvolver ao longo de 3 anos junto de curandeiros moçambicanos, centrada em 6 vertentes: 1) conceitos e sistemas de interpretação da realidade que estão subjacentes à sua actividade; 2) suas práticas terapêuticas e respectivas lógicas internas; 3) seus saberes sociais, psicológicos, farmacológicos e médicos; 4) processos de integração na profissão e consequentes relações hierárquicas; 5) papeis e relações de poder que vêm mantendo com a sociedade e a biomedicina, ao longo de diferentes quadros históricos e políticos; 6) articulação entre a acção dos curandeiros, pacientes e médicos e as políticas globais/internacionais de saúde.
Os dados recolhidos serão ainda capitalizados de duas outras formas: a) canalização de informação acerca de plantas medicinais, para triagem de espécies e/ou de utilizações desconhecidas, tendo em vista futuros projectos de análise farmacológica e eficácia terapêutica; b) divulgação do conhecimento através de acções públicas que estimulem o diálogo, a informação mútua e a colaboração entre as estruturas de cuidados biomédicos e a rede de curandeiros existente.
A pesquisa antropológica começará nas províncias de Maputo e Gaza, com posterior alargamento às províncias de Inhambane, Sofala, Cabo Delgado e Niassa.
Conta à partida com 3 investigadores, incluindo uma bolseira de doutoramento seleccionada por concurso público. Tendo por base o protocolo de cooperação entre o ICS-UL e a FLCS da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), virão a integrar-se no projecto outros antropólogos e historiadores moçambicanos, com eventual recurso a financiamentos complementares.
O trabalho de campo antropológico privilegiará contextos de consulta e adivinhação, de tratamento e ritual, de julgamentos por adivinhação ou ordália e de aprendizagem profissional, nas instalações dos curandeiros ou seus clientes. Constituirão contextos complementares de pesquisa as "bandla" (confrarias/linhagens profissionais) e associações de curandeiros, a documentação na posse destas últimas e do Arquivo Histórico de Moçambique (AHM), e as representações dos médicos acerca da actividade dos curandeiros.
Metodologicamente, será privilegiada a observação presencial e directa (incluindo registo audiovisual) das acções referidas, acompanhada de contacto corrente e conversas informais com curandeiros. Em complemento, serão recolhidas histórias de vida de curandeiros, seus alunos e pacientes, sendo realizadas entrevistas semi-directivas a esses três grupos e a médicos. Será efectuada a análise documental de quatro tipos de fontes: documentos pertinentes do AHM; actas e registos da Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique (Ametramo); notícias publicadas na imprensa escrita; registos clínicos de curandeiros, com óbvio sigilo quanto à identidade dos pacientes e outros dados sensíveis.
O acesso ao terreno e a documentos reservados é potenciado pelo estatuto de Membro Honorário da Ametramo detido pelo coordenador do projecto. O acesso a documentos à guarda do AHM é facilitado pelas relações de colaboração entre esse arquivo e o ICS-UL.
O trabalho será desenvolvido em diálogo com consultores especialistas desta temática e/ou área geográfica, que igualmente participarão nos seminários de debate e divulgação a realizar.
O aproveitamento de dados botânicos para futuros projectos e análises terá como interlocutor o Prof. Virgílio do Rosário, do Centro da Malária e outras Doenças Tropicais.
As acções de divulgação e extensão previstas incluem: a) seminário para médicos, sobre o contexto sociocultural da saúde em Moçambique e a actividade dos curandeiros; b) eventual apoio a formações complementares acerca do tema, na licenciatura de Medicina da UEM; c) seminário para curandeiros, médicos e decisores políticos, sobre colaboração no âmbito dos cuidados de saúde; d) seminário de apresentação de resultados, em Portugal.
Constituem objectivos globais do projecto: 1) aprofundar as práticas de diagnóstico e terapêutica dos curandeiros, suas lógicas e etiologias da doença e a relação que mantêm com a gestão da incerteza; 2) compreender os recursos simbólicos e retóricos nelas envolvidos, e a sua relação com o contexto sociocultural circundante; 3) analisar o processo de aprendizagem dos curandeiros e o seu potencial para a transmissão de regras higiénicas e profilácticas; 4) compreender a evolução do seu papel nos cuidados de saúde e gestão de relações sociais, e da sua relação com a biomedicina, o Estado e as políticas globais/internacionais; 5) recolher dados sobre farmacopeia, para triagem de plantas que possam ser objecto de futuros estudos especializados; 6) divulgar informação e estimular o diálogo entre instituições biomédicas e curandeiros, passível de conduzir a protocolos de conduta e ao equacionamento de especificidades socioculturais locais no ensino e prática da medicina.

Objectivos: 
<p>1) aprofundar as práticas de diagnóstico e terapêutica dos curandeiros, suas lógicas e etiologias da doença e a relação que mantêm com a gestão da incerteza; </p><p>2) compreender os recursos simbólicos e retóricos nelas envolvidos, e a sua relação com o contexto sociocultural circundante; </p><p>3) analisar o processo de aprendizagem dos curandeiros e o seu potencial para a transmissão de regras higiénicas e profilácticas; </p><p>4) compreender a evolução do seu papel nos cuidados de saúde e gestão de relações sociais, e da sua relação com a biomedicina, o Estado e as políticas globais/internacionais; </p><p>5) recolher dados sobre farmacopeia, para triagem de plantas que possam ser objecto de futuros estudos especializados; </p><p>6) divulgar informação e estimular o diálogo entre instituições biomédicas e curandeiros, passível de conduzir a protocolos de conduta e ao equacionamento de especificidades socioculturais locais no ensino e prática da medicina.</p>
Coordenador 
Data Inicio: 
01/07/2007
Data Fim: 
30/09/2010
Duração: 
38 meses
Concluído