Educação Ambiental: Balanço, Oportunidades e Perspectiva

Educação Ambiental: Balanço, Oportunidades e Perspectiva

A partir de dois inquéritos, um deles aplicado a um vasto leque de instituições não-escolares (desde ONG a autarquias, passando por empresas) e outro aplicado aos cerca de 15.000 estabelecimentos de ensino portugueses, procurou-se avaliar a situação actual dos projectos de Educação Ambiental (EA) e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) numa perspectiva de diagnóstico. Identificaram-se, assim, dinâmicas, constrangimentos e potencialidades dos projectos recenseados dentro e fora do contexto escolar, desenvolvidos quer por iniciativa das escolas, quer por iniciativa das ONG de Ambiente ou de Desenvolvimento, quer, ainda, por iniciativa das autarquias ou de empresas ligadas ao sector ambiental. Realçaram-se também algumas das principais características destes projectos de EA/EDS e das instituições escolares que os enquadram.
Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 
Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Políticas Públicas
A partir de dois inquéritos, um deles aplicado a um vasto leque de instituições não-escolares (desde ONG a autarquias, passando por empresas) e outro aplicado aos cerca de 15.000 estabelecimentos de ensino portugueses, procurou-se avaliar a situação actual dos projectos de Educação Ambiental (EA) e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) numa perspectiva de diagnóstico. Identificaram-se, assim, dinâmicas, constrangimentos e potencialidades dos projectos recenseados dentro e fora do contexto escolar, desenvolvidos quer por iniciativa das escolas, quer por iniciativa das ONG de Ambiente ou de Desenvolvimento, quer, ainda, por iniciativa das autarquias ou de empresas ligadas ao sector ambiental. Realçaram-se também algumas das principais características destes projectos de EA/EDS e das instituições escolares que os enquadram.
Objectivos: 
<p>Procurar-se-á produzir uma caracterização analítica do contributo das instituições escolares e não-escolares para o tipo de educação ambiental e para o desenvolvimento sustentável que se faz hoje em Portugal, dirigindo a atenção para o modo como elas se posicionam no movimento de mudança a que assistimos nesta esfera, sem esquecer de olhar também para as dificuldades e estratégias de afirmação destas organizações neste campo de acção social.</p>
State of the art: 
A Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental &eacute; um processo de aprendizagem permanente que procura incrementar a informa&ccedil;&atilde;o e o conhecimento p&uacute;blico sobre os problemas ambientais, promovendo, simultaneamente, o sentido cr&iacute;tico das popula&ccedil;&otilde;es e a sua capacidade para intervir nas decis&otilde;es que, de uma forma ou de outra, afectam o ambiente e as suas condi&ccedil;&otilde;es de vida. O processo de EA pretende-se, assim, continuado e compreensivo, permitindo uma interpreta&ccedil;&atilde;o do ambiente integrada que incorpora o pr&oacute;prio lugar dos cidad&atilde;os no complexo sociedade-ambiente e as consequ&ecirc;ncias das suas actividades no ecossitema. <br />Com um j&aacute; longo percurso, a carta de Belgrado (1975) e a Declara&ccedil;&atilde;o de Tbilisi (1977) s&atilde;o, talvez, os dois pontos altos fundadores da EA actual. Os objectivos adoptados em Tblisi, (fomentar a consciencializa&ccedil;&atilde;o ambiental, alargar os conhecimentos e a informa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, estimular a mudan&ccedil;a de valores e as atitudes, desenvolver capacidades para uma participa&ccedil;&atilde;o eficaz dos cidad&atilde;os) permanecem, ali&aacute;s, ainda hoje actuais e est&atilde;o presentes na maioria dos projectos de EA em curso. <br />Em Portugal, pelo menos de forma mais institucional, a EA ter&aacute; surgido h&aacute; cerca de trinta anos, quando j&aacute; eram indesment&iacute;veis as roturas hist&oacute;ricas do pa&iacute;s: a macrocefalia urbana, a litoraliza&ccedil;&atilde;o, o abandono rural, em suma, o desordenamento do territ&oacute;rio com todo o seu triste cortejo de sintomas. Tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois, no entanto, s&atilde;o t&eacute;nues os seus resultados. O fr&aacute;gil desempenho da EA deveu-se n&atilde;o s&oacute; &agrave;s cl&aacute;ssicas e sistem&aacute;ticas faltas de meios dos organismos que tinham por fun&ccedil;&atilde;o implement&aacute;-la, como &agrave;s cr&oacute;nicas desarticula&ccedil;&otilde;es institucionais e a uma falta de vis&atilde;o e continuidade de programa que se alia a uma incapacidade funcional para acompanhar o alastrar galopante da import&acirc;ncia e da escala dos problemas ambientais do pa&iacute;s e do mundo. <br />Na falta de um programa s&eacute;rio, integrado e oficialmente assumido de EA, o panorama actual parece limitar-se a algumas iniciativas dispersas e a excelentes boas vontades que dificilmente surtir&atilde;o os efeitos desejados. J&aacute; nos anos 90, alguns inqu&eacute;ritos vieram evidenciar que a popula&ccedil;&atilde;o mais jovem havia aumentado imenso a sua preocupa&ccedil;&atilde;o com o ambiente, mas que, paradoxalmente, pouca informa&ccedil;&atilde;o tinha sobre ele e quase nada participava civicamente para nele intervir. A c&eacute;lebre EA parece ter ca&iacute;do no saco roto da iliteracia geral portuguesa, pelo que urgem estudos sistem&aacute;ticos sobre o tema que nos possam dar informa&ccedil;&atilde;o sobre a situa&ccedil;&atilde;o actual: que projectos, que protagonistas, que financiamentos est&atilde;o no terreno e que resultados se v&atilde;o conseguindo. <br />Neste campo, no entanto, o panorama caracteriza-se, mais uma vez, por um conjunto de ac&ccedil;&otilde;es dispersas e de import&acirc;ncia desigual, n&atilde;o existindo sequer um conhecimento sistematizado sobre iniciativas escolares de EA. Num contexto em que se prepara uma estrat&eacute;gia para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel &agrave; escala europeia e nacional, e em que se inicia a d&eacute;cada dedicada pela UNESCO &agrave; educa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, cresce a import&acirc;ncia de conhecer o panorama da AE em Portugal e suas caracter&iacute;sticas principais, de modo a aproveitar as oportunidades proporcionadas por esta conjuntura e desenhar as perspectivas e directrizes para o novo mil&eacute;nio.
Joaquim Gil Nave

EA

Coordenador ICS 
Data Inicio: 
01/02/2005
Data Fim: 
31/12/2008
Duração: 
46 meses
Concluído