(Des)igualdades de género no trabalho e na vida privada: das leis às práticas sociais
(Des)igualdades de género no trabalho e na vida privada: das leis às práticas sociais
Não obstante o relativo avanço, em termos jurídico-políticos, na defesa de princípios de tratamento igualitário entre homens e mulheres, estudos recentes (inter)nacionais atestam que persistem fronteiras e desigualdades de género nos contextos laborais, nas interacções quotidianas e espaços conviviais, nas orientações valorativas e simbólicas e nos quadros institucionais. Elas subsistem nos vários sectores e dimensões da vida social: na família e no trabalho extradoméstico, na composição da estrutura do emprego e nas oportunidades no acesso, promoção e progresso nas carreiras, nas taxas de liderança e ocupação de funções directivas. Neste perspectiva far-se-á uma tipologia em função dos constrangimentos e das estratégias/orientações das mulheres entre a casa e o trabalho, que (grupos) mulheres se centram mais na casa, mais no trabalho ou combinam os dois pólos e se adaptam, não raro de modo criativo e com grandes doses de sacrifício, às exigências da casa e do trabalho.
Seguidamente revisitam-se sinteticamente, no vasto campo das ciências sociais, os vários modelos e paradigmas teóricos: as concepções (sócio)biológicas, algumas teorias psicológicas nomeadamente a freudiana e, no seio da sociologia, a perspectiva estruturo-funcional, a abordagem simbólico-interaccionista, o modelo marxista, o paradigma organizacional e de poder neoweberiano e foucaultiano e, por fim mas não menos importante, as diversas correntes feministas autónomas ou articuláveis com alguma das teorias enunciadas. Neste quadro, é proposta uma articulação do conceito de género com o de classe - o que implica uma aproximação do modelo marxista com o feminismo - e, indirectamente, um cruzamento fecundo, crítico e sintético entre (neo)marxismo e weberianismo, sendo esta última articulável com o interaccionismo simbólico. A nossa hipótese de trabalho parte do pressuposto que, para além dos interesses inerentes aos mecanismos macro-económicos e institucionais, a dominação, a subalternização e a discriminação sexual, o controlo da força de trabalho feminina e subsequentes fenómenos de segregação laboral e discriminação salarial, ora se reproduzem ora se contrariam a vários níveis: socio-estrutural, organizacional-institucional e interactivo. A nível meso e micro-sociológico o poder da mulher varia em função do grau de disposição sobre recursos e recompensas, do modo e da medida de participação no processo produtivo, do grau de mobilidade e presença/ ausência de hierarquização de papéis sexuais na divisão do trabalho, do lugar ocupado na organização da empresa/instituição e na esfera (re)produtiva da unidade familiar e na interacções e negociação de papéis, implicando esta abordagem de síntese uma reconceptualização das teorias da estratificação e/ou das classes à luz da centralidade do conceito de género.
Não obstante o relativo avanço, em termos jurídico-políticos, na defesa de princípios de tratamento igualitário entre homens e mulheres, estudos recentes (inter)nacionais atestam que persistem fronteiras e desigualdades de género nos contextos laborais, nas interacções quotidianas e espaços conviviais, nas orientações valorativas e simbólicas e nos quadros institucionais. Elas subsistem nos vários sectores e dimensões da vida social: na família e no trabalho extradoméstico, na composição da estrutura do emprego e nas oportunidades no acesso, promoção e progresso nas carreiras, nas taxas de liderança e ocupação de funções directivas. Neste perspectiva far-se-á uma tipologia em função dos constrangimentos e das estratégias/orientações das mulheres entre a casa e o trabalho, que (grupos) mulheres se centram mais na casa, mais no trabalho ou combinam os dois pólos e se adaptam, não raro de modo criativo e com grandes doses de sacrifício, às exigências da casa e do trabalho.
Seguidamente revisitam-se sinteticamente, no vasto campo das ciências sociais, os vários modelos e paradigmas teóricos: as concepções (sócio)biológicas, algumas teorias psicológicas nomeadamente a freudiana e, no seio da sociologia, a perspectiva estruturo-funcional, a abordagem simbólico-interaccionista, o modelo marxista, o paradigma organizacional e de poder neoweberiano e foucaultiano e, por fim mas não menos importante, as diversas correntes feministas autónomas ou articuláveis com alguma das teorias enunciadas. Neste quadro, é proposta uma articulação do conceito de género com o de classe - o que implica uma aproximação do modelo marxista com o feminismo - e, indirectamente, um cruzamento fecundo, crítico e sintético entre (neo)marxismo e weberianismo, sendo esta última articulável com o interaccionismo simbólico. A nossa hipótese de trabalho parte do pressuposto que, para além dos interesses inerentes aos mecanismos macro-económicos e institucionais, a dominação, a subalternização e a discriminação sexual, o controlo da força de trabalho feminina e subsequentes fenómenos de segregação laboral e discriminação salarial, ora se reproduzem ora se contrariam a vários níveis: socio-estrutural, organizacional-institucional e interactivo. A nível meso e micro-sociológico o poder da mulher varia em função do grau de disposição sobre recursos e recompensas, do modo e da medida de participação no processo produtivo, do grau de mobilidade e presença/ ausência de hierarquização de papéis sexuais na divisão do trabalho, do lugar ocupado na organização da empresa/instituição e na esfera (re)produtiva da unidade familiar e na interacções e negociação de papéis, implicando esta abordagem de síntese uma reconceptualização das teorias da estratificação e/ou das classes à luz da centralidade do conceito de género.





