Bússola Eleitoral

Bússola Eleitoral

Este projecto pretende criar uma Bússola Eleitoral para as eleições legislativas de 2009 em Portugal. De uma perspectiva cientifica, estes "Sitios Web de Orientação Eleitoral" são ferramentas informáticas baseadas no conhecimento dos programas políticos que, de forma interactiva, recolhem uma série de preferências pessoais do utilizador, para representar (unidimensional o multidimensionalmente) um conjunto de partidos. Esse Mapa resulta da análise conjunta das preferências pessoais do utilizador e do conteúdo dos programas políticos dos vários partidos.

O site http://www.bussolaeleitoral.pt/ será constituído por dois elementos fundamentais: o primeiro é o posicionamento de todos os partidos políticos relevantes no espectro político; o segundo é a avaliação dos candidatos. Ao utilizador será pedido que responda a um conjunto de questões. Essas respostas permitirão colocá-lo graficamente para que possa verificar o seu posicionamento em relação aos partidos políticos.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Rede: 
Electoral Compass
Keywords: 

Posicionamento Partidário, Paisagem Ideológica, Comportamento Eleitoral, Aplicação da Orientação do Voto

Este projecto pretende criar uma Bússola Eleitoral para as eleições legislativas de 2009 em Portugal. De uma perspectiva cientifica, estes "Sitios Web de Orientação Eleitoral" são ferramentas informáticas baseadas no conhecimento dos programas políticos que, de forma interactiva, recolhem uma série de preferências pessoais do utilizador, para representar (unidimensional o multidimensionalmente) um conjunto de partidos. Esse Mapa resulta da análise conjunta das preferências pessoais do utilizador e do conteúdo dos programas políticos dos vários partidos.

O site http://www.bussolaeleitoral.pt/ será constituído por dois elementos fundamentais: o primeiro é o posicionamento de todos os partidos políticos relevantes no espectro político; o segundo é a avaliação dos candidatos. Ao utilizador será pedido que responda a um conjunto de questões. Essas respostas permitirão colocá-lo graficamente para que possa verificar o seu posicionamento em relação aos partidos políticos.

Objectivos: 
<p>Criar uma aplicação online de orientação eleitoral ("Bússola Eleitoral") para as eleições legislativas portuguesas, agendas para Setembro / Outubro de 2009.</p><p>- Compreender melhor a paisagem ideológica</p><p>- Compreender melhor o nosso comportamento eleitoral.</p>
State of the art: 
<p>Existem j&aacute; v&aacute;rios estudos que t&ecirc;m como objectivo central o posicionamento dos partidos pol&iacute;ticos seja numa escala esquerda-direita, seja noutros espa&ccedil;os pol&iacute;ticos. O que aqui pretendemos fazer &eacute; apresentar muito brevemente as metodologias empregues em estudos internacionais para medir este posicionamento, bem como mostrar o que as principais pesquisas conclu&iacute;ram sobre a localiza&ccedil;&atilde;o dos partidos portugueses. Este exerc&iacute;cio pr&eacute;vio servir&aacute; depois para enquadrar e explicar as decis&otilde;es que tom&aacute;mos para a constru&ccedil;&atilde;o desta B&uacute;ssola Eleitoral.</p><p>As posi&ccedil;&otilde;es dos partidos no espectro pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico t&ecirc;m sido alvos de numerosos estudos, seguindo metodologias distintas. Resumindo, as metodologias empregues s&atilde;o as seguintes: os inqu&eacute;ritos de massas; a codifica&ccedil;&atilde;o dos programas partid&aacute;rios; as opini&otilde;es de peritos. Tendo em conta que nos inqu&eacute;ritos &agrave;s massas se aufere apenas o posicionamento global dos partidos pol&iacute;ticos numa escala ideol&oacute;gica, n&atilde;o iremos apresentar aqui esses dados. Passemos ent&atilde;o &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o das outras duas metodologias.</p><p>Codifica&ccedil;&atilde;o dos Programas Eleitorais dos Partidos. Existe um grande projecto a n&iacute;vel europeu que codifica os programas eleitorais dos partidos pol&iacute;ticos. O &quot;Comparative Manifestos Project&quot; (CMP), sucessor de um projecto anterior chamado &quot;Manifesto Research Group&quot; (MRG), teve in&iacute;cio em 1980. Desde essa data, v&aacute;rios investigadores t&ecirc;m recolhido, codificado e analisado programas eleitorais de um conjunto de pa&iacute;ses desde 1945 aos dias de hoje. </p><p>A metodologia empregue no CMP passa pelo que os autores denominam a &quot;teoria da sali&ecirc;ncia&quot;. Parte-se do princ&iacute;pio que os partidos nos seus programas eleitorais d&atilde;o import&acirc;ncia aos temas que mais lhes interessam. O projecto determina os temas ex ante e o codificador atribui cada frase do programa a um tema. Somando o n&uacute;mero de vezes que um tema &eacute; discutido determinam-se quais as quest&otilde;es mais importantes para os partidos em dado pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, e porque muitos dos temas identificados s&atilde;o considerados ideol&oacute;gicos, tamb&eacute;m se pode extrair o posicionamento na escala esquerda-direita dos partidos.</p><p>A primeira caracter&iacute;stica a assinalar &eacute; que tanto em 2002 como em 2005 h&aacute; uma grande semelhan&ccedil;a nos temas que os partidos escolhem como salientes. Em 2002 e 2005, os temas mais salientes para o conjunto dos partidos s&atilde;o: a justi&ccedil;a social, a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os sociais, a expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, e a tecnologia e infraestrutura. De seguida, os temas mais salientes s&atilde;o: a protec&ccedil;&atilde;o ambiental, a efici&ecirc;ncia governativa, e a arte, o desporto a cultura e o lazer. Estes oito temas distinguem-se pela sua presen&ccedil;a quase constante nas duas elei&ccedil;&otilde;es e para o conjunto dos programas partid&aacute;rios. Destes oito, tr&ecirc;s s&atilde;o temas que o projecto CMP considera de esquerda, nomeadamente a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os sociais, da educa&ccedil;&atilde;o e a regula&ccedil;&atilde;o do capitalismo. Nenhum dos temas que o CMP considera de direita constam dos oito temas mais citados. </p><p>&Eacute; tamb&eacute;m de notar que a ordem pela qual estes temas s&atilde;o referidos pelos diferentes partidos diverge bastante de partido para partido o que sugere tamb&eacute;m diferen&ccedil;as no posicionamento dos partidos em rela&ccedil;&atilde;o aos mesmos. Ser&aacute; certamente um ponto de partida importante para a elabora&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio, que dever&aacute; incluir perguntas subordinadas a estes temas. </p><p>Destas tabelas tamb&eacute;m podemos real&ccedil;ar alguns temas que s&atilde;o desenvolvidos apenas por alguns partidos: Em 2005, o apoio aos sindicatos e &agrave;s nacionaliza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o temas salientes apenas para o BE e a CDU. Tanto em 2002 como em 2005, o PSD &eacute; o &uacute;nico partido a real&ccedil;ar os temas da ortodoxia econ&oacute;mica e da produtividade. O CDS &eacute; o partido que sistematicamente (2002 e 2005) introduz refer&ecirc;ncias positivas aos militares e &agrave; Lei e Ordem. S&atilde;o pistas para a identifica&ccedil;&atilde;o de perguntas que sirvam para distinguir os partidos uns dos outros.</p><p>Estudos recentes mostram que os partidos pol&iacute;ticos portugueses n&atilde;o tinham, segundo as percep&ccedil;&otilde;es do eleitorado, convergido ao centro nos trinta anos de democracia (Lobo, 2007). Mas tamb&eacute;m &eacute; certo que estes n&atilde;o s&atilde;o muito divergentes um do outro em perspectiva comparada (Lisi, 2007, Freire, 2006). As tabelas acima mostram que os partidos escolhem temas muito semelhantes para compor os seus programas pol&iacute;ticos. Al&eacute;m disso, alguns destes temas s&atilde;o posicionais sugerindo que haver&aacute;, em algumas quest&otilde;es semelhan&ccedil;as importantes entre os partidos pol&iacute;ticos. Mesmo assim, notamos que os partidos n&atilde;o ordenam os temas da mesma forma, um primeiro indicador das diferen&ccedil;as entre eles. Este &eacute; um indicador que existem diferen&ccedil;as, embora n&atilde;o sejam muito grandes.&nbsp; O trabalho da B&uacute;ssola Eleitoral ter&aacute; de passar por uma an&aacute;lise cuidada da forma como os partidos divergem, atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos programas mais recentes de 2005 para os temas identificados como mais salientes.</p><p>3) Inqu&eacute;ritos a peritos. Os inqu&eacute;ritos a peritos s&atilde;o outra grande linha de pesquisa no que diz respeito &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o sobre o posicionamento dos partidos pol&iacute;ticos. Do nosso ponto de vista, esta metodologia, al&eacute;m dos seus m&eacute;ritos absolutos, interessa-nos na medida em que 1) explicita as dimens&otilde;es em que os partidos pol&iacute;ticos se distinguem; 2) mostra, da perspectiva dos peritos quais s&atilde;o as dimens&otilde;es mais importantes para os partidos pol&iacute;ticos.</p><p>O livro pioneiro desta metodologia &eacute; o de Laver and Hunt (1992). Uma quest&atilde;o fundamental para estes estudos &eacute; a das dimens&otilde;es de an&aacute;lise. No caso do projecto CMP, o posicionamento dos partidos &eacute; multidimensional, tantos quantos os temas codificados. As dimens&otilde;es podem ser constitu&iacute;das a posteriori, atrav&eacute;s da agrega&ccedil;&atilde;o de certos temas &agrave; escolha (isso &eacute; feito formando uma escala esquerda-direita composta pela sali&ecirc;ncia dada a v&aacute;rios temas que a priori s&atilde;o definidos como sendo de esquerda ou de direita). </p><p>No caso dos estudos a peritos, existem alguns que s&atilde;o unidimensionais, isto &eacute; em que tal como nos inqu&eacute;ritos &agrave;s massas se pede aos peritos que coloquem os partidos numa escala esquerda-direita (ex.Castles e Mair (1984); casos em que s&atilde;o equacionadas duas dimens&otilde;es (Inglehart e Huber, 1995; e Marks e Steenbergen, 2004); e ainda um caso de multidimensionalidade (Laver e Benoit). </p><p>Da perspectiva da B&uacute;ssola Eleitoral, o recente livro de Benoit e Laver (2006) &eacute; particularmente interessante. Estes autores identificam um conjunto de pol&iacute;ticas relevantes- a que chamam dimens&otilde;es pol&iacute;ticas - um pouco na linha do CMP, sem as previamente subordinar a macro-dimens&otilde;es concretas. Posteriormente, com fazendo uma an&aacute;lise factorial os autores determinam quantas dimens&otilde;es macro existem em cada pa&iacute;s e quais as pol&iacute;ticas que comp&otilde;em essas dimens&otilde;es. Esta metodologia &eacute; interessante na medida em que permite 1) identificar temas relevantes para a competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria em Portugal e 2) compreender a forma como os partidos portugueses agregam estes temas se de forma unidimensional, bidimensional ou multidimensional.</p>
Parceria: 
Rede Internacional
Álvaro Esteves
Edalina Sanches
Coordenador 
Data Inicio: 
01/01/2009
Data Fim: 
01/12/2010
Duração: 
23 meses
Concluído