Órfãos do Império

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Este estudo traça a representação do órfão na literatura portuguesa contemporânea e revisita criticamente o fim do colonialismo português em África e as consequências da descolonização no tecido social português em termos de renegociação identitária. O órfão pressupõe a desestabilização da estrutura familiar tradicional; por isso, constitui uma resposta à retórica do Estado Novo que projetava no microcosmo familiar a alegada harmonia entre as diversas partes do império. Além disso, o órfão serve de metáfora para as ansiedades decorrentes da viagem de retorno. Por um lado, sublinha o processo de desterritorialização dos colonos-emigrantes, provando a impossibilidade de esta geração escapar a uma condição de orfandade, ora literal, ora metafórica, associada à perda de um paraíso prometido. Por outro, enfatiza o desenraizamento e a desorientação cultural dos descendentes dos colonos no espaço europeu, sentimentos exacerbados nas vivências dos descendentes mestiços. Consubstanciando-se como metáfora da revisão identitária subsequente à rutura histórica do fim do império, a figura literária do órfão permite refletir sobre questões de alteridade, pondo em evidência a conceção de uma identidade de natureza plural que não pode ser escamoteada. Órfãos do Império apresenta-se, assim, como um contributo para se repensar a sociedade portuguesa contemporânea, tendo em conta a iniludível fratura colonial de que todos somos produto.
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Prefácio Leonor Simas-Almeida |
p. 13 |
| Introdução | p. 17 |
| Capítulo 1 - A derrocada do império colonial: orfandades inevitáveis | p. 45 |
| Capítulo 2 - As ambivalências dos colonos-emigrantes | p. 85 |
| Capítulo 3 - As dores dos herdeiros brancos | p. 123 |
| Capítulo 4 - As dores dos herdeiros mestiços | p. 165 |
| Capítulo 5 - À procura de um olhar decolonial | p. 213 |
| Considerações finais | p. 249 |
| Bibliografia | p. 257 |
Patrícia Martinho Ferreira ensina na University of Massachusetts, Amherst. É licenciada em Estudos Portugueses (2005), mestre em Teoria e Análise da Narrativa (2009) pela Universidade de Coimbra, mestre em Ensino do Português como Língua Estrangeira (2012) pela Universidade do Porto e doutorada em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Brown University (2018). Os seus interesses e publicações focam-se nas literaturas e culturas do mundo lusófono.
Arrojado, lúcido e necessário, Órfãos do Império. Heranças Coloniais na Literatura Portuguesa Contemporânea é um estudo de charneira entre a crítica pós-colonial e a reconceptualização da literatura portuguesa contemporânea sob a égide de uma herança colonial e imperial que ainda hoje em dia assombra a sociedade portuguesa. Combinando leituras críticas de obras variadas, mas todas cruciais no seu registo da sociedade portuguesa, com um leque distinto, extenso e importante da mais atual teoria crítica, este estudo impõe-se pela sua originalidade, pelo seu forte contributo para os Estudos Portugueses e pelo diálogo internacional contínuo que estabelece com vertentes críticas ainda menos referidas em Portugal. De leitura obrigatória para todos os estudiosos da literatura contemporânea, este livro seminal e urgente constituirá um marco importante na crítica literária atual.
Paulo de Medeiros, University of Warwick, UK
Recensão de Vicente Valentim, J. (2022), Ferreira, Patricia Martinho. "Órfãos do Império: Heranças coloniais na literatura portuguesa contemporânea". Diacrítica, 35(3), 302-305. https://doi.org/10.21814/diacritica.755
Recensão de Miguel Martins. In Revista Colóquio/Letras. Recensões Críticas, n.º 209, Jan. 2022, pp. 265-267.
Recensão de Sérgio Guimarães de Sousa. In Jornal de Letras, Artes e Ideias, Ano XLI, n.º 1318, 7 a 20 de Abril 2021, p. 28.
Notícia em Jornal do Fundão, por Lúcia Reis ( 04-02-2021).


