Mulheres em Tempos Sombrios

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A oposição ao Estado Novo contou também com a participação das mulheres. Pode mesmo dizer-se que houve um protagonismo feminino singular, tanto na área das actividades humanitárias, pacifistas e feministas, como na acção mais explicitamente política. Através das histórias de vida de algumas mulheres das classes médias urbanas, a autora observa as circunstâncias em que aquelas despertaram para a política e iniciaram o seu envolvimento oposicionista, analisando também o modo como estas actividades e preocupações influenciaram a sua vida familiar e quotidiana.
Mulheres em Tempos Sombrios é uma obra pioneira sobre a resistência feminina ao salazarismo. Concentrando-se no período entre 1945 e o início das guerras coloniais, em 1961, este livro representa, contudo, um fresco analítico mais vasto, que vai desde a emergência do feminismo republicano às organizações de mulheres do Estado Novo e ao papel das mulheres na resistência antifascista, fundamentalmente associada ao Partido Comunista Português e à chamada «oposição democrática». Deve--se, aliás, ao PCP e à mobilização política de mulheres associadas aos grupos sociais populares a sua integração organizativa e associativa na luta contra a ditadura. Mas a inovação do estudo de Vanda Gorjão é a de ter mobilizado «histórias de vida» de um grupo significativo de mulheres ativistas, permitindo ilustrar o seu percurso social, político e ideológico. Esta dimensão é central para a análise da relação entre a agenda política antifascista e democrática e a agenda feminista, sempre presente ao longo da obra, e que marca a evolução destas ativistas da classe média, socializadas em ambientes familiares republicanos e antifascistas, que vão ser a espinha dorsal de um ativismo que mescla a componente republicana liberal-democrática com a comunista. O livro de Vanda Gorjão, pela sua inovação analítica e riqueza empírica, tem um lugar cimeiro no ciclo de estudos sobre a participação de mulheres, quer nas organizações e instituições durante a ditadura, quer no seu papel na resistência ao Estado Novo.
António Costa Pinto, ICS-Ulisboa
| Índice de imagens | 11 |
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António Costa Pinto |
p.19 |
| Nota à segunda edição | p. 23 |
| Prólogo à primeira edição | p. 25 |
| Introdução |
p.29 |
| Capítulo I - A infância. As famílias de origem. Socialização política | p.39 |
| Capítulo II - Dinastias políticas. Adolescência e juventude. A escola | p.79 |
| Capítulo III - A politização na vida adulta. Inserção profissional. Novas dinastias políticas | p.125 |
| Capítulo IV - Oposição feminina ao estado novo (I). O conselho nacional das mulheres portuguesas e a associação feminina portuguesa para a paz | p.189 |
| Capítulo V - Oposição feminina ao estado novo (II). Mulheres nos grupos oposicionistas unitários e «comissões femininas» | p.229 |
| Capítulo VI - As prisões políticas. Exercício activo da cidadania. Perfis de mulheres políticas | p.283 |
| Conclusão Oposição feminina ao estado novo: ser-se, sobretudo, «antifascista» |
p.337 |
| Bibliografia e fontes | p.347 |
| Anexos | p.359 |
| ´Índice Remissivo | p. 417 |
Vanda Gorjão, socióloga, é professora auxiliar convidada no Departamento de Artes Visuais e Design (DAVD), Escola de Artes da Universidade de Évora e no Departamento de Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Investigadora em Estudos de Género, Teorias Feministas, Sociologia Política e Ciência Política, Sociologia da Arte e Teorias da Arte. Integra o Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA, Évora) e o IN2PAST – Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território. Concluiu o doutoramento sobre as primeiras deputadas na Assembleia da República (1975-1987). Foi investigadora corresponsável do projeto «Mulheres e associativismo em Portugal, 1914-1974», PTDC/HAR-HIS/29376/2017, desenvolvido no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que deu lugar em 2022 à publicação Mulheres e Associativismo em Portugal, 1914-1974 (Imprensa de Ciências Sociais).


