Colonizar a Metrópole

Colonizar a Metrópole
Estado, ciência e técnicas de colonização interna durante o Estado Novo
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-815-4
Idioma: 
Português
Ano da primeira edição: 
2025
Data de publicação: 
2025/Fev
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
475
Coleção: 
Coleção Estudos
Formato: 
Capa Mole
22,00 €19,80 €

A colonização interna foi uma imaginação recorrente no Portugal moderno. Colonizar os baldios de Trás-os-Montes ou os «incultos» dos latifúndios alentejanos foi uma preocupação de diversos  intelectuais, políticos e engenheiros desde Oliveira Martins até aos anos 1960. Durante o Estado Novo, a expropriação dos latifúndios do Sul esteve no centro de intensos debates políticos, que equacionavam as vantagens de dividir por pequenos proprietários um Alentejo regado por novas barragens.  Entretanto, a Junta de Colonização Interna (1936-1975) foi promovendo uma ordem rural através da multiplicação de explorações agrícolas familiares. Um dos resultados maiores destas iniciativas de ocupação agrícola do solo e povoamento rural foi a construção de sete colónias agrícolas, utopias rurais criadas através de saberes e técnicas científicas.

Este livro observa de forma caleidoscópica o fenómeno colonizador, nas suas articulações entre o reformismo agrário, o nacionalismo económico, a política hidráulica, o desemprego rural e o desenvolvimentismo do pós-Segunda Guerra Mundial. A partir de um conjunto alargado de fontes legislativas, administrativas, científicas e historiográficas, analisadas através de uma abordagem foucaultiana das relações de poder, a autora problematiza de que forma a colonização interna foi uma tecnologia de governo da população e de fabricação do território produtivo.

Índice

 
Introdução 15
PARTE I  
Capítulo 1  

Novo Estado? 
Entrar no Estado para pensar o regime 
Das doutrinas às técnicas colonizadoras 

51
56
60

Capítulo 2  

O território: colonizar através da água 
Nacionalismos da terra 
A água ao serviço da nação 
«Naturalmente» colonizar: a visão de Salazar 
O que é a função social da propriedade? 
Entre Espanha e Itália 
Um plano hidráulico 
Uma nação de pequenos proprietários 

65
67
74
80
85
90
97
101

Capítulo 3  
A população: como gerir a economia? 
O que fazer do «excedente de vidas»? 
O espectro do desemprego rural 
Água a correr sem gente 
Idanha, um projecto de colonização social 

109
110
118
124
129

Capítulo 4  
«Encarar o problema da terra com a grei»: A Junta de Colonização Interna 
Como assim, colonização interna? 
As modalidades da colonização: os casais agrícolas 
Colonizar as «terras de todos» 
Colonização cirúrgica: os melhoramentos agrícolas 
Colonização hidráulica 
Colonizar as terras secas do Sul 
«Pequena falange da grei agronómica» 
147
148
156
162
171
174
178
186
Capítulo 5  
«Ajudar a nação a crescer dentro de si mesma»: colonizar o Alentejo 
A «questão do Alentejo» e o I Plano de Fomento 
Os americanos entre Portugal e a Itália 
«Bom e abundante viveiro de colonos»: a colonização ultramarina 
«Uma ruralidade biológica moralmente fecunda»: a fabricação da lei de 1954 
«Mais interessa criar Homens do que apenas produzir subsistências»: o catolicismo social colonizador 

195
197
208
215
228
238

Capítulo 6  

A colonização do desenvolvimentismo rural 
A «psicose alentejana» e o Estado que a pensa 
O grand finale de uma longa epopeia (1959-1962) 
Guerra Fria no Alentejo 
251
253
264
280
PARTE II  
Capítulo 7  
Colonizar com colónias agrícolas 
Que colónia?
Começar a colonizar 
A colonização de Estado entre regimes 
A colónia agrícola dos Milagres 
Colonizar a fronteira: a colónia agrícola de Martim Rei 

293
297
301
301
308
322

Capítulo 8  
Civilizar os baldios 
Quadrazais, a colonização que não foi 
Colónias agrícolas do Barroso 
Colónia agrícola do Alvão 
Colónia agrícola da Boalhosa 
337
341
345
358
365
Capítulo 9  
Colónias exemplares 
Colónia agrícola de Pegões 
Colónia agrícola da Gafanha 
375
375
393
Conclusões
Bibliografia 
Índice remissivo 
Agradecimentos
 

405
429
465
473

 

 

 

Elisa Lopes da Silva é historiadora no Instituto de História Contemporânea (FCSH NOVA Universidade de Lisboa/In2Past), no qual coordena o grupo de investigação Economia e Sociedade. Tem-se dedicado à história do Estado moderno, às relações entre agricultura, política e trabalho, em especial durante o Estado Novo, e a debates no âmbito da teoria da história. Participou em investigações colaborativas de ciência cidadã no contexto do projecto europeu COESO – Collaborative Engagement on Social Issues. Desde 2023, está a fazer uma história crítica do desemprego em Portugal durante o século XX. Editou o número especial «Polémicas da História: debates historiográficos e espaço público», na revista Práticas da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, da qual é co-fundadora e membro da conselho editorial. É também membro do conselho editorial da Imprensa de História Contemporânea (IHC). O livro Colonizar a Metrópole. Estado, Ciência e Técnicas de Colonização Interna durante o Estado Novo resulta de uma edição revista da sua tese de doutoramento, defendida em 2020 no Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa.