Colonizar a Metrópole

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A colonização interna foi uma imaginação recorrente no Portugal moderno. Colonizar os baldios de Trás-os-Montes ou os «incultos» dos latifúndios alentejanos foi uma preocupação de diversos intelectuais, políticos e engenheiros desde Oliveira Martins até aos anos 1960. Durante o Estado Novo, a expropriação dos latifúndios do Sul esteve no centro de intensos debates políticos, que equacionavam as vantagens de dividir por pequenos proprietários um Alentejo regado por novas barragens. Entretanto, a Junta de Colonização Interna (1936-1975) foi promovendo uma ordem rural através da multiplicação de explorações agrícolas familiares. Um dos resultados maiores destas iniciativas de ocupação agrícola do solo e povoamento rural foi a construção de sete colónias agrícolas, utopias rurais criadas através de saberes e técnicas científicas.
Este livro observa de forma caleidoscópica o fenómeno colonizador, nas suas articulações entre o reformismo agrário, o nacionalismo económico, a política hidráulica, o desemprego rural e o desenvolvimentismo do pós-Segunda Guerra Mundial. A partir de um conjunto alargado de fontes legislativas, administrativas, científicas e historiográficas, analisadas através de uma abordagem foucaultiana das relações de poder, a autora problematiza de que forma a colonização interna foi uma tecnologia de governo da população e de fabricação do território produtivo.
Índice |
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| Introdução | 15 |
| PARTE I | |
| Capítulo 1 | |
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Novo Estado? |
51 |
| Capítulo 2 | |
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O território: colonizar através da água |
65 |
| Capítulo 3 | |
| A população: como gerir a economia? O que fazer do «excedente de vidas»? O espectro do desemprego rural Água a correr sem gente Idanha, um projecto de colonização social |
109 |
| Capítulo 4 | |
| «Encarar o problema da terra com a grei»: A Junta de Colonização Interna Como assim, colonização interna? As modalidades da colonização: os casais agrícolas Colonizar as «terras de todos» Colonização cirúrgica: os melhoramentos agrícolas Colonização hidráulica Colonizar as terras secas do Sul «Pequena falange da grei agronómica» |
147 148 156 162 171 174 178 186 |
| Capítulo 5 | |
| «Ajudar a nação a crescer dentro de si mesma»: colonizar o Alentejo A «questão do Alentejo» e o I Plano de Fomento Os americanos entre Portugal e a Itália «Bom e abundante viveiro de colonos»: a colonização ultramarina «Uma ruralidade biológica moralmente fecunda»: a fabricação da lei de 1954 «Mais interessa criar Homens do que apenas produzir subsistências»: o catolicismo social colonizador |
195 |
| Capítulo 6 | |
A colonização do desenvolvimentismo rural A «psicose alentejana» e o Estado que a pensa O grand finale de uma longa epopeia (1959-1962) Guerra Fria no Alentejo |
251 253 264 280 |
| PARTE II | |
| Capítulo 7 | |
| Colonizar com colónias agrícolas Que colónia? Começar a colonizar A colonização de Estado entre regimes A colónia agrícola dos Milagres Colonizar a fronteira: a colónia agrícola de Martim Rei |
293 |
| Capítulo 8 | |
| Civilizar os baldios Quadrazais, a colonização que não foi Colónias agrícolas do Barroso Colónia agrícola do Alvão Colónia agrícola da Boalhosa |
337 341 345 358 365 |
| Capítulo 9 | |
| Colónias exemplares Colónia agrícola de Pegões Colónia agrícola da Gafanha |
375 375 393 |
| Conclusões Bibliografia Índice remissivo Agradecimentos |
405 |
Elisa Lopes da Silva é historiadora no Instituto de História Contemporânea (FCSH NOVA Universidade de Lisboa/In2Past), no qual coordena o grupo de investigação Economia e Sociedade. Tem-se dedicado à história do Estado moderno, às relações entre agricultura, política e trabalho, em especial durante o Estado Novo, e a debates no âmbito da teoria da história. Participou em investigações colaborativas de ciência cidadã no contexto do projecto europeu COESO – Collaborative Engagement on Social Issues. Desde 2023, está a fazer uma história crítica do desemprego em Portugal durante o século XX. Editou o número especial «Polémicas da História: debates historiográficos e espaço público», na revista Práticas da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, da qual é co-fundadora e membro da conselho editorial. É também membro do conselho editorial da Imprensa de História Contemporânea (IHC). O livro Colonizar a Metrópole. Estado, Ciência e Técnicas de Colonização Interna durante o Estado Novo resulta de uma edição revista da sua tese de doutoramento, defendida em 2020 no Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa.


