Mulheres e Associativismo em Portugal, 1914-1974

Mulheres e Associativismo em Portugal, 1914-1974
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-712-6
Idioma: 
Português
Ano da primeira edição: 
2022
Data de publicação: 
2022/Dez
Dimensão: 
15x23
Nº Páginas: 
322
Formato: 
Capa Mole
20,00 €18,00 €

Este livro inscreve o estudo do associativismo feminino numa história de longa duração que cobre seis décadas. Obra de história das mulheres, sem esquecer as histórias de vida nem a abordagem biográfica, é também um contributo primordial para a história política de Portugal no século xx, focando aspetos como as relações entre a sociedade civil, as elites políticas e os regimes em vigor, a participação nas duas guerras mundiais, a política colonial, as formas de adesão ou de resistência à ditadura, o lugar das mulheres e das questões que lhes estão ligadas nas aspirações democráticas e na oposição ao Estado Novo.

Para as mulheres que só tardiamente obtiveram direitos políticos, como aconteceu em Portugal, o associativismo desempenhou um papel relevante na sua politização, ao permitir-lhes participar na vida pública, na assunção de responsabilidades e na tomada de consciência delas próprias e das suas capacidades.

Os contornos móveis da articulação entre feminismo, pacifismo, antifascismo, socialismo e anticolonialismo são, aliás, uma das chaves de leitura da história de várias organizações de mulheres e são objeto de debate historiográfico neste livro, que conjuga as abordagens e os métodos de duas disciplinas: a história, sensível aos contextos e às mutações, e a sociologia, mais preocupada em construir modelos ou com a análise quantitativa e gráfica das redes.

Françoise Thébaud, Université d’Avignon

 

Índice

Introdução

Anne Cova, Vanda Gorjão, Ana Isabel Freire, Ana Costa Lopes e Natividade Monteiro

25
Parte I  
ASSOCIAÇÕES FUNDADAS ENTRE 1914-1919  

Capítulo 1

Mulheres e associativismo: algumas agremiações federadas no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947)

Anne Cova, João Esteves e Ana Isabel Freire

47

Capítulo 2

Análise exploratória de redes e perfis das dirigentes do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947)

Raquel Rego, Anne Cova, João Esteves e Ana Isabel Freire

83

Capítulo 3

O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: uma organização feminista (1914-1947)

Célia Costa

107

Capítulo 4

As associações de mulheres fundadas durante a Primeira Guerra Mundial

Natividade Monteiro

127

Capítulo 5

A Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas desde 1919

Ana Costa Lopes

175

Parte II

ASSOCIAÇÕES DE OPOSIÇÃO AO ESTADO NOVO CRIADAS ENTRE 1935 E 1973

Capítulo 6

A Associação Feminina Portuguesa para a Paz: da luta pela paz e da «dignificação da condição feminina» ao combate antifascista (1935-1952)

João Esteves

201

Capítulo 7

As organizações de mulheres nos movimentos de oposição ao Estado Novo (1945-1973)

Vanda Gorjão

231

Parte III

ASSOCIAÇÕES NASCIDAS NA DÉCADA DE 1960 E EM ATIVIDADE NO 25 DE ABRIL 1974

Capítulo 8

O Movimento Nacional Feminino: milhares de mulheres na retaguarda da guerra colonial (1961-1974)

Sílvia Espírito-Santo

269

Capítulo 9

A militância antifascista e a luta pelos direitos das mulheres na história do Movimento Democrático de Mulheres: retalhos de histórias de vida (1968-1974)

Manuela Tavares

295

Nota final

Françoise Thébaud

317

 

 

 

 

Anne Cova é historiadora e investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa). Foi investigadora responsável do projeto «Mulheres e associativismo em Portugal, 1914-1974», PTDC/HAR-HIS/29376/2017, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A sua área de investigação incide sobre a história comparada e transnacional das mulheres e do género no século xx, encontrando-se a realizar um estudo de várias associações de mulheres intituladas «conselhos nacionais das mulheres» na Europa do Sul e na América Latina, 1900-1945.

Vanda Gorjão, socióloga, é desde 2006 professora no Departamento de Artes Visuais e Design (DAVD), Escola de Artes da Universidade de Évora. Integra o Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora. Concluiu o mestrado sobre a oposição feminina ao Estado Novo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e o doutoramento sobre as primeiras deputadas na Assembleia da República (1975-1987). Foi investigadora co-responsável do projeto «Mulheres e associativismo em Portugal, 1914-1974», PTDC/HAR-HIS/29376/2017, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Isabel Freire doutorada em sociologia pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa). Tem trabalhado sobre a história da sexualidade e a história das mulheres no
século xx. Entre abril de 2019 e março de 2022 foi investigadora auxiliar do ICS-ULisboa, integrando o projeto «Mulheres e associativismo em Portugal, 1914-1974», PTDC/HAR-HIS/29376/2017,
financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).Trabalhou como jornalista entre 1999 e 2012 (Expresso, Público, Diário de Notícias, Grande Reportagem e Visão), investigando preferencialmente a sexualidade e o género. É autora de Amor e Sexo no Tempo de Salazar (Esfera dos Livros, 2010); de Fantasias Eróticas – Segredos das Mulheres Portuguesas (Esfera dos Livros, 2007); e de Damas d’Ama (2003), texto dramático sobre gravidez na adolescência em comunidades afro-descendentes da Grande Lisboa. É co-autora e jornalista do documentário Enxoval (Prémio Melhor Filme Português sobre Arte 2013, Festival Temps d’Images).

Ana Costa Lopes  é professora auxiliar convidada na FCH da Universidade Católica é ainda investigadora do CEPCEP (Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão) e do CECC desta Universidade. É membro do Conselho Científico do CEPCEP e membro do conselho editorial da revista eletrónica Gaudium Sciendi (Sociedade Científica). Foi também docente nas Universidades de Lisboa e Macau. Publicou a tese de mestrado em Estudos Luso-Asiáticos, Lisboa, Macau, 2000. A tese de doutoramento, Imagens da Mulher nos Periódicos Portugueses de 1820 a 1890. Percursos da Modernidade foi publicada pela Quimera em 2005. Tem diversas outras publicações científicas.

Natividade Monteiro licenciada em história e mestre em estudos sobre as mulheres com a dissertação «Maria Veleda (1871-1955): uma professora feminista, republicana e livre-pensadora: caminhos trilhados pelo direito de cidadania», publicada sob o mesmo título (Gente Singular, 2012). Investigadora integrada em História, Territórios e Comunidades da Universidade Nova, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (HTC-NOVA FCSH). Defendeu, em Novembro de 2022, a tese de doutoramento sobre «A mobilização das mulheres portuguesas durante a Grande Guerra (1914-1918)». Tem publicado livros e artigos sobre a história das mulheres, os estudos feministas e de género, com destaque para as associações femininas e feministas na Primeira República.