Lazer e Colonialismo em Luanda

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Em Angola, entre finais dos anos 1950 e a independência em 1975, o automóvel e a música conquistaram lugares centrais no quotidiano urbano. Símbolos da modernidade da cidade colonial, estes dois universos foram, simultaneamente, espaços de sociabilidade, arenas de conflito, fluxos de desejos e instrumentos de poder.
Este livro analisa a forma como, em Luanda, a cultura automóvel e a cultura musical (do pop-rock ao semba) mobilizaram práticas, imaginários e dinâmicas sociais, culturais e políticas, ao mesmo tempo que eram vigiadas e reprimidas pelas autoridades. Numa cidade marcada por uma forte exclusão racial e social, o autor mostra como o Estado Novo e as instituições sob a sua alçada procuraram controlar estas formas de lazer e apropriar-se da sua popularidade para fins políticos. Evidencia também o modo como, nesse mesmo processo, pilotos, músicos e populações locais – da periferia ao centro – encontravam modos de adaptação, distanciamento ou subversão face ao programa lusotropicalista.
Mais do que uma história sobre carros e música, esta obra revela como o lazer em Luanda – e também na diáspora africana de Lisboa, Paris e Roterdão – se tornou palco de sociabilidades e de resistências translocais, desvendando transformações sociais ainda pouco estudadas e, notadamente, a sua articulação com disputas políticas (anti-)imperialistas de alcance global.
Índice |
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| Índice de figuras, mapas e tabelas |
7
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| Prefácio Nuno Domingos |
15
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| Agradecimentos |
21
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| Prelúdio |
25
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| Introdução | 29 |
| Itinerários e perspetivas sobre histórias de lazer na Luanda colonial | 29 |
| Colonialismo (deveras) tardio | 34 |
| O dilema da memória. Morra o colonialismo! Vida longa ao lusotropicalismo! | 38 |
| Lazeres coloniais em África | 42 |
| Dos carros de corridas e da música | 47 |
| Tensões interpretativas numa história do lazer | 56 |
| O método | 58 |
| Sumário das matérias | 68 |
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PARTE I |
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Capítulo 1
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75
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| Colonialismo em Angola Loanda/Luanda |
78
110 |
Capítulo 2
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139
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| Do lazer informal: kussunguila, kutonokas e outros convívios Desporto em Luanda |
140
146
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Capítulo 3
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163
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| Introdução | 163 |
| A estrada, para o automóvel. O progresso, para quem? | 165 |
| Arqueologia do poder na primeira fase do automobilismo angolano (1957-1965) | 167 |
| Na rota do automobilismo internacional: a economia política dos grandes eventos (1966-1975) | 172 |
| Das escuderias aos pilotos – a sobrevivência do sportsman entre operários, funcionários e empresários | 179 |
| Cosmopolitismo, lazeres e sociabilidades dos pilotos | 189 |
| Considerações finais | 196 |
Capítulo 4
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201
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| Introdução | 202 |
| O automóvel através das artes: pensamentos e prosopopeia | 209 |
| Literatura da fuga | 211 |
| Do carro como fuga e escape | 212 |
| Do carro como distinção racial e social | 218 |
| Perseguições e heróis do cinema | 222 |
| Música e carros – o começo de uma relação duradoura | 228 |
| A imprensa angolana e os valores simbólico e fetichista do automóvel | 232 |
| Discriminações e reconfigurações de género no mundo automóvel | 237 |
| Considerações finais | 240 |
Capítulo 5
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245
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| Introdução | 245 |
| Memória, representação dos estilos, popularidade e formas de discriminação | 250 |
| Mercado, Estado e diversão musical – estratificação dos espaços e implosão das dicotomias | 255 |
| Considerações finais | 276 |
Capítulo 6
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279
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| Introdução | 279 |
| A cidade e os músicos – cultura musical e sociogénese | 284 |
| Vivendo na boca do lobo – o pop rock e o semba no radar da censura | 295 |
| Considerações finais | 311 |
Capítulo 7
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315
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| Introdução | 315 |
| Tricontinentalismo, anticolonialismo e cultura popular nos longos anos 60 | 320 |
| Música de contestação em Portugal – uma história eurocêntrica da revolução | 323 |
| Anos 60 globais | 331 |
| Música no crepúsculo do império – «se um Salazar incomodava muita gente, um Caetano incomoda muito mais» | 353 |
| Sociabilidades dos músicos angolanos na diáspora. Lazeres e a sociabilização dos músicos angolanos em Lisboa, c. 1954-1965 | 358 |
| Lazeres e a sociabilização dos músicos angolanos em Lisboa, c. 1965-1975 | 365 |
| A diáspora angolana e a consagração do semba | 368 |
| Considerações finais | 407 |
| Conclusão |
413
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| Anexo I Lista de entrevistados |
419
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| Fontes e bibliografia |
423
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Pedro David Gomes é sociólogo e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA). Tem desenvolvido trabalho sobre as relações entre cultura popular – especialmente música e desporto – e política na história colonial e pós-colonial de Angola, com especial interesse sobre as suas conexões transnacionais.
É autor de publicações sobre a história do desporto em Angola e em Portugal, bem como sobre a música angolana nos dois países, além de estudos sobre a emigração irregular portuguesa. Participou em vários projetos de investigação financiados pela FCT, entre os quais Cultura Popular e Império: As lutas pela conquista do consumo cultural em Portugal e nas suas colónias (ICS-UL). Integra ainda o conselho editorial da revista Leisure Studies.


