Lazer e Colonialismo em Luanda

Lazer e Colonialismo em Luanda
Sociabilidades e resistências translocais numa história sobre música e automóveis
Autor(es): 
Categoria: 
ISBN: 
9789726718345
Idioma: 
Português
Ano da primeira edição: 
2025
Data de publicação: 
2025/Nov
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
461
Coleção: 
Coleção Estudos
Formato: 
Capa Mole
22,00 €19,80 €

Em Angola, entre finais dos anos 1950 e a independência em 1975, o automóvel e a música conquistaram lugares centrais no quotidiano urbano. Símbolos da modernidade da cidade colonial, estes dois universos foram, simultaneamente, espaços de sociabilidade, arenas de conflito, fluxos de desejos e instrumentos de poder.

Este livro analisa a forma como, em Luanda, a cultura automóvel e a cultura musical (do pop-rock ao semba) mobilizaram práticas, imaginários e dinâmicas sociais, culturais e políticas, ao mesmo tempo que eram vigiadas e reprimidas pelas autoridades. Numa cidade marcada por uma forte exclusão racial e social, o autor mostra como o Estado Novo e as instituições sob a sua alçada procuraram controlar estas formas de lazer e apropriar-se da sua popularidade para fins políticos. Evidencia também o modo como, nesse mesmo processo, pilotos, músicos e populações locais – da periferia ao centro – encontravam modos de adaptação, distanciamento ou subversão face ao programa lusotropicalista.

Mais do que uma história sobre carros e música, esta obra revela como o lazer em Luanda – e também na diáspora africana de Lisboa, Paris e Roterdão – se tornou palco de sociabilidades e de resistências translocais, desvendando transformações sociais ainda pouco estudadas e, notadamente, a sua articulação com disputas políticas (anti-)imperialistas de alcance global.

Índice

 
Índice de figuras, mapas e tabelas
7
Prefácio
Nuno Domingos
15
Agradecimentos
21
Prelúdio
25
Introdução 29
Itinerários e perspetivas sobre histórias de lazer na Luanda colonial  29
Colonialismo (deveras) tardio  34
O dilema da memória. Morra o colonialismo! Vida longa ao lusotropicalismo!  38
Lazeres coloniais em África  42
Dos carros de corridas e da música  47
Tensões interpretativas numa história do lazer  56
O método  58
Sumário das matérias 68

PARTE I
IMPÉRIO E CIDADE COLONIAL

 

Capítulo 1 
Império e cidade colonial 

75
Colonialismo em Angola 
Loanda/Luanda
78
110

Capítulo 2 
Lazer e desporto na Luanda colonial – breve retrospetiva 

139
Do lazer informal: kussunguila, kutonokas e outros convívios 
Desporto em Luanda
140
146

Capítulo 3 
Colonialismo, classe e nação na história do automobilismo angolano (1957-1975) 

163
Introdução  163
A estrada, para o automóvel. O progresso, para quem?  165
Arqueologia do poder na primeira fase do automobilismo angolano (1957-1965)  167
Na rota do automobilismo internacional: a economia política dos grandes eventos (1966-1975)  172
Das escuderias aos pilotos – a sobrevivência do sportsman entre operários, funcionários e empresários  179
Cosmopolitismo, lazeres e sociabilidades dos pilotos  189
Considerações finais  196

Capítulo 4 
Impérios, cultura popular e o automóvel: de Hollywood a Luanda 

201
Introdução  202
O automóvel através das artes: pensamentos e prosopopeia  209
Literatura da fuga  211
Do carro como fuga e escape  212
Do carro como distinção racial e social  218
Perseguições e heróis do cinema  222
Música e carros – o começo de uma relação duradoura  228
A imprensa angolana e os valores simbólico e fetichista do automóvel  232
Discriminações e reconfigurações de género no mundo automóvel  237
Considerações finais 240

Capítulo 5 
«Folclore» e «ritmos modernos» – classe, raça e nação na história da música urbana de Luanda 

245
Introdução  245
Memória, representação dos estilos, popularidade e formas de discriminação  250
Mercado, Estado e diversão musical – estratificação dos espaços e implosão das dicotomias 255
Considerações finais 276

Capítulo 6 
Rock e semba, poder e contrapoder – a infrapolítica dos ritmos populares em Luanda 

279
Introdução  279
A cidade e os músicos – cultura musical e sociogénese  284
Vivendo na boca do lobo – o pop rock e o semba no radar da censura 295
Considerações finais  311

Capítulo 7 
Os músicos angolanos na Europa e o espírito do tricontinentalismo – uma história transnacional da consagração do semba

315
Introdução  315
Tricontinentalismo, anticolonialismo e cultura popular nos longos anos 60  320
Música de contestação em Portugal – uma história eurocêntrica da revolução  323
Anos 60 globais  331
Música no crepúsculo do império – «se um Salazar incomodava muita gente, um Caetano incomoda muito mais» 353
Sociabilidades dos músicos angolanos na diáspora. Lazeres e a sociabilização dos músicos angolanos em Lisboa, c. 1954-1965  358
Lazeres e a sociabilização dos músicos angolanos em Lisboa, c. 1965-1975 365
A diáspora angolana e a consagração do semba  368
Considerações finais  407
Conclusão
413
Anexo I Lista de entrevistados
419
Fontes e bibliografia 
423

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pedro David Gomes é sociólogo e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA). Tem desenvolvido trabalho sobre as relações entre cultura popular – especialmente música e desporto – e política na história colonial e pós-colonial de Angola, com especial interesse sobre as suas conexões transnacionais.

É autor de publicações sobre a história do desporto em Angola e em Portugal, bem como sobre a música angolana nos dois países, além de estudos sobre a emigração irregular portuguesa. Participou em vários projetos de investigação financiados pela FCT, entre os quais Cultura Popular e Império: As lutas pela conquista do consumo cultural em Portugal e nas suas colónias (ICS-UL). Integra ainda o conselho editorial da revista Leisure Studies.

 

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