Missões, Museus e Antropologia

Missões, Museus e Antropologia
Colecções coloniais de Angola da Congregação do Espírito Santo
Autor(es): 
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-821-5
Idioma: 
Português
Ano da primeira edição: 
2025
Data de publicação: 
2025/Maio
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
382
Coleção: 
Coleção Estudos
Formato: 
Capa Mole
20,00 €18,00 €

Este livro explora as relações entre missionação católica, colonialismo, museus e antropologia através da história de duas colecções reunidas pelos missionários da Congregação do Espírito Santo em Angola. A trajetória destas colecções desenrola-se desde a segunda década do século XX até ao início do período pós-colonial, quando ingressaram no que são hoje o Museu Nacional de Etnologia (Lisboa) e a secção de antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. O livro investiga o papel dos missionários na sua circulação entre Angola e Portugal, envolvendo também o Vaticano e a França, em resultado do carácter transimperial das redes missionárias católicas.

Observadas à escala da colecção, e não da biografia de objectos específicos, as práticas espiritanas de obtenção e disseminação de elementos culturais angolanos variaram ao longo do tempo. Estas variações devem-se, entre outras razões, a mudanças nas formas de pensar a missão (visíveis nas exposições vaticanas de 1925 e 1950), nos propósitos dos museus criados pelos espiritanos em Portugal ou nas relações entre missões e administração colonial.

Seguindo as trajectórias das colecções, o livro mostra como estas foram revalorizadas quando saíram do meio missionário e entraram no meio antropológico, contribuindo para a institucionalização e consolidação da museologia antropológica em Portugal, no período colonial tardio e depois no período pós-colonial.

 

 

 

Índice  
Índice de figuras, quadros e mapas 11
Prefácio: A opacidade histórica das coleções etnográficas   
Ricardo Roque
13
Abreviaturas    17
Nota prévia e agradecimentos   19
Introdução    23
Missões católicas, conhecimento e colonialismo 25
Práticas missionárias de destruição, colecção, exposição e musealização    30
Etnografia missionária em Angola e história da antropologia em Portugal   35
A missão espiritana na Angola colonial  37
O estudo das colecções missionárias  40
Estrutura do livro  45
PARTE I
DINÂMICAS MISSIONÁRIAS DE EXPOSIÇÃO E MUSEALIZAÇÃO
 
Capítulo 1  

Exposições e políticas missionárias católicas na primeira metade do século xx
A modernização d’«essa grande e santíssima missão»  
A Esposizione Missionaria Vaticana (1925)   
A exposição missionária de Barcelos (1931)
Da reforma da arte cristã à Mostra Internazionale dell’Arte Sacra e Arte Missionaria (Roma,1950)
A Exposição de Arte Sacra Missionária (Lisboa, 1951)

Conclusão

49
50
52
68
76
81
90
Capítulo 2  
Formação e propaganda: os museus nos seminários de Viana do Castelo e Braga
A formação missionária católica  
Nos seminários da Congregação do Espírito Santo em Portugal
Os primeiros museus missionários   
Conclusão
93
96
103
117
128  
Capítulo 3  
Aproximações etnológicas, distanciamento missionário: o museu da Torre d’Aguilha
Um museu no novo «grande centro de estudos superiores missionários coloniais»
Da Lunda para a Aguilha: a inventariação do acervo missionário   
O nome e o espaço do museu    
Um museu para quem e para quê?   
Conclusão    

131
132
138
151
170
173

PARTE II
ETNOGRAFIA E MISSÃO NA ANGOLA COLONIAL
 
Capítulo 4  
A Igreja Católica e a etnografia colonial e missionária em Angola nas primeiras décadas do século xx
O museu etnográfico do bispado de Angola e Congo
O «soba dos padres»: as recolhas e etnografias do bispo Lima Vidal
Os projectos etnográficos e museais do governo colonial
O desfecho do museu do bispado e os «costumes indígenas» nos relatórios das missões
Conclusão
179
180
186
193
204
220
Capítulo 5  
A revelação missionária de um objecto etnográfico: as tampas de panela proverbiais de Cabinda
A revelação missionária de um objecto etnográfico   
Etnografia e missão através da fronteira: Joaquim Martins e Joseph Troesch no Lucula
Um «clube internacional de etnólogos»  
«Hieróglifos?» Lendo os objectos 
Um novo membro do clube: José Martins Vaz
Práticas missionárias de recolha   
Tampas, etnografia e missão: a questão da língua e da família
Conclusão

223
224
227
232
234
238
242
248
253

PARTE III
COLECÇÕES MISSIONÁRIAS E MUSEUS ANTROPOLÓGICOS
 
Capítulo 6  
Missionários, etnólogos e a questão colonial na história do Museu Nacional de Etnologia 
Para uma história do Museu Nacional de Etnologia  
Um museu singular para um império singular: o projecto político e científico do Museu de Etnologia do Ultramar
As colecções africanas do museu e a questão da «arte negra»
À procura de objectos «autênticos»: os etnólogos no museu missionário 
O estudo da colecção «Seminário das Missões do Espírito Santo»
Conclusão  

257
258
266
277
282
289
304

Capítulo 7  
Missionários, antropólogos e a transição para o pós-colonial
na história da secção antropológica do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra   
O Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra: do colonial ao pós-colonial
Um «amplo Museu de Etnografia do Ultramar» em Coimbra  
O surgimento de uma reflexão pós-colonial sobre as colecções «ultramarinas»
A missão de salvaguardar o património africano em Portugal: os antropólogos no museu missionário 
O estudo da colecção «Missionários do Espírito Santo» 
Tampas de panela de Cabinda: um posfácio
Conclusão 

307
308
310
316
319
327
335
340

Observações finais 343
Fontes e bibliografia 353
Índice remissivo 379

 

Ana Rita Amaral é antropóloga e desenvolve o seu trabalho na intersecção entre a antropologia e a história, os estudos da cultura material e dos museus, e os estudos religiosos, com enfoque na região da actual Angola. É investigadora na Universidade de Utrecht, Países Baixos, onde integra o projeto Pressing Matter: Ownership, Value, and the Question of Colonial Heritage in Museums. Anteriormente trabalhou sobre as colecções etnográficas do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2011) e foi investigadora no International Studies Group da Universidade do Estado Livre, África do Sul (2018-2022), onde iniciou um projeto sobre o arquivo e as viagens do comerciante A.F.F. da Silva Porto no planalto central angolano.

O livro Missões, Museus e Antropologia. Colecções Coloniais de Angola da Congregação do Espírito Santo resulta de uma edição revista da sua tese de doutoramento, defendida em 2018 no Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa.

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