Missões, Museus e Antropologia

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Este livro explora as relações entre missionação católica, colonialismo, museus e antropologia através da história de duas colecções reunidas pelos missionários da Congregação do Espírito Santo em Angola. A trajetória destas colecções desenrola-se desde a segunda década do século XX até ao início do período pós-colonial, quando ingressaram no que são hoje o Museu Nacional de Etnologia (Lisboa) e a secção de antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. O livro investiga o papel dos missionários na sua circulação entre Angola e Portugal, envolvendo também o Vaticano e a França, em resultado do carácter transimperial das redes missionárias católicas.
Observadas à escala da colecção, e não da biografia de objectos específicos, as práticas espiritanas de obtenção e disseminação de elementos culturais angolanos variaram ao longo do tempo. Estas variações devem-se, entre outras razões, a mudanças nas formas de pensar a missão (visíveis nas exposições vaticanas de 1925 e 1950), nos propósitos dos museus criados pelos espiritanos em Portugal ou nas relações entre missões e administração colonial.
Seguindo as trajectórias das colecções, o livro mostra como estas foram revalorizadas quando saíram do meio missionário e entraram no meio antropológico, contribuindo para a institucionalização e consolidação da museologia antropológica em Portugal, no período colonial tardio e depois no período pós-colonial.
| Índice | |
| Índice de figuras, quadros e mapas | 11 |
| Prefácio: A opacidade histórica das coleções etnográficas Ricardo Roque |
13 |
| Abreviaturas | 17 |
| Nota prévia e agradecimentos | 19 |
| Introdução | 23 |
| Missões católicas, conhecimento e colonialismo | 25 |
| Práticas missionárias de destruição, colecção, exposição e musealização | 30 |
| Etnografia missionária em Angola e história da antropologia em Portugal | 35 |
| A missão espiritana na Angola colonial | 37 |
| O estudo das colecções missionárias | 40 |
| Estrutura do livro | 45 |
| PARTE I DINÂMICAS MISSIONÁRIAS DE EXPOSIÇÃO E MUSEALIZAÇÃO |
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| Capítulo 1 | |
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Exposições e políticas missionárias católicas na primeira metade do século xx Conclusão |
49 50 52 68 76 81 90 |
| Capítulo 2 | |
| Formação e propaganda: os museus nos seminários de Viana do Castelo e Braga A formação missionária católica Nos seminários da Congregação do Espírito Santo em Portugal Os primeiros museus missionários Conclusão |
93 96 103 117 128 |
| Capítulo 3 | |
| Aproximações etnológicas, distanciamento missionário: o museu da Torre d’Aguilha Um museu no novo «grande centro de estudos superiores missionários coloniais» Da Lunda para a Aguilha: a inventariação do acervo missionário O nome e o espaço do museu Um museu para quem e para quê? Conclusão |
131 |
| PARTE II ETNOGRAFIA E MISSÃO NA ANGOLA COLONIAL |
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| Capítulo 4 | |
| A Igreja Católica e a etnografia colonial e missionária em Angola nas primeiras décadas do século xx O museu etnográfico do bispado de Angola e Congo O «soba dos padres»: as recolhas e etnografias do bispo Lima Vidal Os projectos etnográficos e museais do governo colonial O desfecho do museu do bispado e os «costumes indígenas» nos relatórios das missões Conclusão |
179 180 186 193 204 220 |
| Capítulo 5 | |
| A revelação missionária de um objecto etnográfico: as tampas de panela proverbiais de Cabinda A revelação missionária de um objecto etnográfico Etnografia e missão através da fronteira: Joaquim Martins e Joseph Troesch no Lucula Um «clube internacional de etnólogos» «Hieróglifos?» Lendo os objectos Um novo membro do clube: José Martins Vaz Práticas missionárias de recolha Tampas, etnografia e missão: a questão da língua e da família Conclusão |
223 |
| PARTE III COLECÇÕES MISSIONÁRIAS E MUSEUS ANTROPOLÓGICOS |
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| Capítulo 6 | |
| Missionários, etnólogos e a questão colonial na história do Museu Nacional de Etnologia Para uma história do Museu Nacional de Etnologia Um museu singular para um império singular: o projecto político e científico do Museu de Etnologia do Ultramar As colecções africanas do museu e a questão da «arte negra» À procura de objectos «autênticos»: os etnólogos no museu missionário O estudo da colecção «Seminário das Missões do Espírito Santo» Conclusão |
257 |
| Capítulo 7 | |
| Missionários, antropólogos e a transição para o pós-colonial na história da secção antropológica do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra O Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra: do colonial ao pós-colonial Um «amplo Museu de Etnografia do Ultramar» em Coimbra O surgimento de uma reflexão pós-colonial sobre as colecções «ultramarinas» A missão de salvaguardar o património africano em Portugal: os antropólogos no museu missionário O estudo da colecção «Missionários do Espírito Santo» Tampas de panela de Cabinda: um posfácio Conclusão |
307 |
| Observações finais | 343 |
| Fontes e bibliografia | 353 |
| Índice remissivo | 379 |
Ana Rita Amaral é antropóloga e desenvolve o seu trabalho na intersecção entre a antropologia e a história, os estudos da cultura material e dos museus, e os estudos religiosos, com enfoque na região da actual Angola. É investigadora na Universidade de Utrecht, Países Baixos, onde integra o projeto Pressing Matter: Ownership, Value, and the Question of Colonial Heritage in Museums. Anteriormente trabalhou sobre as colecções etnográficas do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2011) e foi investigadora no International Studies Group da Universidade do Estado Livre, África do Sul (2018-2022), onde iniciou um projeto sobre o arquivo e as viagens do comerciante A.F.F. da Silva Porto no planalto central angolano.
O livro Missões, Museus e Antropologia. Colecções Coloniais de Angola da Congregação do Espírito Santo resulta de uma edição revista da sua tese de doutoramento, defendida em 2018 no Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa.


