Imaginários pós-coloniais de urbanização em investigação prospectiva. Portugal e Angola

Imaginários pós-coloniais de urbanização em investigação prospectiva. Portugal e Angola

UrbanoScenes propõe explorar, em perspetiva epistemológica pós-colonial, a construção, reprodução e contestação dos imaginários de urbanização, a partir de Portugal, Angola e suas relações, focando-se nas formas com as quais a dicotomia sociedade/natureza – e outras derivadas, e.g. colónia/metrópole, urbano/rural, humano/tecnológico, moderno/pré-moderno, desenvolvimento/subdesenvolvimento, Norte/Sul – estrutura os imaginários dominantes e (re)produz relações sócio-espaciais de poder. Que a normatividade associada a tais imaginários serve para legitimar e reproduzir formas de violência/injustiça inerentes ao processo de urbanização global, sejam elas estruturais, culturais ou estatais, configura uma hipótese central do projeto. Portanto, UrbanoScenes investiga também os imaginários urbanos alternativos que coexistem com os dominantes. UrbanoScenes adota uma perspetiva genealógica, comparativa e prospetiva, situada na interseção de três campos de investigação até agora amplamente desconectados: - críticas da influência crescente dos imaginários urbanos nas políticas e nos discursos urbanos (como a cidade verde, saudável, smart, criativa, segura); - debates sobre a natureza global da urbanização, nos estudos urbanos pós-coloniais e críticos; - críticas político-ecológicas sobre a persistência da dicotomia sociedade/natureza nos discursos sobre o Antropoceno.

UrbanoScenes tem três objetivos gerais: i) teórico, (re)teorizar a urbanização ao analisar, desde uma perspetiva pós-colonial, a centralidade sociopolítica dos imaginários de urbanização; ii) normativo, contribuir para repensar os paradigmas de urbanização no Antropoceno de forma prospetiva; e iii) produzir conhecimento necessário a reformular as políticas urbanas. Consequentemente, os objetivos específicos são: a) elaborar uma genealogia dos imaginários pós-coloniais de urbanização ilustrados em teorias e políticas urbanas, na ficção e na arquitetura, com um foco multi-escalar, das ideias globais até à concretização local; b) compreender como são compreendidos e operacionalizados esses imaginários nas políticas locais; e c) produzir cenários alternativos relevantes pelas políticas urbanas das cidades objeto de estudo.

Inspirado por estudos urbanos pós-coloniais e globais, UrbanoScenes utiliza a análise comparativa de casos de estudo atendendo a três escalas: uma primeira, global – imaginários nas teorias urbanas e nos programas de desenvolvimento das instituições internacionais (e.g. UN-Habitat, Banco Mundial, FMI, CE); segunda, (trans)nacional, Portugal, Angola e suas relações, nas viagens de ideias entre políticas urbanas, arquitetura e ficção (cinema e literatura) num tempo pós-colonial; e, terceira, metropolitana, nas políticas e imaginários locais em Lisboa, Luanda e Huambo. A escolha dos casos prende-se com o facto de que: 1) Portugal e Angola têm estado nas margens da teorização urbana; 2) a matéria existente permite refletir sobre a viagem de ideias, desde as persistências dos paradigmas coloniais de desenvolvimento até ao ‘efeito boomerang’ (Césaire) e ao desenvolvimento desigual pós-colonial; e 3) Lisboa (em contra- e re-urbanização), Luanda (megalópole em rápido crescimento) e Huambo (cidade média em urbanização) constituem casos de ‘variabilidade máxima’ (Flyvbjerg) face às dinâmicas de urbanização. 

 

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Sim
Entidades: 
Fundação para a Ciência e Tecnologia
Rede: 
DINÂMIA’CET – IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (ISCTE-IUL)
Keywords: 

Futuros urbanos, teorias e políticas urbanas, imaginação urbana, antropoceno

UrbanoScenes propõe explorar, em perspetiva epistemológica pós-colonial, a construção, reprodução e contestação dos imaginários de urbanização, a partir de Portugal, Angola e suas relações, focando-se nas formas com as quais a dicotomia sociedade/natureza – e outras derivadas, e.g. colónia/metrópole, urbano/rural, humano/tecnológico, moderno/pré-moderno, desenvolvimento/subdesenvolvimento, Norte/Sul – estrutura os imaginários dominantes e (re)produz relações sócio-espaciais de poder. Que a normatividade associada a tais imaginários serve para legitimar e reproduzir formas de violência/injustiça inerentes ao processo de urbanização global, sejam elas estruturais, culturais ou estatais, configura uma hipótese central do projeto. Portanto, UrbanoScenes investiga também os imaginários urbanos alternativos que coexistem com os dominantes. UrbanoScenes adota uma perspetiva genealógica, comparativa e prospetiva, situada na interseção de três campos de investigação até agora amplamente desconectados: - críticas da influência crescente dos imaginários urbanos nas políticas e nos discursos urbanos (como a cidade verde, saudável, smart, criativa, segura); - debates sobre a natureza global da urbanização, nos estudos urbanos pós-coloniais e críticos; - críticas político-ecológicas sobre a persistência da dicotomia sociedade/natureza nos discursos sobre o Antropoceno.

UrbanoScenes tem três objetivos gerais: i) teórico, (re)teorizar a urbanização ao analisar, desde uma perspetiva pós-colonial, a centralidade sociopolítica dos imaginários de urbanização; ii) normativo, contribuir para repensar os paradigmas de urbanização no Antropoceno de forma prospetiva; e iii) produzir conhecimento necessário a reformular as políticas urbanas. Consequentemente, os objetivos específicos são: a) elaborar uma genealogia dos imaginários pós-coloniais de urbanização ilustrados em teorias e políticas urbanas, na ficção e na arquitetura, com um foco multi-escalar, das ideias globais até à concretização local; b) compreender como são compreendidos e operacionalizados esses imaginários nas políticas locais; e c) produzir cenários alternativos relevantes pelas políticas urbanas das cidades objeto de estudo.

Inspirado por estudos urbanos pós-coloniais e globais, UrbanoScenes utiliza a análise comparativa de casos de estudo atendendo a três escalas: uma primeira, global – imaginários nas teorias urbanas e nos programas de desenvolvimento das instituições internacionais (e.g. UN-Habitat, Banco Mundial, FMI, CE); segunda, (trans)nacional, Portugal, Angola e suas relações, nas viagens de ideias entre políticas urbanas, arquitetura e ficção (cinema e literatura) num tempo pós-colonial; e, terceira, metropolitana, nas políticas e imaginários locais em Lisboa, Luanda e Huambo. A escolha dos casos prende-se com o facto de que: 1) Portugal e Angola têm estado nas margens da teorização urbana; 2) a matéria existente permite refletir sobre a viagem de ideias, desde as persistências dos paradigmas coloniais de desenvolvimento até ao ‘efeito boomerang’ (Césaire) e ao desenvolvimento desigual pós-colonial; e 3) Lisboa (em contra- e re-urbanização), Luanda (megalópole em rápido crescimento) e Huambo (cidade média em urbanização) constituem casos de ‘variabilidade máxima’ (Flyvbjerg) face às dinâmicas de urbanização. 

 

Observações: 
UrbanoScenes é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto “PTDC/GES-URB/1053/2021”
Parceria: 
Rede Nacional

UrbanoScenes

Coordenador ICS 
Referência externa 
PTDC/GES-URB/1053/2021
Data Inicio: 
15/01/2022
Data Fim: 
14/01/2025
Duração: 
36 meses
Em curso