Sustentabilidade e Consumo Alimentar em Portugal: os produtos de qualidade em espaço urbano e rural

Sustentabilidade e Consumo Alimentar em Portugal: os produtos de qualidade em espaço urbano e rural

As áreas urbanas têm vindo a tornar-se incubadoras privilegiadas para a procura dos consumidores por produtos alimentares de 'qualidade'. Esta procura tem sido suportada não só pelo mercado alimentar global mas também pelos espaços rurais nacionais que têm investido em estratégias de agricultura multifuncional para assegurar a sua viabilidade social e económica. Assim, esta investigação centra-se nos ‘novos' consumos alimentares e sustentabilidade em espaço urbano e rural. Procura-se perceber as relações de interdependência entre produção e consumo de produtos de ‘qualidade' (ex. produtos biológicos, tradicionais e locais) e, também, as articulações fluidas entre campo e cidade na promoção da sustentabilidade alimentar. O principal objectivo deste estudo é analisar as práticas alimentares de produtos de qualidade em espaço urbano e rural (Lisboa, Península de Setúbal e Alentejo). Teoricamente o projecto apoiar-se-á numa aplicação das teorias da prática ao consumo alimentar e, também, na teoria das convenções. Metodologicamente, serão utilizados um misto de entrevistas em profundidade, diários alimentares, auto-fotografia e dados secundários. Este estudo será comparado com os resultados de um projecto semelhante no Reino Unido onde a autora participou.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Consumo, Alimentação, Urbano, Rural

As áreas urbanas têm vindo a tornar-se incubadoras privilegiadas para a procura dos consumidores por produtos alimentares de 'qualidade'. Esta procura tem sido suportada não só pelo mercado alimentar global mas também pelos espaços rurais nacionais que têm investido em estratégias de agricultura multifuncional para assegurar a sua viabilidade social e económica. Assim, esta investigação centra-se nos ‘novos' consumos alimentares e sustentabilidade em espaço urbano e rural. Procura-se perceber as relações de interdependência entre produção e consumo de produtos de ‘qualidade' (ex. produtos biológicos, tradicionais e locais) e, também, as articulações fluidas entre campo e cidade na promoção da sustentabilidade alimentar. O principal objectivo deste estudo é analisar as práticas alimentares de produtos de qualidade em espaço urbano e rural (Lisboa, Península de Setúbal e Alentejo). Teoricamente o projecto apoiar-se-á numa aplicação das teorias da prática ao consumo alimentar e, também, na teoria das convenções. Metodologicamente, serão utilizados um misto de entrevistas em profundidade, diários alimentares, auto-fotografia e dados secundários. Este estudo será comparado com os resultados de um projecto semelhante no Reino Unido onde a autora participou.

Objectivos: 
O principal objectivo do projecto é avaliar comparativamente as atitudes e práticas de consumo alimentar de qualidade em espaços urbano e rural de modo a identificar contrastes ou semelhanças (se existirem) nos usos da paisagem e sua revalorização (ex. gastronomia). Isto num contexto em que as preocupações com a saúde, com a higiene e segurança alimentar, o ambiente, a justiça social, as questões estéticas e de sabor, assim como a origem de produção são centrais para vários consumidores. Este objectivo é subdividido nos seguintes:<br /><br />1) Identificar os significados de produtos alimentares de qualidade, as atitudes e justificações para o consumo destes produtos entre um grupo de consumidores residentes em Lisboa, Península de Setúbal e no Alentejo;<br />2) Analisar as práticas alimentares de produtos de qualidade em contexto familiar doméstico;<br />3) Identificar os significados de produtos alimentares de qualidade, as atitudes e justificações para a sua produção e marketing entre um conjunto de agentes principais deste sector, que actuam naquelas regiões;<br />4) Identificar e mapear as iniciativas naquelas regiões que promovem processos de re-localização dos sistemas de provisão alimentar, assim como a proximidade entre produtores e consumidores.
State of the art: 
<p>V&aacute;rios factores sociais, econ&oacute;micos e culturais contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o de determinadas tend&ecirc;ncias de consumo alimentar na Europa. Estes factores t&ecirc;m vindo a ser replicados em Portugal e delineado semelhantes tend&ecirc;ncias. Por exemplo, a crescente participa&ccedil;&atilde;o das mulheres no mercado de trabalho; os crescentes processos de comoditiza&ccedil;&atilde;o do sistema alimentar onde tecnologias dom&eacute;sticas e oferta de alimentos pr&eacute;-cozinhados configuram usos do tempo; o aumento de refei&ccedil;&otilde;es tomadas fora de casa; a crescente globaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e do retalho alimentar; o aumento das taxas de obesidade, entre outras. Em paralelo, podemos assistir &agrave; replica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s de contra-tend&ecirc;ncias. Estudos recentes &agrave;s atitudes ambientais e &agrave;s pr&aacute;ticas alimentares sustent&aacute;veis (Ferreira de Almeida et al, 2000 e 2004; Truninger, 2005) identificaram um grupo crescente de consumidores mais discernidos que investem na alimenta&ccedil;&atilde;o de qualidade. Este grupo &eacute; caracterizado por pessoas que vivem em &aacute;reas urbanas, por jovens ou pessoas de meia idade, por indiv&iacute;duos com n&iacute;veis de escolaridade elevados, e por indiv&iacute;duos pertencentes &agrave;s classes m&eacute;dias altas. Igualmente, v&aacute;rios estudos exploram os m&uacute;ltiplos significados de &lsquo;qualidade' alimentar, tanto para consumidores como para produtores (Illbery e Kneafsey, 2000; Weatherell e outros, 2003; Tib&eacute;rio, 2003). Estes trabalhos revelam que as preocupa&ccedil;&otilde;es com a sa&uacute;de, com a seguran&ccedil;a alimentar, o ambiente, a justi&ccedil;a social, as quest&otilde;es est&eacute;ticas e de sabor, assim como a origem de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o centrais tanto para um n&uacute;mero crescente de consumidores e de produtores, como para as estrat&eacute;gias de marketing dos supermercados. Por raz&otilde;es pragm&aacute;ticas, e que se prendem tamb&eacute;m com a sua maior visibilidade no mercado portugu&ecirc;s, este estudo centrar-se-&aacute; em dois esquemas de qualidade alimentar: a agricultura biol&oacute;gica e os produtos locais (tanto os tradicionais de qualidade - DOPs, PGIs, EGP - como aqueles que n&atilde;o est&atilde;o governados por esquemas de certifica&ccedil;&atilde;o).<br /><br />As &aacute;reas urbanas s&atilde;o espa&ccedil;os por excel&ecirc;ncia para a incuba&ccedil;&atilde;o de preocupa&ccedil;&otilde;es com a qualidade alimentar, o que se expressa num maior interesses e procura por estes produtos nas grandes &aacute;reas metropolitanas (Ferreira de Almeida et al., 2004). Esta procura tem sido sustentada n&atilde;o s&oacute; pelo mercado alimentar global mas tamb&eacute;m pelos espa&ccedil;os rurais nacionais que t&ecirc;m investido em estrat&eacute;gias de agricultura multifuncional para assegurar a sua viabilidade social e econ&oacute;mica. Dentro deste quadro algumas quest&otilde;es s&atilde;o importantes formular: que contrastes e/ou semelhan&ccedil;as existem entre os significados de produtos alimentares de qualidade expressos pelos consumidores urbanos e rurais? Que impactos t&ecirc;m as redes de sociabilidade em espa&ccedil;o rural nas pr&aacute;ticas alimentares urbanas? Como &eacute; que se organizam os espa&ccedil;os rurais (ao n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o e sistemas de provis&atilde;o) para colmatar as necessidades crescentes de sustentabilidade alimentar das cidades? Este projecto procurar&aacute; responder a estas quest&otilde;es que se encontram no centro das preocupa&ccedil;&otilde;es das agendas de investiga&ccedil;&atilde;o internacionais relativas &agrave; agricultura, alimenta&ccedil;&atilde;o e sustentabilidade.</p>
Parceria: 
Não Integrado

QuAl/Sustenta

Coordenador 
Data Inicio: 
15/07/2007
Data Fim: 
15/09/2010
Duração: 
38 meses
Concluído