Rodrigo no liberalismo: uma biografia política
Rodrigo no liberalismo: uma biografia política
Pensei esta biografia como um estudo sobre os limites da liberdade humana. Sob este aspecto, o caso de Rodrigo da Fonseca Magalhães é muito interessante. Desde logo foi um dos estadistas mais importantes do século XIX, e o seu nome ficou indissoluvelmente associado à Regeneração (1851), uma nova época política que pôs cobro a dezassete anos de instabilidade e violência política. Em certo sentido, Rodrigo, falecido em 1858, foi a Regeneração, que concretizou o que ele sempre pensara e ambicionara: um período de competição política regrada em que finalmente foram proscritos os meios de luta insurrecionais.
A Regeneração começou com uma cedência à esquerda, que Rodrigo se esforçou - com êxito - por manter bem controlada: uma revisão constitucional que, liquidando o dogma conservador da intangibilidade da Carta Constitucional, manteve todavia o regime basicamente e em essência tal qual esta o definia. A esquerda deu-se por satisfeita e com isso se fundou finalmente o acordo sobre a norma constitucional.
A partir daqui, a Regeneração fechou as portas a mais qualquer outra reforma política. Em troca da colaboração da esquerda, prometeu desenvolvimento económico. Desenvolver sem democratizar seria com efeito o Leitmotiv da Regeneração e o lema de Rodrigo. Para este, contudo, o progresso material era menos valioso do que o progresso político, que ele identificava com a pacificação das paixões, com a ordenada discussão parlamentar, com o acatamento das leis e com a tranquilidade pública.
Era este o programa de Rodrigo desde 1834. Sempre o defendeu. Sempre convidou o radicalismo à moderação, à concórdia, e em 1835, aquando da sua primeira ascensão a ministro, procurou integrá-lo no regime - constitucionalizá-lo - oferecendo-lhe uma partilha, limitada embora, do aparelho de estado. Mas até 1851 o radicalismo recusar-se-ia a colaborar, deste modo inutilizando os projectos de Rodrigo.
Acontece que os projectos de Rodrigo eram prematuros. Desde a revolução de Julho de 1830 em Paris que o revolucionarismo se reacendera. A fé na Revolução atingiu o auge em 1848, quando a revolução de Fevereiro, também em Paris, dá lugar à Segunda República em França e inicia a "Primavera dos Povos" na Europa. Enquanto a esquerda mantivesse esperança na Revolução não se disporia a colaborar com a monarquia constitucional; não se contentaria com nada menos do que uma drástica democratização do regime. Mas a "Primavera dos Povos" seria de pouca dura. A Revolução começou a refluir logo desde Junho de 1848. Em 1851 a derrota total estava consumada e a Europa de novo posta em sossego. A esquerda dispôs-se a colaborar com a monarquia constitucional e a renunciar aos métodos revolucionários através dos quais quisera antes abrir caminho ao Progresso. O Progresso, afinal, não dependia dos artigos da Constituição. Dependia de estradas, caminhos de ferro e canais; o desenvolvimento económico traria atrás de si o progresso cívico e a emancipaçãpo política.
Deste modo chegou a hora de Rodrigo, propiciada pela falência da Revolução na Europa. De prematuras que tinham sido, as suas ideias tornaram-se oportunas e viáveis. A liberdade humana tem limites.
A Regeneração começou com uma cedência à esquerda, que Rodrigo se esforçou - com êxito - por manter bem controlada: uma revisão constitucional que, liquidando o dogma conservador da intangibilidade da Carta Constitucional, manteve todavia o regime basicamente e em essência tal qual esta o definia. A esquerda deu-se por satisfeita e com isso se fundou finalmente o acordo sobre a norma constitucional.
A partir daqui, a Regeneração fechou as portas a mais qualquer outra reforma política. Em troca da colaboração da esquerda, prometeu desenvolvimento económico. Desenvolver sem democratizar seria com efeito o Leitmotiv da Regeneração e o lema de Rodrigo. Para este, contudo, o progresso material era menos valioso do que o progresso político, que ele identificava com a pacificação das paixões, com a ordenada discussão parlamentar, com o acatamento das leis e com a tranquilidade pública.
Era este o programa de Rodrigo desde 1834. Sempre o defendeu. Sempre convidou o radicalismo à moderação, à concórdia, e em 1835, aquando da sua primeira ascensão a ministro, procurou integrá-lo no regime - constitucionalizá-lo - oferecendo-lhe uma partilha, limitada embora, do aparelho de estado. Mas até 1851 o radicalismo recusar-se-ia a colaborar, deste modo inutilizando os projectos de Rodrigo.
Acontece que os projectos de Rodrigo eram prematuros. Desde a revolução de Julho de 1830 em Paris que o revolucionarismo se reacendera. A fé na Revolução atingiu o auge em 1848, quando a revolução de Fevereiro, também em Paris, dá lugar à Segunda República em França e inicia a "Primavera dos Povos" na Europa. Enquanto a esquerda mantivesse esperança na Revolução não se disporia a colaborar com a monarquia constitucional; não se contentaria com nada menos do que uma drástica democratização do regime. Mas a "Primavera dos Povos" seria de pouca dura. A Revolução começou a refluir logo desde Junho de 1848. Em 1851 a derrota total estava consumada e a Europa de novo posta em sossego. A esquerda dispôs-se a colaborar com a monarquia constitucional e a renunciar aos métodos revolucionários através dos quais quisera antes abrir caminho ao Progresso. O Progresso, afinal, não dependia dos artigos da Constituição. Dependia de estradas, caminhos de ferro e canais; o desenvolvimento económico traria atrás de si o progresso cívico e a emancipaçãpo política.
Deste modo chegou a hora de Rodrigo, propiciada pela falência da Revolução na Europa. De prematuras que tinham sido, as suas ideias tornaram-se oportunas e viáveis. A liberdade humana tem limites.
Estatuto:
Entidade proponente
Financiado:
Não
Pensei esta biografia como um estudo sobre os limites da liberdade humana. Sob este aspecto, o caso de Rodrigo da Fonseca Magalhães é muito interessante. Desde logo foi um dos estadistas mais importantes do século XIX, e o seu nome ficou indissoluvelmente associado à Regeneração (1851), uma nova época política que pôs cobro a dezassete anos de instabilidade e violência política. Em certo sentido, Rodrigo, falecido em 1858, foi a Regeneração, que concretizou o que ele sempre pensara e ambicionara: um período de competição política regrada em que finalmente foram proscritos os meios de luta insurrecionais.
A Regeneração começou com uma cedência à esquerda, que Rodrigo se esforçou - com êxito - por manter bem controlada: uma revisão constitucional que, liquidando o dogma conservador da intangibilidade da Carta Constitucional, manteve todavia o regime basicamente e em essência tal qual esta o definia. A esquerda deu-se por satisfeita e com isso se fundou finalmente o acordo sobre a norma constitucional.
A partir daqui, a Regeneração fechou as portas a mais qualquer outra reforma política. Em troca da colaboração da esquerda, prometeu desenvolvimento económico. Desenvolver sem democratizar seria com efeito o Leitmotiv da Regeneração e o lema de Rodrigo. Para este, contudo, o progresso material era menos valioso do que o progresso político, que ele identificava com a pacificação das paixões, com a ordenada discussão parlamentar, com o acatamento das leis e com a tranquilidade pública.
Era este o programa de Rodrigo desde 1834. Sempre o defendeu. Sempre convidou o radicalismo à moderação, à concórdia, e em 1835, aquando da sua primeira ascensão a ministro, procurou integrá-lo no regime - constitucionalizá-lo - oferecendo-lhe uma partilha, limitada embora, do aparelho de estado. Mas até 1851 o radicalismo recusar-se-ia a colaborar, deste modo inutilizando os projectos de Rodrigo.
Acontece que os projectos de Rodrigo eram prematuros. Desde a revolução de Julho de 1830 em Paris que o revolucionarismo se reacendera. A fé na Revolução atingiu o auge em 1848, quando a revolução de Fevereiro, também em Paris, dá lugar à Segunda República em França e inicia a "Primavera dos Povos" na Europa. Enquanto a esquerda mantivesse esperança na Revolução não se disporia a colaborar com a monarquia constitucional; não se contentaria com nada menos do que uma drástica democratização do regime. Mas a "Primavera dos Povos" seria de pouca dura. A Revolução começou a refluir logo desde Junho de 1848. Em 1851 a derrota total estava consumada e a Europa de novo posta em sossego. A esquerda dispôs-se a colaborar com a monarquia constitucional e a renunciar aos métodos revolucionários através dos quais quisera antes abrir caminho ao Progresso. O Progresso, afinal, não dependia dos artigos da Constituição. Dependia de estradas, caminhos de ferro e canais; o desenvolvimento económico traria atrás de si o progresso cívico e a emancipaçãpo política.
Deste modo chegou a hora de Rodrigo, propiciada pela falência da Revolução na Europa. De prematuras que tinham sido, as suas ideias tornaram-se oportunas e viáveis. A liberdade humana tem limites.
A Regeneração começou com uma cedência à esquerda, que Rodrigo se esforçou - com êxito - por manter bem controlada: uma revisão constitucional que, liquidando o dogma conservador da intangibilidade da Carta Constitucional, manteve todavia o regime basicamente e em essência tal qual esta o definia. A esquerda deu-se por satisfeita e com isso se fundou finalmente o acordo sobre a norma constitucional.
A partir daqui, a Regeneração fechou as portas a mais qualquer outra reforma política. Em troca da colaboração da esquerda, prometeu desenvolvimento económico. Desenvolver sem democratizar seria com efeito o Leitmotiv da Regeneração e o lema de Rodrigo. Para este, contudo, o progresso material era menos valioso do que o progresso político, que ele identificava com a pacificação das paixões, com a ordenada discussão parlamentar, com o acatamento das leis e com a tranquilidade pública.
Era este o programa de Rodrigo desde 1834. Sempre o defendeu. Sempre convidou o radicalismo à moderação, à concórdia, e em 1835, aquando da sua primeira ascensão a ministro, procurou integrá-lo no regime - constitucionalizá-lo - oferecendo-lhe uma partilha, limitada embora, do aparelho de estado. Mas até 1851 o radicalismo recusar-se-ia a colaborar, deste modo inutilizando os projectos de Rodrigo.
Acontece que os projectos de Rodrigo eram prematuros. Desde a revolução de Julho de 1830 em Paris que o revolucionarismo se reacendera. A fé na Revolução atingiu o auge em 1848, quando a revolução de Fevereiro, também em Paris, dá lugar à Segunda República em França e inicia a "Primavera dos Povos" na Europa. Enquanto a esquerda mantivesse esperança na Revolução não se disporia a colaborar com a monarquia constitucional; não se contentaria com nada menos do que uma drástica democratização do regime. Mas a "Primavera dos Povos" seria de pouca dura. A Revolução começou a refluir logo desde Junho de 1848. Em 1851 a derrota total estava consumada e a Europa de novo posta em sossego. A esquerda dispôs-se a colaborar com a monarquia constitucional e a renunciar aos métodos revolucionários através dos quais quisera antes abrir caminho ao Progresso. O Progresso, afinal, não dependia dos artigos da Constituição. Dependia de estradas, caminhos de ferro e canais; o desenvolvimento económico traria atrás de si o progresso cívico e a emancipaçãpo política.
Deste modo chegou a hora de Rodrigo, propiciada pela falência da Revolução na Europa. De prematuras que tinham sido, as suas ideias tornaram-se oportunas e viáveis. A liberdade humana tem limites.
Objectivos:
<p>Vd. Sumário</p>
Parceria:
Não Integrado





