Os jovens e a noite - lazeres nocturnos de Portimão

Os jovens e a noite - lazeres nocturnos de Portimão

Uma pesquisa sobre a apropriação juvenil da noite é uma incursão por grupos, espaços e tempos. A dimensão temporal parece à primeira vista uniforme. Por oposição ao período diurno, a noite é uma categoria homogénea, mas, se considerada em si mesma, desdobra-se em temporalidades distintas, segmentações do tempo que tomam sentidos próprios em função da apropriação juvenil. São os significados que criam as divisões. A noite, a representação da noite, nunca é igual. De que noite se fala? Que itinerário se percorre? Haverá uma só resposta, ou pelo contrário respostas múltiplas, em função da(s) cultura(s) nocturnas?

Se falamos em respostas múltiplas, pensamos em diferentes grupos, possivelmente em subculturas juvenis. Se as representações da noite variam, produzem-se então ocorrências diversas nas formas de acção e de comunicação. Em que práticas se traduz a apropriação da noite? Que formas de comunicação origina nos actores que as exercem? Como se juntam (e se separam) os jovens no itinerário nocturno? Espaço! a acção não ocorre nunca no vazio. Pressupõe locais onde os jovens se juntam, onde as sociabilidades acontecem e onde o lazer emerge. Que lazeres emergem dos espaços? Que jovens se associam a esses lazeres? Que cumplicidade existe ao longo da noite entre lazeres e espaços?

Os tempos nocturnos articulam-se aos espaços nocturnos, dando origem a itinerários. À medida que se muda de espaço avança-se na noite. Quer dizer, não apenas no tempo cromático medido pelos relógios, mas também no sentido da temporalidade nocturna. A mudança de local, o encontro com um novo espaço, marca por vezes o início dessa nova temporalidade, de uma outra localização no tempo. Mas não é necessariamente uma condição. A sucessão da temporalidade pode ocorrer numa mesma localização espacial. Do mesmo modo, a mudança de espaço nem sempre traz uma mudança da temporalidade. Para que isso aconteça, é necessário que se altere o significado da experiência vivida, quase sempre associado a uma mudança da consciência, que se restringe muitas vezes à sensação corpórea. E essa mudança não é independente da acção de lazer, das suas condições e efeitos.

Lazer e significado, dois termos para a constituição de uma cultura da noite, protagonizada por actores, espaços e tempos. Há, no entanto, de ter cuidado para não considerar essa(s) cultura(s) como manifestações autocentradas e imunes à influência e implicações externas. Pelo contrário, as culturas da noite são normalmente bem visíveis nas suas manifestações e consequências e muitas vezes resistentes às reacções do exterior. Que leituras se estabelecem entre as culturas da noite e as reacções da cidade? Que complementaridades, tolerâncias, divergências emergem? Que diálogos são possíveis? Como se gere a fronteira dos limites?

Em termos metodológicos, o projecto é um levantamento dos lazeres nocturnos dos jovens, explorando as condições em que assentam, as manifestações que os caracterizam e as consequências que originam. Assentará essencialmente numa metodologia «qualitativa», recorrendo a um conjunto de técnicas de recolha de informação, designadamente:

- Recolha de informação estatística

- Observação-participante

- Entrevistas de grupo

- Entrevistas individuais

Cada técnica é implementada em determinados momentos da pesquisa visando a recolha de determinado tipo de informação. Assim:

A recolha de informação estatística destina-se a identificar e caracterizar as condições «estruturantes» da situação juvenil no concelho. Esta informação permitirá estabelecer os contornos e os pesos sociais das diferentes «juventudes»: estudantes do secundário e do ensino superior, jovens trabalhadores, desempregados ou sem ocupação, jovens da «periferia», jovens em conjugalidade, etc.

A segunda técnica estará sempre presente enquanto durar o trabalho de campo. Imprescindível para conhecer e cartografar os espaços, os itinerários, as manifestações da cultura da noite. Permitirá ainda a observação dos lazeres in loco e estabelecer pontes para possíveis entrevistados. 

A entrevista de grupo é a forma privilegiada de se aceder às representações da noite e dos lazeres nocturnos dos jovens. Prevê-se a realização de seis a oito entrevistas de grupo, incidindo nas categorias juvenis mais representativas.

A entrevista individual será a técnica a que se recorrerá mais frequentemente, constituindo deste modo o veículo privilegiado da recolha de informação. O uso da técnica será aplicado a dois universos de actores. Por um lado, aos «representantes» da cidade (poderes públicos e estruturas cívicas), visando identificar e caracterizar as reacções da «cidade» à cultura juvenil da noite. Por outro lado, aos jovens que habitam a noite de forma a reunir informação sobre os itinerários e os lazeres nocturnos. A principal ideia é captar a diversidade das culturas da noite e as lógicas que lhes são subjacentes.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não

Uma pesquisa sobre a apropriação juvenil da noite é uma incursão por grupos, espaços e tempos. A dimensão temporal parece à primeira vista uniforme. Por oposição ao período diurno, a noite é uma categoria homogénea, mas, se considerada em si mesma, desdobra-se em temporalidades distintas, segmentações do tempo que tomam sentidos próprios em função da apropriação juvenil. São os significados que criam as divisões. A noite, a representação da noite, nunca é igual. De que noite se fala? Que itinerário se percorre? Haverá uma só resposta, ou pelo contrário respostas múltiplas, em função da(s) cultura(s) nocturnas?

Se falamos em respostas múltiplas, pensamos em diferentes grupos, possivelmente em subculturas juvenis. Se as representações da noite variam, produzem-se então ocorrências diversas nas formas de acção e de comunicação. Em que práticas se traduz a apropriação da noite? Que formas de comunicação origina nos actores que as exercem? Como se juntam (e se separam) os jovens no itinerário nocturno? Espaço! a acção não ocorre nunca no vazio. Pressupõe locais onde os jovens se juntam, onde as sociabilidades acontecem e onde o lazer emerge. Que lazeres emergem dos espaços? Que jovens se associam a esses lazeres? Que cumplicidade existe ao longo da noite entre lazeres e espaços?

Os tempos nocturnos articulam-se aos espaços nocturnos, dando origem a itinerários. À medida que se muda de espaço avança-se na noite. Quer dizer, não apenas no tempo cromático medido pelos relógios, mas também no sentido da temporalidade nocturna. A mudança de local, o encontro com um novo espaço, marca por vezes o início dessa nova temporalidade, de uma outra localização no tempo. Mas não é necessariamente uma condição. A sucessão da temporalidade pode ocorrer numa mesma localização espacial. Do mesmo modo, a mudança de espaço nem sempre traz uma mudança da temporalidade. Para que isso aconteça, é necessário que se altere o significado da experiência vivida, quase sempre associado a uma mudança da consciência, que se restringe muitas vezes à sensação corpórea. E essa mudança não é independente da acção de lazer, das suas condições e efeitos.

Lazer e significado, dois termos para a constituição de uma cultura da noite, protagonizada por actores, espaços e tempos. Há, no entanto, de ter cuidado para não considerar essa(s) cultura(s) como manifestações autocentradas e imunes à influência e implicações externas. Pelo contrário, as culturas da noite são normalmente bem visíveis nas suas manifestações e consequências e muitas vezes resistentes às reacções do exterior. Que leituras se estabelecem entre as culturas da noite e as reacções da cidade? Que complementaridades, tolerâncias, divergências emergem? Que diálogos são possíveis? Como se gere a fronteira dos limites?

Em termos metodológicos, o projecto é um levantamento dos lazeres nocturnos dos jovens, explorando as condições em que assentam, as manifestações que os caracterizam e as consequências que originam. Assentará essencialmente numa metodologia «qualitativa», recorrendo a um conjunto de técnicas de recolha de informação, designadamente:

- Recolha de informação estatística

- Observação-participante

- Entrevistas de grupo

- Entrevistas individuais

Cada técnica é implementada em determinados momentos da pesquisa visando a recolha de determinado tipo de informação. Assim:

A recolha de informação estatística destina-se a identificar e caracterizar as condições «estruturantes» da situação juvenil no concelho. Esta informação permitirá estabelecer os contornos e os pesos sociais das diferentes «juventudes»: estudantes do secundário e do ensino superior, jovens trabalhadores, desempregados ou sem ocupação, jovens da «periferia», jovens em conjugalidade, etc.

A segunda técnica estará sempre presente enquanto durar o trabalho de campo. Imprescindível para conhecer e cartografar os espaços, os itinerários, as manifestações da cultura da noite. Permitirá ainda a observação dos lazeres in loco e estabelecer pontes para possíveis entrevistados. 

A entrevista de grupo é a forma privilegiada de se aceder às representações da noite e dos lazeres nocturnos dos jovens. Prevê-se a realização de seis a oito entrevistas de grupo, incidindo nas categorias juvenis mais representativas.

A entrevista individual será a técnica a que se recorrerá mais frequentemente, constituindo deste modo o veículo privilegiado da recolha de informação. O uso da técnica será aplicado a dois universos de actores. Por um lado, aos «representantes» da cidade (poderes públicos e estruturas cívicas), visando identificar e caracterizar as reacções da «cidade» à cultura juvenil da noite. Por outro lado, aos jovens que habitam a noite de forma a reunir informação sobre os itinerários e os lazeres nocturnos. A principal ideia é captar a diversidade das culturas da noite e as lógicas que lhes são subjacentes.

Objectivos: 
O estudo visa aprofundar o conhecimento da apropriação juvenil da noite em Portimão, de forma a contribuir para a definição de linhas de intervenção junto dos jovens, especialmente no que respeita à necessidade de controlar e conter as manifestações de desvio que emergem de algumas práticas de lazer nocturno.
Parceria: 
Não Integrado
Coordenador 
Data Inicio: 
02/01/2007
Data Fim: 
31/12/2009
Duração: 
35 meses
Concluído