Os comportamentos sexuais da população portuguesa

Os comportamentos sexuais da população portuguesa

Portugal é um dos países da UE com uma das situações mais preocupantes no que diz respeito à infecção do HIV/SIDA. Não apenas porque os números relativos às pessoas infectadas são elevados, mas também porque, contrariamente ao que se passa na maior parte dos países, esses números ainda não revelam sinais inequívocos de estabilização. Apesar de todas as campanhas de prevenção, a infecção tem vindo a progredir. A informação existente sobre os comportamentos sexuais de risco associados à transmissão do HIV, sendo relativamente escassa, tornava opacas as razões que poderiam estar subjacentes à expansão da infecção na sociedade portuguesa. Seria a sexualidade dos portugueses demasiado desprevenida? Se sim, que razões a poderiam justificar? Ou estar-se-ia apenas perante um desfasamento temporal susceptível de ser corrigido pela prática protegida das gerações mais novas?

O projecto deveria proporcionar informação que permitisse responder a este tipo de questões, mas, simultaneamente, deveria também disponibilizar indicadores que permitissem a implementação da Declaração de Compromisso, que estabelece a necessidade de os países possuírem um sistema de monitorização e de controlo da epidemia do HIV/SIDA.  

Tendo por objectivo geral em estudar as relações entre os comportamentos sexuais e os comportamentos de risco associados à transmissão do HIV na população residente em Portugal, o projecto assenta em termos metodológicos na realização de um inquérito baseado numa amostra representativa. O principal instrumento da pesquisa recorria por isso ao questionário.

Em linhas gerais, o questionário está estruturado em quatro partes.

Uma primeira parte explora e caracteriza aspectos da cultura sexual dos portugueses. Esta cultura é apreendida a partir de diferentes dimensões. A primeira é a actividade sexual, descrita a partir da diversidade das práticas, da frequência e dos parceiros. A segunda é das representações que se reflecte nas atitudes perante diferentes domínios da sexualidade (fidelidade, sentimentos amorosos, homossexualidade, sexualidade pré-conjugal e adolescentes, etc.). A terceira, equaciona os aspectos normativos a partir das redes sociais em que o indivíduo se integra. Por último, aborda-se a questão das identidades sexuais recorrendo à autodefinição da identidade.

A segunda parte equaciona a relação da sexualidade com o bem-estar do indivíduo. Procura-se apreender como a sexualidade é subjectivamente experimentada. Neste contexto, a questão da saúde sexual e reprodutiva ganha relevância. Procura-se avaliar a relação entre o estado de saúde do indivíduo e a actividade sexual e a satisfação que dela retira. O papel da contracepção na actividade e na satisfação é também equacionado. Do lado dos problemas sexuais, destacam-se o aborto, as doenças sexualmente transmissíveis e as disfunções.

A terceira parte procura avaliar os impactos que a infecção do HIV/Sida exerce nos comportamentos sexuais associados à transmissão. São exploradas não só as práticas sexuais protegidas, especialmente no que se refere ao uso do preservativo, mas também a atitude preventiva no sentido mais amplo. Isso inclui a avaliação dos conhecimentos em relação à transmissão do HIV, a realização do teste para o HIV, as representações em torno do preservativo, as estratégias preventivas e a sensibilização às campanhas de prevenção sexual.

Por último, o questionário inclui um módulo sociográfico.

O projecto não parte de um conjunto de hipóteses apriorísticas. Tem por objectivo identificar os principais padrões sexuais da população e identificar os grupos em que os comportamentos de risco associados à transmissão do HIV estão mais presentes. Evidentemente, que a análise da informação permitirá formular e explorar hipóteses que relacionem os padrões sexuais com as características da população e com os comportamentos de risco. Visando proporcionar indicadores de monitorização da epidemia do HIV/Sida, o projecto procurará também explorar as razões que poderão justificar a situação epidemiológica que se observa em Portugal, apontando, eventualmente, novos alvos para as quais se devem direccionar as campanhas e as estratégias preventivas e de luta contra a infecção do HIV/SIDA.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não

Portugal é um dos países da UE com uma das situações mais preocupantes no que diz respeito à infecção do HIV/SIDA. Não apenas porque os números relativos às pessoas infectadas são elevados, mas também porque, contrariamente ao que se passa na maior parte dos países, esses números ainda não revelam sinais inequívocos de estabilização. Apesar de todas as campanhas de prevenção, a infecção tem vindo a progredir. A informação existente sobre os comportamentos sexuais de risco associados à transmissão do HIV, sendo relativamente escassa, tornava opacas as razões que poderiam estar subjacentes à expansão da infecção na sociedade portuguesa. Seria a sexualidade dos portugueses demasiado desprevenida? Se sim, que razões a poderiam justificar? Ou estar-se-ia apenas perante um desfasamento temporal susceptível de ser corrigido pela prática protegida das gerações mais novas?

O projecto deveria proporcionar informação que permitisse responder a este tipo de questões, mas, simultaneamente, deveria também disponibilizar indicadores que permitissem a implementação da Declaração de Compromisso, que estabelece a necessidade de os países possuírem um sistema de monitorização e de controlo da epidemia do HIV/SIDA.  

Tendo por objectivo geral em estudar as relações entre os comportamentos sexuais e os comportamentos de risco associados à transmissão do HIV na população residente em Portugal, o projecto assenta em termos metodológicos na realização de um inquérito baseado numa amostra representativa. O principal instrumento da pesquisa recorria por isso ao questionário.

Em linhas gerais, o questionário está estruturado em quatro partes.

Uma primeira parte explora e caracteriza aspectos da cultura sexual dos portugueses. Esta cultura é apreendida a partir de diferentes dimensões. A primeira é a actividade sexual, descrita a partir da diversidade das práticas, da frequência e dos parceiros. A segunda é das representações que se reflecte nas atitudes perante diferentes domínios da sexualidade (fidelidade, sentimentos amorosos, homossexualidade, sexualidade pré-conjugal e adolescentes, etc.). A terceira, equaciona os aspectos normativos a partir das redes sociais em que o indivíduo se integra. Por último, aborda-se a questão das identidades sexuais recorrendo à autodefinição da identidade.

A segunda parte equaciona a relação da sexualidade com o bem-estar do indivíduo. Procura-se apreender como a sexualidade é subjectivamente experimentada. Neste contexto, a questão da saúde sexual e reprodutiva ganha relevância. Procura-se avaliar a relação entre o estado de saúde do indivíduo e a actividade sexual e a satisfação que dela retira. O papel da contracepção na actividade e na satisfação é também equacionado. Do lado dos problemas sexuais, destacam-se o aborto, as doenças sexualmente transmissíveis e as disfunções.

A terceira parte procura avaliar os impactos que a infecção do HIV/Sida exerce nos comportamentos sexuais associados à transmissão. São exploradas não só as práticas sexuais protegidas, especialmente no que se refere ao uso do preservativo, mas também a atitude preventiva no sentido mais amplo. Isso inclui a avaliação dos conhecimentos em relação à transmissão do HIV, a realização do teste para o HIV, as representações em torno do preservativo, as estratégias preventivas e a sensibilização às campanhas de prevenção sexual.

Por último, o questionário inclui um módulo sociográfico.

O projecto não parte de um conjunto de hipóteses apriorísticas. Tem por objectivo identificar os principais padrões sexuais da população e identificar os grupos em que os comportamentos de risco associados à transmissão do HIV estão mais presentes. Evidentemente, que a análise da informação permitirá formular e explorar hipóteses que relacionem os padrões sexuais com as características da população e com os comportamentos de risco. Visando proporcionar indicadores de monitorização da epidemia do HIV/Sida, o projecto procurará também explorar as razões que poderão justificar a situação epidemiológica que se observa em Portugal, apontando, eventualmente, novos alvos para as quais se devem direccionar as campanhas e as estratégias preventivas e de luta contra a infecção do HIV/SIDA.

Objectivos: 
<p><em>- Disponibilizar indicadores para a implementação das políticas de monitorização e prevenção da epidemia de HIV/SIDA</em></p><p><em>- </em><em>Descrever aspectos da cultura sexual dos portugueses: práticas, representações e identidades. </em></p><p><em>- Avaliar a prática preventiva e protegida dos portugueses</em></p><p><em>- Avaliar a sexualidade do ponto de vista do bem-estar subjectivo: contracepção, saúde e satisfação sexual. </em></p><p><em>- Avaliar a prevenção sexual do ponto de vista da infecção do HIV/Sida : conhecimentos sobre as formas de transmissão, atitudes preventivas e práticas sexuais protegidas </em></p>
Coordenador 
Data Inicio: 
01/10/2006
Data Fim: 
30/12/2009
Duração: 
38 meses
Concluído