Mutação dos Media: Transformações da comunicação pública e científica
Mutação dos Media: Transformações da comunicação pública e científica
Em menos de uma década, os modos de criação e distribuição de conteúdo nos ambientes digitais têm conhecido transformações importantes, reconfigurando os modelos tradicionalmente adoptados pelas indústrias culturais. Quatro traços significativos caracterizam esta evolução e a emergência de uma "cultura participativa" [Jenkins06]. Primeiro, os utilizadores são incitados a produzir e a difundir online os seus próprios conteúdos. Esta característica é frequentemente designada pelas expressões user-generated content (UGC) ou user-created content (UCC) [OECD07]. Segundo, esta participação parece ser facilitada pela pouca exigência ao nível dos esforços cognitivos e técnicos necessários para explorar as ferramentas destas novas plataformas (mesmo persistindo desigualdades de acesso e de apropriação das ferramentas). A expansão de práticas de criação e de troca de conteúdos entre os utilizadores comuns é assim favorecida [LeadMiller04]. Terceiro, estas mutações apoiam-se no desenvolvimento de grandes comunidades online, em rede e sem uma estrutura hierárquica pré-definida [Suro05]. Por fim, surgem modelos económicos originais [Gensollen06] baseados em agregados gigantescos de contribuições individuais frequentemente mínimas. Hoje, as novas formas participativas multiplicam-se, exigindo adaptações estratégicas de diversos sectores das indústrias culturais. O ambiente geral no mercado de conteúdos é experimentação, mesmo que se desconheça como melhor assegurar o lucro. No jornalismo isto é particularmente claro: todo o produto informativo é concebido num único local de produção e sob renovados ambientes de gestão informacional. Os jornalistas devem saber produzir conteúdos, diariamente, para todos os suportes media, imprensa, rádio, televisão e internet, e as notícias devem estar preparadas para distribuição através dos sistemas de podcasting, sms, rss, blogging. A comunicação científica também tem sido transformada com o aumento do acesso e uso da Internet. O volume de troca de informação científica cresceu exponencialmente. O nosso programa de investigação propõe a análise das práticas colaborativas de criação e troca de conteúdos, aferindo as mutações sobre a comunicação pública e científica. Recorrer-se-á a uma abordagem de estudo de caso: Video online, o seu uso como comunicação política [Losh08]; Jornalismo cidadão, como as TIC afectam as regras tradicionais do jornalismo [JPLeCamPe05]; Redes científicas online: partilha e criação conjunta de conhecimento científico [Mathieu02]; Blogues científicos: a utilização dos blogues na área da comunicação científica [Bradley07]. Pretende-se assim produzir um conhecimento científico inédito sobre as diferentes formas participativas de criação e troca de conteúdos informacionais e culturais online. Os objectivos são determinar os contornos da emergência da contribuição online como forma social e descrever como a inovação tecnológica pode transformar a comunicação pública e científica. O projecto permite estabelecer uma parceria entre dois importantes centros de investigação em Portugal e no Canadá, fortalecendo os laços do que tem sido até agora uma colaboração informal e intermitente. A equipa de investigação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, dirigida por José Luís Garcia, desenvolve, há 15 anos, estudos e reflexão sobre as implicações sociais, económicos e políticos da tecnologia contemporânea ([Garcia06a], [Garcia06b], [Subtil06], [Silva09]). No âmbito das tecnologias da informação e do jornalismo, tem vindo a investigar os efeitos da inovação tecnológica e dos novos modelos de gestão na reorganização da indústria dos media, nas concepções de informação e jornalismo, nas práticas jornalísticas, no ambiente de trabalho das redacções e nas transformações da profissão de jornalista ([Garcia09], [MeiGra07]). Os membros da equipa canadiana têm explorado a apropriação social das tecnologias pelos utilizadores, desde a pesquisa sobre os primeiros utilizadores de computadores [Proulx88], ao estudo sobre culturas técnicas e activismo ([ProuxLToth00], [GoldCout07]), há mais de 25 anos. A pesquisa mais recente foca-se sobre os usos da Internet ([Millerand02], [ProulxCout06]), novas tecnologias para a ciência [MilleBow09], bem como a criação e circulação de conhecimento em situações de inovação e colaboração heterogéneas ([HeTayEv02], [Heaton05]). Por fim, dois consultores irão contribuir como peritos nos domínios da economia [Gensollen06] e do impacto social das TIC [Licoppe07]. Este projecto parte assim de investigação anterior. O interesse pela compreensão dos usos das TIC concretiza-se assim nesta abordagem na noção de colaboração online. Este conceito sublinha a nova dinâmica de uso participativo online marcado em simultâneo pela convergência dos media e a instalação de plataformas colaborativas, bem como a importância de uma cultura aberta e livre.
Internet, Contribuição, Jornalismo, Comunicação científica
Em menos de uma década, os modos de criação e distribuição de conteúdo nos ambientes digitais têm conhecido transformações importantes, reconfigurando os modelos tradicionalmente adoptados pelas indústrias culturais. Quatro traços significativos caracterizam esta evolução e a emergência de uma "cultura participativa" [Jenkins06]. Primeiro, os utilizadores são incitados a produzir e a difundir online os seus próprios conteúdos. Esta característica é frequentemente designada pelas expressões user-generated content (UGC) ou user-created content (UCC) [OECD07]. Segundo, esta participação parece ser facilitada pela pouca exigência ao nível dos esforços cognitivos e técnicos necessários para explorar as ferramentas destas novas plataformas (mesmo persistindo desigualdades de acesso e de apropriação das ferramentas). A expansão de práticas de criação e de troca de conteúdos entre os utilizadores comuns é assim favorecida [LeadMiller04]. Terceiro, estas mutações apoiam-se no desenvolvimento de grandes comunidades online, em rede e sem uma estrutura hierárquica pré-definida [Suro05]. Por fim, surgem modelos económicos originais [Gensollen06] baseados em agregados gigantescos de contribuições individuais frequentemente mínimas. Hoje, as novas formas participativas multiplicam-se, exigindo adaptações estratégicas de diversos sectores das indústrias culturais. O ambiente geral no mercado de conteúdos é experimentação, mesmo que se desconheça como melhor assegurar o lucro. No jornalismo isto é particularmente claro: todo o produto informativo é concebido num único local de produção e sob renovados ambientes de gestão informacional. Os jornalistas devem saber produzir conteúdos, diariamente, para todos os suportes media, imprensa, rádio, televisão e internet, e as notícias devem estar preparadas para distribuição através dos sistemas de podcasting, sms, rss, blogging. A comunicação científica também tem sido transformada com o aumento do acesso e uso da Internet. O volume de troca de informação científica cresceu exponencialmente. O nosso programa de investigação propõe a análise das práticas colaborativas de criação e troca de conteúdos, aferindo as mutações sobre a comunicação pública e científica. Recorrer-se-á a uma abordagem de estudo de caso: Video online, o seu uso como comunicação política [Losh08]; Jornalismo cidadão, como as TIC afectam as regras tradicionais do jornalismo [JPLeCamPe05]; Redes científicas online: partilha e criação conjunta de conhecimento científico [Mathieu02]; Blogues científicos: a utilização dos blogues na área da comunicação científica [Bradley07]. Pretende-se assim produzir um conhecimento científico inédito sobre as diferentes formas participativas de criação e troca de conteúdos informacionais e culturais online. Os objectivos são determinar os contornos da emergência da contribuição online como forma social e descrever como a inovação tecnológica pode transformar a comunicação pública e científica. O projecto permite estabelecer uma parceria entre dois importantes centros de investigação em Portugal e no Canadá, fortalecendo os laços do que tem sido até agora uma colaboração informal e intermitente. A equipa de investigação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, dirigida por José Luís Garcia, desenvolve, há 15 anos, estudos e reflexão sobre as implicações sociais, económicos e políticos da tecnologia contemporânea ([Garcia06a], [Garcia06b], [Subtil06], [Silva09]). No âmbito das tecnologias da informação e do jornalismo, tem vindo a investigar os efeitos da inovação tecnológica e dos novos modelos de gestão na reorganização da indústria dos media, nas concepções de informação e jornalismo, nas práticas jornalísticas, no ambiente de trabalho das redacções e nas transformações da profissão de jornalista ([Garcia09], [MeiGra07]). Os membros da equipa canadiana têm explorado a apropriação social das tecnologias pelos utilizadores, desde a pesquisa sobre os primeiros utilizadores de computadores [Proulx88], ao estudo sobre culturas técnicas e activismo ([ProuxLToth00], [GoldCout07]), há mais de 25 anos. A pesquisa mais recente foca-se sobre os usos da Internet ([Millerand02], [ProulxCout06]), novas tecnologias para a ciência [MilleBow09], bem como a criação e circulação de conhecimento em situações de inovação e colaboração heterogéneas ([HeTayEv02], [Heaton05]). Por fim, dois consultores irão contribuir como peritos nos domínios da economia [Gensollen06] e do impacto social das TIC [Licoppe07]. Este projecto parte assim de investigação anterior. O interesse pela compreensão dos usos das TIC concretiza-se assim nesta abordagem na noção de colaboração online. Este conceito sublinha a nova dinâmica de uso participativo online marcado em simultâneo pela convergência dos media e a instalação de plataformas colaborativas, bem como a importância de uma cultura aberta e livre.




