Masculinidades do Plural: a Construção de Si na Vida Privada
Masculinidades do Plural: a Construção de Si na Vida Privada
O desafio e objectivo principal do projecto proposto consiste em apresentar um retrato contemporâneo das dinâmicas e formas de masculinidade plurais, destacando os percursos múltiplos e até contraditórios através dos quais os homens reconstruem as suas identidades. Ao considerar os homens enquanto parceiros e pais, o livro propõe uma tese simples, mas convincente, em vez de um desenvolvimento linear simples - da instituição para o companheirismo ou do homem provedor para o homem cuidador - a prática e identidades dos homens estão a transformar-se em formas híbridas e até mesmo paradoxais, à medida que os homens procuram um novo lugar na vida privada. Pretendemos posicionar os homens e as masculinidades na esfera da vida familiar, da sua história e mudança, ou explorar as ligações entre a pluralidade empírica que se observa entre homens reais que vivem em famílias reais e a reconstituição da(s) masculinidade(s) hegemónica(s), as características que emergem das relações de dominação baseadas no género.
Estatuto:
Entidade proponente
Financiado:
Não
Keywords:
Género, Hegemonia, Masculinidades, Pluralidade
O desafio e objectivo principal do projecto proposto consiste em apresentar um retrato contemporâneo das dinâmicas e formas de masculinidade plurais, destacando os percursos múltiplos e até contraditórios através dos quais os homens reconstruem as suas identidades. Ao considerar os homens enquanto parceiros e pais, o livro propõe uma tese simples, mas convincente, em vez de um desenvolvimento linear simples - da instituição para o companheirismo ou do homem provedor para o homem cuidador - a prática e identidades dos homens estão a transformar-se em formas híbridas e até mesmo paradoxais, à medida que os homens procuram um novo lugar na vida privada. Pretendemos posicionar os homens e as masculinidades na esfera da vida familiar, da sua história e mudança, ou explorar as ligações entre a pluralidade empírica que se observa entre homens reais que vivem em famílias reais e a reconstituição da(s) masculinidade(s) hegemónica(s), as características que emergem das relações de dominação baseadas no género.
Objectivos:
A erosão do patriarcado, que hoje representa uma das principais heranças do séc. XX, juntamente com a reestruturação da organização da família no sentido da democracia, individualização e expressão individual, parece conduzir os homens a diferentes movimentos de mudança, retratando, dessa forma, uma cultura plural de masculinidade, que é nosso objectivo analisar, contribuindo assim para o desenvolvimento do estado da arte nesta área de estudo. Estas tendências surgiram no âmbito de mudanças históricas que estiveram na base de enormes transformações no núcleo da ordem de género. A emancipação das mulheres, através do emprego remunerado ou da conquista da liberdade sexual, o declínio relativo do modelo do homem como o ganha-pão, a pluralização das formas de família, a legitimidade crescente de comportamentos anteriormente estigmatizados (tal como a homossexualidade) e, mais genericamente, a desconstrução das diferenças de género como categorias naturalizadas originaram novas pressões ao nível da segregação de género tradicional.
State of the art:
The project's core questions are the following. How are masculinities changing? How can they change? And, if so, how is gender domination being reconstituted in a world where patriarchy is being eroded? <p>In order to provide answers to these problems, the first step is to reflect on the proper notion of hegemonic masculinities. Hegemony, as applied by Connell to masculinity in an inspiring tying up of Gramsci's approach to power with a theory of practice, is a powerful notion meant to capture the ideological structures of gender relations. Resulting from processes of domination (e.g., Bourdieu, 1998), masculinity crystallizes itself into institutional forms, social representations and values as well as in embodied ethos and hexis. At each moment, processes of domination are (re)producing hegemony at the ideological level. Hegemony is thus the compound of multiple and entangled domination actions. The distinction between hegemony, as a static photo of what in a given moment in time is at centre of the ideological field, and domination, as a social process existing in practices, is, thus, important to comprehend plurality in the lives of real men, who may combine contradictory references when relating themselves to models of masculinity. Thus, the starting point is to propose a heuristic distinction between hegemony and domination. The truth is that domination takes place in everyday interaction, even if it is not related to ideological hegemony (e.g., S. Whitehead, 2002). On the other hand, there are also particular forms of hegemony within specific subgroups. Among subordinated or marginal masculinities there are permanent struggles for supremacy.</p>Secondly, it is also necessary to develop the reflection about hegemony by relating it with the hybrid character of masculinity (e.g., Demetriou, 2001). The notion of hybridism and its application to gender relations has emerged well connected to post-colonial debates, to post-structuralism and to contemporary feminisms. However, it is proposed a different use of this analytical tool, by placing it in the context of family history. This strategy serves two purposes. The first is to reflect upon the composite nature of hegemonic masculinity, by advocating that early modernity's masculinities never ceased to be hybrid. They revolved around the tension between the predator and the provider. The making of the modern family is to a certain extent the history of the codification of masculinity; thus, hybridism is part of masculinity's deepest nature. This second assumption ties up with the starting argument of the chapter and proposes that hegemony is dependent on permanent inner struggles between different forms of domination. That is, hegemonic masculinity is not just symbol of domination over women and other forms of masculinity, but rather it is particularity dependent on conflict and tension within it. It is, in a larger sense, in the history and change of family life that one finds empirical evidence to such an understanding of the dynamics of masculinities.
Parceria:
Não Integrado





