Legitimação de Mecanismos de Preconceito e Discriminação: O Papel da Percepção de Ameaça e da Identificação Endogrupal

Legitimação de Mecanismos de Preconceito e Discriminação: O Papel da Percepção de Ameaça e da Identificação Endogrupal

O preconceito e a discriminação contra grupos minoritários ainda persistem, apesar de as sociedades democráticas terem desenvolvido normas sociais e legais para impedir e punir a discriminação. Este projecto enquadra-se num problema mais geral que consiste na compreensão dos mecanismos que permitem a persistência da discriminação. Em particular, questiona os factores que facilitam a passagem do preconceito à discriminação. A nossa proposta assenta na ideia de que a discriminação, assim como a relação entre preconceito e discriminação, é legitimada mediante o recurso a factores justificadores. Neste sentido, propomos que as percepções de ameaça medeiam as relações entre o preconceito e a discriminação e que esta mediação é moderada pela identificação social.

A legitimação é um conceito fundamental para a compreensão da génese das tensões sociais (Zelditch, 2001). Actualmente, a análise dos processos de legitimação é relevante porque os comportamentos anti-normativos, tal como a discriminação, requerem legitimação, i.e. formas que permitam justificá-los (Berger e Luckmann, 1967). Neste sentido, se alguém se comporta de uma forma discriminatória, tem de encontrar justificações para esse comportamento (Jost e Banaji, 1994). Embora Allport (1954) tenha sublinhado a importância dos factores justificadores, principalmente dos estereótipos, para a compreensão da natureza do preconceito e Tajfel (1984) tenha identificado os mesmos factores em tensões intergrupais, só recentemente é que os processos de legitimação despertaram o interesse de investigadores na área da psicologia social (Crandall e Eshleman, 2003; Jost e Major, 2001; Sidanius e Pratto, 1999). O papel da legitimação na relação entre preconceito e discriminação, em particular, não foi, até à data, suficientemente estudado. De modo a colmatar esta falha, temos vindo a propor um conjunto articulado de hipóteses (Pereira, Vala e Costa-Lopes, in press; Pereira, Vala e Leyens, 2009). De facto, a nossa investigação anterior demonstrou que a relação entre preconceito e discriminação é mediada por factores justificadores quando a norma anti-descriminatória é activada, enquanto nos casos em que o contexto é permissivo, a relação entre preconceito e discriminação não necessita de justificações. Neste projecto, propomo-nos ir mais longe e analisar o tipo de justificações utilizadas pelas pessoas para legitimar comportamentos discriminatórios e os seus factores moderadores.

Num artigo sobre relações intergrupais e justiça social, Tajfel (1984) propôs que os factores de identidade motivam processos de legitimação que, por sua vez, justificam a hostilidade intergrupal. Neste contexto, propomos que a identidade social seja considerada um conceito fundamental para a compreensão dos factores subjacentes à forma como a discriminação é legitimada. Além disso, a investigação sobre a discriminação e preconceito social realça cada vez mais o papel das percepções de ameaça (Cottrell e Neuberg, 2005; Stephan et al., 2002). No presente projecto, avançamos a hipótese de que a percepção de ameaça desempenha um papel de legitimação importante.

Assumindo que o contexto social é anti-discriminatório, propomos as seguintes hipóteses: a) Quando a identificação é saliente, a relação entre preconceito e discriminação é mediada por ameaças simbólicas e realistas; b) quando a identificação não é saliente, apenas as ameaças realistas medeiam a relação entre preconceito e discriminação. Isto significa que a relação entre preconceito e discriminação é mediada por ameaças simbólicas e realistas e que esta mediação é moderada pela identificação endogrupal.

Estatuto: 
Entidade participante
Financiado: 
Não
Rede: 
Atitudes Sociais dos Portugueses
Keywords: 

Legitimação, Normas Sociais em Sociedades Democráticas, Discriminação e Exclusão Social

O preconceito e a discriminação contra grupos minoritários ainda persistem, apesar de as sociedades democráticas terem desenvolvido normas sociais e legais para impedir e punir a discriminação. Este projecto enquadra-se num problema mais geral que consiste na compreensão dos mecanismos que permitem a persistência da discriminação. Em particular, questiona os factores que facilitam a passagem do preconceito à discriminação. A nossa proposta assenta na ideia de que a discriminação, assim como a relação entre preconceito e discriminação, é legitimada mediante o recurso a factores justificadores. Neste sentido, propomos que as percepções de ameaça medeiam as relações entre o preconceito e a discriminação e que esta mediação é moderada pela identificação social.

A legitimação é um conceito fundamental para a compreensão da génese das tensões sociais (Zelditch, 2001). Actualmente, a análise dos processos de legitimação é relevante porque os comportamentos anti-normativos, tal como a discriminação, requerem legitimação, i.e. formas que permitam justificá-los (Berger e Luckmann, 1967). Neste sentido, se alguém se comporta de uma forma discriminatória, tem de encontrar justificações para esse comportamento (Jost e Banaji, 1994). Embora Allport (1954) tenha sublinhado a importância dos factores justificadores, principalmente dos estereótipos, para a compreensão da natureza do preconceito e Tajfel (1984) tenha identificado os mesmos factores em tensões intergrupais, só recentemente é que os processos de legitimação despertaram o interesse de investigadores na área da psicologia social (Crandall e Eshleman, 2003; Jost e Major, 2001; Sidanius e Pratto, 1999). O papel da legitimação na relação entre preconceito e discriminação, em particular, não foi, até à data, suficientemente estudado. De modo a colmatar esta falha, temos vindo a propor um conjunto articulado de hipóteses (Pereira, Vala e Costa-Lopes, in press; Pereira, Vala e Leyens, 2009). De facto, a nossa investigação anterior demonstrou que a relação entre preconceito e discriminação é mediada por factores justificadores quando a norma anti-descriminatória é activada, enquanto nos casos em que o contexto é permissivo, a relação entre preconceito e discriminação não necessita de justificações. Neste projecto, propomo-nos ir mais longe e analisar o tipo de justificações utilizadas pelas pessoas para legitimar comportamentos discriminatórios e os seus factores moderadores.

Num artigo sobre relações intergrupais e justiça social, Tajfel (1984) propôs que os factores de identidade motivam processos de legitimação que, por sua vez, justificam a hostilidade intergrupal. Neste contexto, propomos que a identidade social seja considerada um conceito fundamental para a compreensão dos factores subjacentes à forma como a discriminação é legitimada. Além disso, a investigação sobre a discriminação e preconceito social realça cada vez mais o papel das percepções de ameaça (Cottrell e Neuberg, 2005; Stephan et al., 2002). No presente projecto, avançamos a hipótese de que a percepção de ameaça desempenha um papel de legitimação importante.

Assumindo que o contexto social é anti-discriminatório, propomos as seguintes hipóteses: a) Quando a identificação é saliente, a relação entre preconceito e discriminação é mediada por ameaças simbólicas e realistas; b) quando a identificação não é saliente, apenas as ameaças realistas medeiam a relação entre preconceito e discriminação. Isto significa que a relação entre preconceito e discriminação é mediada por ameaças simbólicas e realistas e que esta mediação é moderada pela identificação endogrupal.

Objectivos: 
A nossa investigação anterior mostrou que as percepções de ameaça simbólica e realista são factores mediadores da relação entre o preconceito e a descriminação quando as normas anti-descriminação se tornam salientes. Este projecto vai ampliar os nossos resultados anteriores ao abordar duas questões relacionadas com (1) o diferente papel justificador das percepções de ameaça enquanto processos de legitimação da discriminação e (2) a função ao nível da identidade de cada tipo de justificação nestes processos. Tentar responder a estas questões tem consequências teóricas importantes, uma vez que pode revelar novas vias de investigação sobre os processos de legitimação subjacentes à descriminação intergrupal. <p> </p>
State of the art: 
<p>.</p>
Parceria: 
Rede Internacional
Coordenador ICS 
Referência externa 
PROJ111/2009
Data Inicio: 
09/05/2009
Data Fim: 
09/05/2014
Duração: 
60 meses
Concluído