História do Banco de Portugal até 1914
História do Banco de Portugal até 1914
Este projecto visa preencher uma lacuna importante na historiografia económica portuguesa com a publicação, em três volumes, da história do banco central português, desde a sua fundação até à primeira guerra mundial. Os dois primeiros volumes relatam os principais acontecimentos e traçam as fases mais marcantes da evolução no longo prazo daquela que foi não só a primeira instituição financeira do país, como também a maior e a mais importante durante este intervalo de tempo. O terceiro dá conta do papel do factor humano no desenvolvimento deste banco, descrevendo e analisando três conjuntos de actores históricos: os accionistas, os dirigentes e os funcionários do Banco. O estudo baseia-se no riquíssimo e bem organizado arquivo do Banco, que é utilizado intensivamente, assim como em documentação parlamentar, jornais e literatura secundária. Ao longo das suas páginas são abordados os temas mais significativos deste passado institucional, vincando sempre os aspectos comparativos com congéneres europeus e fazendo ainda apelo a modelos explicativos e a orientações teóricas provenientes da teoria monetária e bancária. Entre estes temas destacam-se a teia complexa de relações com o Estado e a política, através da qual o Banco de Portugal sempre procurou maximizar os seus privilégios, com também o máximo de autonomia; a preocupação do banco enquanto sociedade accionista em atingir dois objectivos comerciais fundamentais - a distribuição de um dividendo generoso e a preservação do valor do investimento feito nele pelos accionistas; a necessidade de desenvolver uma política monetária que legalmente não lhe competia, mas que se tornava inescapável, a fim de assegurar a estabilidade do sistema financeiro português como um todo, essencial para a estabilidade do próprio Banco de Portugal. No essencial, a parte narrativa dos dois primeiros volumes conhece três fases. Uma primeira, relatada no volume I, que descreve o período inicial, de enorme instabilidade e turbulência, durante o qual o Banco tentou recuperar do profundo choque financeiro sofrido em 1846 e que só terminou nos fins da década seguinte. A segunda fase, que termina em 1891 e que assistiu a uma expansão da actividade da corporação e a um enriquecimento dos accionistas, a despeito de alguns sobressaltos, paralelamente a um ganho considerável de autonomia em relação ao estado e ao aperfeiçoamento dos instrumentos de política monetária no contexto do padrão ouro. O terceiro, iniciado sob o signo da crise financeira e bancária de 1891 e um tremendo aumento do poder dos governos sobre o Banco, redundaria num acréscimo ainda maior da lucratividade, ao mesmo tempo que a uma influência cada vez maior sobre as restantes partes do sistema financeiro. O terceiro volume, sobre o factor humano, recolhe inputs do projecto P-138 e examina o Banco numa perspectiva que entrelaça este estudo de um banco com alguns dos temas mais importantes da história social portuguesa. A primeira parte constitui o primeiro estudo feito em Portugal sobre o accionariado de uma grande sociedade anónima, revelando, entre outras questões, a elevada difusão das acções pelos mais diversos estratos sociais, assim como uma surpreendente participação de mulheres na posse das mesmas. A segunda apresenta uma prosopografia de uma das elites económicas mais importantes do século XIX, mas também das mais ignoradas pela historiografia. Cento e oitenta biografias curtas alicerçam uma série de apreciações que revelam as origens, formação educativa, carreira profissional, científica e política destes dirigentes do banco de Portugal, dando a conhecer a heterogeneidade de níveis de riqueza assim como de origens sociais.
Estatuto:
Entidade proponente
Financiado:
Não
Este projecto visa preencher uma lacuna importante na historiografia económica portuguesa com a publicação, em três volumes, da história do banco central português, desde a sua fundação até à primeira guerra mundial. Os dois primeiros volumes relatam os principais acontecimentos e traçam as fases mais marcantes da evolução no longo prazo daquela que foi não só a primeira instituição financeira do país, como também a maior e a mais importante durante este intervalo de tempo. O terceiro dá conta do papel do factor humano no desenvolvimento deste banco, descrevendo e analisando três conjuntos de actores históricos: os accionistas, os dirigentes e os funcionários do Banco. O estudo baseia-se no riquíssimo e bem organizado arquivo do Banco, que é utilizado intensivamente, assim como em documentação parlamentar, jornais e literatura secundária. Ao longo das suas páginas são abordados os temas mais significativos deste passado institucional, vincando sempre os aspectos comparativos com congéneres europeus e fazendo ainda apelo a modelos explicativos e a orientações teóricas provenientes da teoria monetária e bancária. Entre estes temas destacam-se a teia complexa de relações com o Estado e a política, através da qual o Banco de Portugal sempre procurou maximizar os seus privilégios, com também o máximo de autonomia; a preocupação do banco enquanto sociedade accionista em atingir dois objectivos comerciais fundamentais - a distribuição de um dividendo generoso e a preservação do valor do investimento feito nele pelos accionistas; a necessidade de desenvolver uma política monetária que legalmente não lhe competia, mas que se tornava inescapável, a fim de assegurar a estabilidade do sistema financeiro português como um todo, essencial para a estabilidade do próprio Banco de Portugal. No essencial, a parte narrativa dos dois primeiros volumes conhece três fases. Uma primeira, relatada no volume I, que descreve o período inicial, de enorme instabilidade e turbulência, durante o qual o Banco tentou recuperar do profundo choque financeiro sofrido em 1846 e que só terminou nos fins da década seguinte. A segunda fase, que termina em 1891 e que assistiu a uma expansão da actividade da corporação e a um enriquecimento dos accionistas, a despeito de alguns sobressaltos, paralelamente a um ganho considerável de autonomia em relação ao estado e ao aperfeiçoamento dos instrumentos de política monetária no contexto do padrão ouro. O terceiro, iniciado sob o signo da crise financeira e bancária de 1891 e um tremendo aumento do poder dos governos sobre o Banco, redundaria num acréscimo ainda maior da lucratividade, ao mesmo tempo que a uma influência cada vez maior sobre as restantes partes do sistema financeiro. O terceiro volume, sobre o factor humano, recolhe inputs do projecto P-138 e examina o Banco numa perspectiva que entrelaça este estudo de um banco com alguns dos temas mais importantes da história social portuguesa. A primeira parte constitui o primeiro estudo feito em Portugal sobre o accionariado de uma grande sociedade anónima, revelando, entre outras questões, a elevada difusão das acções pelos mais diversos estratos sociais, assim como uma surpreendente participação de mulheres na posse das mesmas. A segunda apresenta uma prosopografia de uma das elites económicas mais importantes do século XIX, mas também das mais ignoradas pela historiografia. Cento e oitenta biografias curtas alicerçam uma série de apreciações que revelam as origens, formação educativa, carreira profissional, científica e política destes dirigentes do banco de Portugal, dando a conhecer a heterogeneidade de níveis de riqueza assim como de origens sociais.
Objectivos:
Desta História do Banco de Portugal foi já publicado o primeiro volume. Está em estado avançado de elaboração, neste momento, o volume sobre o factor humano (vol. III), que será publicado antes do final de 2008. Finalmente, será publicado em 2009 o segundo volume narrativo, que cobre o período de 1857 a 1914. Para além disto, foram já publicados vários artigos em revistas e como capítulos de livros, tanto sobre o Banco de Portugal especificamente, como de enquadramento da sua história. Nesta senda, preparam-se dois papers, que entrarão em circulação e discussão neste e no próximo ano (2009). Um versará sobre a actuação desta instituição como "prestador de ultima instancia" (lender of last resort), um tema da maior importância na história dos bancos centrais oitocentistas. O outro aprofundará uma matéria pouco estudada nesta época, nomeadamente a dos problemas causados pela falsificação da moeda fiduciária e formas de a combater, no contexto de uma sociedade massivamente iletrada.
Parceria:
Não Integrado





