A Genética e a Política Económica do Fascismo

A Genética e a Política Económica do Fascismo

O projecto tem como objectivo ir além das visões tradicionais sobre a "Ciência no Fascismo", tentando compreender o processo de co-evolução da investigação genética e do poder fascista. O projecto incluirá instituições científicas italianas, alemãs e portuguesas, reunidas no quadro de uma investigação comparativa nunca antes realizada na literatura internacional na área da história da ciência. Seguiremos as trajectórias das plantas e animais à medida que foram sendo transformados em objectos de pesquisa científica sob o exame minucioso de instrumentos laboratoriais. Mas tencionamos também acompanhar o percurso desses objectos à medida que foram saindo dos laboratórios, tornando-se parte da economia política fascista, nomeadamente no âmbito dos esforços de auto-suficiência económica. Como é que esses objectos foram apropriados e usados por diferentes instituições, quer se trate de ministérios ou corporações, agências de propaganda ou organizações militares, para construir uma sociedade fascista? Como é que o trigo, os porcos, as batatas foram transformados em objectos científicos para ser utilizados em campanhas de produção, projectos de colonização interna ou no esforço de guerra? O projecto não só ambiciona preencher uma lacuna na historiografia geral portuguesa sobre o Estado Novo, como também tenta dar um contributo mais geral para o estudo da importante relação entre a "Ciência e o Fascismo".

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Fascismo, Autarquia, Planta Reprodutiva,  Ciência e Corporativismo

O projecto tem como objectivo ir além das visões tradicionais sobre a "Ciência no Fascismo", tentando compreender o processo de co-evolução da investigação genética e do poder fascista. O projecto incluirá instituições científicas italianas, alemãs e portuguesas, reunidas no quadro de uma investigação comparativa nunca antes realizada na literatura internacional na área da história da ciência. Seguiremos as trajectórias das plantas e animais à medida que foram sendo transformados em objectos de pesquisa científica sob o exame minucioso de instrumentos laboratoriais. Mas tencionamos também acompanhar o percurso desses objectos à medida que foram saindo dos laboratórios, tornando-se parte da economia política fascista, nomeadamente no âmbito dos esforços de auto-suficiência económica. Como é que esses objectos foram apropriados e usados por diferentes instituições, quer se trate de ministérios ou corporações, agências de propaganda ou organizações militares, para construir uma sociedade fascista? Como é que o trigo, os porcos, as batatas foram transformados em objectos científicos para ser utilizados em campanhas de produção, projectos de colonização interna ou no esforço de guerra? O projecto não só ambiciona preencher uma lacuna na historiografia geral portuguesa sobre o Estado Novo, como também tenta dar um contributo mais geral para o estudo da importante relação entre a "Ciência e o Fascismo".

Objectivos: 
Contribuir para uma renovação da historiografia sobre "Ciência e Fascismo", não limitando a análise ao caso Nazi e alargando-a a Itália e a Portugal. <p>Tornar a história da ciência numa disciplina relevante para a compreensão do funcionamento do regime fascista.</p><p>Compreender, através da perspectiva da historiografia internacional actual sobre a ciência, a investigação científica realizada durante o Estado Novo </p><p>Tornar o exemplo português num caso significante para os académicos internacionais que estudam as questões relacionadas com a "Ciência e o Fascismo".</p>
State of the art: 
<p>The question of the interactions between science and fascism has been a recurrent subject for historians of science. Traditionally, pseudo-science, forced migrations and internal exiles formed a general framework to understand scientific activity under fascism, marking a dark exception to the rules of normal scientific behavior. Genetics played a central role in all those narratives as the scientific discipline most directly connected to the theories of Aryan supremacy that lead to the Shoa. In recent years, by shifting the centre of attention from antiscientific practices to the work of the many scientists contributing to the construction of a fascist society, historians started to produce new accounts of the relevance of laboratories in fascist regimes, namely in Nazi Germany. Stories of ideological influences or politicized science lost their grip in favor of thick descriptions of scientists in action.&nbsp; In particular, the published results of the research program fostered from 1999 to 2004 by the Max Planck Society on the &quot;History of the Kaiser Wilhelm Society in the National Socialist Era&quot; offered an important renewal of our understanding not only of the science of the period but of Nazism itself.&nbsp; </p><p>The new way of dealing with science and Nazism, more than just maintaining the previous interest in genetics, greatly enhanced it. To be sure, the subject of research in human genetics unconstrained by moral norms kept its central place, but plant breeding has become one of the most productive topics in illuminating the deep relations between science and the Nazi State. The Kaiser Wilhelm laboratories are now perceived as crucial sites for understanding autarky policies and the eastern ambitions of the Third Reich in its quest for Lebensraum.&nbsp; The current project proposal places itself in such historiographical trend putting forward a comparative approach which includes scientific institutions from Italy, Germany and Portugal, underlining links between them. Be it the german ideology of &lsquo;Blood and Soil', the Italian initiatives of internal colonization (bonifica integrale), or the Portugal rural Arcadia of Salazar, plat geneticists were fundamental in developing new fodders for German fields, creating rice starins for reclaimed marshes in the Lazio region, or selecting seeds for the wheat fields of Alentejo.</p><p>The election of Italy, the prime world example of a fascist regime, and Germany, the most radical form of fascism, guarantees the international relevance of the project. The choice of Portugal has the double purpose of avoiding theories of Portuguese exceptionalism by placing it in the significant context of international fascism, and making the case about the importance of knowing the most enduring example of fascist rule in history. The project thus not only aspires to fill a gap in Portuguese historiography, putting it in tune with international literature, as it also tries to make a general contribution to the relation between science and fascism.&nbsp;&nbsp; </p>
Parceria: 
Não Integrado
Coordenador ICS 
Referência externa 
PROJ90/2009
Data Inicio: 
01/01/2008
Data Fim: 
01/12/2010
Duração: 
35 meses
Concluído