Experiência vivida, território e transformações da cultura: a identificação da Terra Indígena dos Índios Tupinambá de Olivença

Experiência vivida, território e transformações da cultura: a identificação da Terra Indígena dos Índios Tupinambá de Olivença

Experiência vivida, território e transformações da cultura: a identificação da Terra Indígena dos Índios Tupinambá de Olivença (Bahia/Brasil) é um projecto de investigação de pós-doutoramento proposto ao ICS pela coordenadora Susana de Matos Viegas no seguimento do trabalho como antropóloga-coordenadora do Grupo de Trabalho de Identificação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, iniciado em 2003. O projecto foi concebido desde o início numa rede internacional com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio, Ministério da Justiça, Brasil), numa contratação como consultora-UNESCO e como coordenadora de uma equipe de trabalho de campo (2003-2004) que integrou um topógrafo, um ambientalista e outro antropólogo. A partir do ano de 2004 o projecto passou a estar associado em rede ao Núcleo Transformações Indígenas, projecto PRONEX/ Museu Nacional do Rio de Janeiro (UFRJ).
Projecto integrado disponível em: http://www.nuti.scire.coppe.ufrj.br/projetos.phpO projecto aprofunda aspectos teóricos da "etnografia da vida quotidiana" dos Tupinambá de Olivença que desenvolvi originalmente na tese de doutoramento (Viegas 2003), nomeadamente a questão do tempo, da pessoa e do território, sempre subsumidas na problemática da socialidade e cultura. O eixo organizador desta reflexão teórica funda-se no debate americanista, nomeadamente em torno do corpo e da pessoa, da identidade e da alteridade, da agência ou subjetivação.
O contraste aparentemente abrupto entre a situação socio-política verificada no terreno entre 1997 e 2000 e aquela que resulta da pesquisa mais recente de 2003-2004, tanto para os Tupinambá quanto ao nível das condições de pesquisa de campo, é também um foco de atenção neste projecto, propondo-se contribuir para o entendimento da história e da cultura entre os povos das terras baixas da América do Sul. As orientações teóricas deste exercício etnográfico sustentam-se, em grande medida, em conceitos fundados no debate americanista, integrando três eixos argumentativos relacionado com o minimalismo ameríndio e particularmente Tupi, o corpo como locus de socialidade, o individualismo ameríndio e formas de constituição da identidade ligadas ao que tem sido denominado uma "ontologia da relação".
Nas Ciências sociais, particularmente na antropologia, a compreensão da vida social e cultural de "índios civilizados" que há longa data vivem subjugados a processos missionários, coloniais e capitalistas - tem oscilado entre dois pólos igualmente problemáticos e insatisfatórios do ponto de vista teórico: um mais essencialista e outro extremado no "construcionismo". O primeiro começa por se expressar com as teorias da aculturação que no Brasil ganham hegemonia teórica nas décadas de 1940-1950 (Galvão 1979 [1953], Darcy Ribeiro 1950). O segundo tem expressão tanto com a importação da teoria da etnicidade de Barth (1969) para a análise dos povos sul-ameríndios (Manuela Carneiro da Cunha 1983) como pela incorporação da teoria de Balandier sobre a visão de povos etnicamente exploradas (Cardoso de Oliveira). Na década de 1990 tanto no Brasil como na antropologia americana as teorias da etnicidade influenciadas por estes dois últimos legados ganham nova face numa visão mais pós-moderna sobre identidade e "a invenção da cultura" (eg. Hanson 1989, Clifford1997) e instalaram-se como abordagens hegemónicas sobre fenómenos de identidade entre os povos da região costeira do Brasil, como os Tupinambá de Olivença (eg Pacheco de Oliveira 1999).
Em alternativa a esta visões, o projecto propõe-se direccionar a compreensão do modo de vida ou socialidades (Viegas 2003) dos índios Tupinambá de Olivença ao estudos das transformações da cultura no tempo, adoptando uma visão histórica mais aproximada à que tem sido recentemente desenvolvida por Peter Gow para a Amazónia (2001, 2002), constituindo também um dos enfoques de um projecto desenvolvido pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro (2003) sobre "transformações indígenas". O conceito de cultura é aqui entendido assumidamente como experiência vivida o que significa, entre outros aspectos, que consideramos o entrelaçamento entre símbolos e afectos tanto quanto os meios materiais que tornam possível a realização da vida enquanto experiência (eg. Pina-Cabral 2003). A pesquisa conjuga dois tipos de trabalho de campo: aquele que se realizou entre 1997 e 2000, sustentado na observação participante, e aquele que realizei como coordenadora de uma equipe interdisciplinar para o processo de identificação da Terra Indígena. Um dos contrastes entre estas duas pesquisas diz respeito à extensão da realidade socio-geográfica estudada. Enquanto que no primeiro trabalho me debrucei sobre a vida dos índios habitantes na localidade de Sapucaeira (actualmente uma de entre as cerca de vinte áreas identificadas como parte do território Tupinambá de Olivença), neste projecto integra-se a investigação sobre o conjunto do território, desenvolvendo assim uma reflexão sobre a questão da generalização na antropologia.

Estatuto: 
Entidade participante
Financiado: 
Não
Rede: 
Internacional - NUTI

Experiência vivida, território e transformações da cultura: a identificação da Terra Indígena dos Índios Tupinambá de Olivença (Bahia/Brasil) é um projecto de investigação de pós-doutoramento proposto ao ICS pela coordenadora Susana de Matos Viegas no seguimento do trabalho como antropóloga-coordenadora do Grupo de Trabalho de Identificação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, iniciado em 2003. O projecto foi concebido desde o início numa rede internacional com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio, Ministério da Justiça, Brasil), numa contratação como consultora-UNESCO e como coordenadora de uma equipe de trabalho de campo (2003-2004) que integrou um topógrafo, um ambientalista e outro antropólogo. A partir do ano de 2004 o projecto passou a estar associado em rede ao Núcleo Transformações Indígenas, projecto PRONEX/ Museu Nacional do Rio de Janeiro (UFRJ).
Projecto integrado disponível em: http://www.nuti.scire.coppe.ufrj.br/projetos.phpO projecto aprofunda aspectos teóricos da "etnografia da vida quotidiana" dos Tupinambá de Olivença que desenvolvi originalmente na tese de doutoramento (Viegas 2003), nomeadamente a questão do tempo, da pessoa e do território, sempre subsumidas na problemática da socialidade e cultura. O eixo organizador desta reflexão teórica funda-se no debate americanista, nomeadamente em torno do corpo e da pessoa, da identidade e da alteridade, da agência ou subjetivação.
O contraste aparentemente abrupto entre a situação socio-política verificada no terreno entre 1997 e 2000 e aquela que resulta da pesquisa mais recente de 2003-2004, tanto para os Tupinambá quanto ao nível das condições de pesquisa de campo, é também um foco de atenção neste projecto, propondo-se contribuir para o entendimento da história e da cultura entre os povos das terras baixas da América do Sul. As orientações teóricas deste exercício etnográfico sustentam-se, em grande medida, em conceitos fundados no debate americanista, integrando três eixos argumentativos relacionado com o minimalismo ameríndio e particularmente Tupi, o corpo como locus de socialidade, o individualismo ameríndio e formas de constituição da identidade ligadas ao que tem sido denominado uma "ontologia da relação".
Nas Ciências sociais, particularmente na antropologia, a compreensão da vida social e cultural de "índios civilizados" que há longa data vivem subjugados a processos missionários, coloniais e capitalistas - tem oscilado entre dois pólos igualmente problemáticos e insatisfatórios do ponto de vista teórico: um mais essencialista e outro extremado no "construcionismo". O primeiro começa por se expressar com as teorias da aculturação que no Brasil ganham hegemonia teórica nas décadas de 1940-1950 (Galvão 1979 [1953], Darcy Ribeiro 1950). O segundo tem expressão tanto com a importação da teoria da etnicidade de Barth (1969) para a análise dos povos sul-ameríndios (Manuela Carneiro da Cunha 1983) como pela incorporação da teoria de Balandier sobre a visão de povos etnicamente exploradas (Cardoso de Oliveira). Na década de 1990 tanto no Brasil como na antropologia americana as teorias da etnicidade influenciadas por estes dois últimos legados ganham nova face numa visão mais pós-moderna sobre identidade e "a invenção da cultura" (eg. Hanson 1989, Clifford1997) e instalaram-se como abordagens hegemónicas sobre fenómenos de identidade entre os povos da região costeira do Brasil, como os Tupinambá de Olivença (eg Pacheco de Oliveira 1999).
Em alternativa a esta visões, o projecto propõe-se direccionar a compreensão do modo de vida ou socialidades (Viegas 2003) dos índios Tupinambá de Olivença ao estudos das transformações da cultura no tempo, adoptando uma visão histórica mais aproximada à que tem sido recentemente desenvolvida por Peter Gow para a Amazónia (2001, 2002), constituindo também um dos enfoques de um projecto desenvolvido pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro (2003) sobre "transformações indígenas". O conceito de cultura é aqui entendido assumidamente como experiência vivida o que significa, entre outros aspectos, que consideramos o entrelaçamento entre símbolos e afectos tanto quanto os meios materiais que tornam possível a realização da vida enquanto experiência (eg. Pina-Cabral 2003). A pesquisa conjuga dois tipos de trabalho de campo: aquele que se realizou entre 1997 e 2000, sustentado na observação participante, e aquele que realizei como coordenadora de uma equipe interdisciplinar para o processo de identificação da Terra Indígena. Um dos contrastes entre estas duas pesquisas diz respeito à extensão da realidade socio-geográfica estudada. Enquanto que no primeiro trabalho me debrucei sobre a vida dos índios habitantes na localidade de Sapucaeira (actualmente uma de entre as cerca de vinte áreas identificadas como parte do território Tupinambá de Olivença), neste projecto integra-se a investigação sobre o conjunto do território, desenvolvendo assim uma reflexão sobre a questão da generalização na antropologia.

Objectivos: 
<p>1. Propor uma abordagem etnográfica da historicidade da cultura que possa ultrapassar tanto o essencialismo como o pós-modernismo na compreensão da vida social e cultural indígenas, principalmente daquelas que estão há vários séculos subjugados pelo colonialismo, pelos processos missionários e pelo capitalismo.</p><p>2. Integrar uma conceptualização fenomenológica da experiência vivida em dimensões estruturais e longitudinais.</p><p>3. Desenvolver uma reflexão sobre a relação entre o conhecimento etnográfico obtido em situações de investigação científica e de investigação com propósitos explícitos de intervenção social, ultrapassando as clássicas divisórias entre antropologia académica e antropologia aplicada. </p>
Coordenador 
Data Inicio: 
20/12/2003
Data Fim: 
31/12/2009
Duração: 
72 meses
Concluído