A educação sexual dos jovens portugueses - conhecimento e fontes

A educação sexual dos jovens portugueses - conhecimento e fontes

Nas últimas duas décadas do século XX, os jovens portugueses cresceram num contexto de mudanças profundas em termos da sua socialização sexual, ou seja, do conjunto de aprendizagens formais e informais sobre as questões relativas à sexualidade. Por um lado, e num contexto de liberalização de costumes, os meios de comunicação social, nomeadamente aqueles mais especificamente dirigidos aos jovens e a TV, integram crescentemente mensagens e temas de natureza sexual. Por outro lado, as próprias famílias, e num processo de mudança e reflexividade social, deixaram de poder "não falar" de temas de natureza sexual. Pais e filhos são confrontados, na cena familiar, com as mensagens sobre sexualidade que outros actores (meios de comunicação social, amigos) transportam para este contexto de comunicação e, assim sendo, podemos supor que se alteraram também os contextos de socialização familiar. Por outro lado ainda, o Estado integrou a sexualidade nas suas políticas de saúde, de educação e de juventude sob pressão de problemas emergentes relacionados com esta esfera, dos quais o mais proeminente foi, sem dúvida, a SIDA (mais até do que a gravidez na adolescência). Mais frequentemente, os jovens puderam aceder a acções de informação/educação realizadas por profissionais, seja no contexto da sala de aula, seja noutros contextos de aprendizagem formal. Fruto deste processo, os próprios jovens interagem de formas diferentes. A tradição já não é o que era e, sobretudo, as relações entre rapazes e raparigas sofreram mudanças profundas. Ou seja, poderão Ter-se operado mudanças importantes na socialização entre pares. Estas mudanças têm sido evidenciadas em alguns estudos sobre a juventude realizados, nomeadamente pelo IED (1983-85) e pelo ICS (1997). Frequentemente, o ME, a APF e outras instituições envolvidas em programas de educação sexual dos jovens são questionados sobre os progressos havidos na educação sexual nas escolas. Face a esta questão - ou seja, a amplitude da mudança alcançada - dois tipos de respostas costumam emergir: por um lado, posições que acham que os jovens estão já suficientemente informados pelo que a educação sexual na escola não é necessária; por outro, posições que apontam no sentido oposto, ou seja, que nada ou muito pouco mudou, que as escolas não fazem educação sexual e, portanto, que a maioria dos jovens portugueses não tem uma adequada educação sexual. Embora tenham sido feitos alguns estudos sobre os conhecimentos específicos dos jovens - nomeadamente os que integraram o projecto experimental de educação sexual entre 1995-98 -, não existe um conhecimento fundado e rigoroso nesta matéria. Esta lacuna de informação radica numa dificuldade real: a dificuldade que as próprias escolas têm de ter uma informação mais ou menos exacta do que se passa no seu interior. A alternativa, é perceber a situação da educação sexual através dos seus destinatários, nomeadamente os jovens que estão a acabar o ensino básico ou o ensino secundário. Em termos metodológicos, o projecto contemplará as seguintes etapas:

- Será realizado um levantamento prévio de instrumentos já existentes e que possam ser aplicados no estudo.

- Serão construídos e pré-testados dois questionários para recolha dos dados referidos.

- Serão constituída duas amostras estruturadas e por quotas, representando jovens que estão a concluir o 9º ano e jovens que estão a concluir o 12º ano de todo o território nacional. As duas amostras justificam-se por um lado, para incluir jovens em estádios de desenvolvimento diferentes, para evitar distorções de memória, e devido ao abandono escolar que se verifica na passagem do ensino básico para o ensino secundário.

- Os questionários serão aplicados através da rede de contactos que a APF tem e como o apoio da CCPES, após terem sido obtidas as autorizações respectivas.

- A informação será tratada informaticamente e com os procedimentos estatísticos adequados, sendo elaborados os respectivos relatórios.

Estatuto: 
Entidade participante
Financiado: 
Não
Keywords: 

Juventude
Sexualidade
Educação sexual

Nas últimas duas décadas do século XX, os jovens portugueses cresceram num contexto de mudanças profundas em termos da sua socialização sexual, ou seja, do conjunto de aprendizagens formais e informais sobre as questões relativas à sexualidade. Por um lado, e num contexto de liberalização de costumes, os meios de comunicação social, nomeadamente aqueles mais especificamente dirigidos aos jovens e a TV, integram crescentemente mensagens e temas de natureza sexual. Por outro lado, as próprias famílias, e num processo de mudança e reflexividade social, deixaram de poder "não falar" de temas de natureza sexual. Pais e filhos são confrontados, na cena familiar, com as mensagens sobre sexualidade que outros actores (meios de comunicação social, amigos) transportam para este contexto de comunicação e, assim sendo, podemos supor que se alteraram também os contextos de socialização familiar. Por outro lado ainda, o Estado integrou a sexualidade nas suas políticas de saúde, de educação e de juventude sob pressão de problemas emergentes relacionados com esta esfera, dos quais o mais proeminente foi, sem dúvida, a SIDA (mais até do que a gravidez na adolescência). Mais frequentemente, os jovens puderam aceder a acções de informação/educação realizadas por profissionais, seja no contexto da sala de aula, seja noutros contextos de aprendizagem formal. Fruto deste processo, os próprios jovens interagem de formas diferentes. A tradição já não é o que era e, sobretudo, as relações entre rapazes e raparigas sofreram mudanças profundas. Ou seja, poderão Ter-se operado mudanças importantes na socialização entre pares. Estas mudanças têm sido evidenciadas em alguns estudos sobre a juventude realizados, nomeadamente pelo IED (1983-85) e pelo ICS (1997). Frequentemente, o ME, a APF e outras instituições envolvidas em programas de educação sexual dos jovens são questionados sobre os progressos havidos na educação sexual nas escolas. Face a esta questão - ou seja, a amplitude da mudança alcançada - dois tipos de respostas costumam emergir: por um lado, posições que acham que os jovens estão já suficientemente informados pelo que a educação sexual na escola não é necessária; por outro, posições que apontam no sentido oposto, ou seja, que nada ou muito pouco mudou, que as escolas não fazem educação sexual e, portanto, que a maioria dos jovens portugueses não tem uma adequada educação sexual. Embora tenham sido feitos alguns estudos sobre os conhecimentos específicos dos jovens - nomeadamente os que integraram o projecto experimental de educação sexual entre 1995-98 -, não existe um conhecimento fundado e rigoroso nesta matéria. Esta lacuna de informação radica numa dificuldade real: a dificuldade que as próprias escolas têm de ter uma informação mais ou menos exacta do que se passa no seu interior. A alternativa, é perceber a situação da educação sexual através dos seus destinatários, nomeadamente os jovens que estão a acabar o ensino básico ou o ensino secundário. Em termos metodológicos, o projecto contemplará as seguintes etapas:

- Será realizado um levantamento prévio de instrumentos já existentes e que possam ser aplicados no estudo.

- Serão construídos e pré-testados dois questionários para recolha dos dados referidos.

- Serão constituída duas amostras estruturadas e por quotas, representando jovens que estão a concluir o 9º ano e jovens que estão a concluir o 12º ano de todo o território nacional. As duas amostras justificam-se por um lado, para incluir jovens em estádios de desenvolvimento diferentes, para evitar distorções de memória, e devido ao abandono escolar que se verifica na passagem do ensino básico para o ensino secundário.

- Os questionários serão aplicados através da rede de contactos que a APF tem e como o apoio da CCPES, após terem sido obtidas as autorizações respectivas.

- A informação será tratada informaticamente e com os procedimentos estatísticos adequados, sendo elaborados os respectivos relatórios.

Objectivos: 
<p>O objectivo geral deste estudo é o de compreender de forma rigorosa e periódica, o actual nível de educação sexual dos jovens portugueses escolarizados e o papel da escola e dos professores neste processo, a partir da informação recolhida nos próprios destinatários da educação sexual, ou seja, os jovens. <br />São objectivos específicos deste estudo obter um conhecimento mais rigoroso sobre: </p><p>- a qualidade dos conhecimentos dos jovens sobre diversos tópicos relevantes da sua educação sexual; </p><p>- a importância dos diferentes agentes de socialização no processo de educação sexual do jovens; </p><p>- a intervenção específica da escola e dos professores neste processo; </p><p>- a diversidade existente entre os jovens em matéria de educação sexual em termos de género, condição social e situação geográfica.</p>
Duarte Vilar
Coordenador 
Data Inicio: 
02/01/2007
Data Fim: 
01/12/2010
Duração: 
47 meses
Concluído