Cidades médias e desenvolvimento local

Cidades médias e desenvolvimento local

O presente projecto de pós-doutoramento em sociologia incide sobre as temáticas do rural e do urbano. O objectivo geral do trabalho visa analisar o modo como as cidades portuguesas se interrelacionam com as áreas rurais envolventes e entre si, em termos demográficos, sócio-económicos e sócio-culturais.

O rural e o urbano não serão estudados como dois mundos diferentes e relativamente autónomos, mas como realidades interdependentes que participam na construção de um mesmo mundo, cada vez mais interligado num sistema reticular complexo. Com base nos dados da investigação pretendemos delinear alguns eixos de desenvolvimento que contribuam para uma maior integração das dinâmicas territoriais.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Desenvolvimeto Local

Urbano

Rural

O presente projecto de pós-doutoramento em sociologia incide sobre as temáticas do rural e do urbano. O objectivo geral do trabalho visa analisar o modo como as cidades portuguesas se interrelacionam com as áreas rurais envolventes e entre si, em termos demográficos, sócio-económicos e sócio-culturais.

O rural e o urbano não serão estudados como dois mundos diferentes e relativamente autónomos, mas como realidades interdependentes que participam na construção de um mesmo mundo, cada vez mais interligado num sistema reticular complexo. Com base nos dados da investigação pretendemos delinear alguns eixos de desenvolvimento que contribuam para uma maior integração das dinâmicas territoriais.

Objectivos: 
O estudo pretende responder à seguinte pergunta de partida: <br />Em que medida a dinâmica relacional estabelecida entre as cidades médias e as zonas rurais contribui para a consolidação dos próprios centros urbanos e para o desenvolvimento e revitalização das áreas regressivas envolventes?
State of the art: 
O significado do conceito de cidade média tem vindo a sofrer profundas alterações desde os anos 70 (Costa, 2002). Numa primeira fase este era determinado principalmente pelo factor dimensão, identificando as cidades que não alcançavam o volume de residentes das grandes metrópoles, mas que detinham uma quantidade suficientemente relevante de população. Segundo esta óptica, a densidade morfológica da cidade média estava compreendida entre as áreas urbanas densamente povoadas e as aglomerações rurais de baixa densidade. <br>No entanto, com a complexificação da urbanização e a emergência da sociedade em rede os factores de ordem morfológica e hierárquica deixaram de ser suficientes para caracterizar a realidade sócio-económica das cidades médias. Na verdade, a relação relativamente linear estabelecida entre volume populacional médio e dinâmica funcional intermédia já não faz muito sentido, na medida em que certas cidades menos populosas podem deter maiores índices de dinamismo do que extensas áreas urbanas e suburbanas: a localização de certos nichos de excelência pode fazer toda a diferença para a dinamização de uma cidade de dimensão média. <br>Como demonstra Castells (2000), a emergência da sociedade em rede organiza-se, em grande medida, em torno das cidades mais dinâmicas. A direcção e a aglutinação das diversas redes informacionais são condicionadas pela configuração geográfica das cidades mais globalizadas. Ou seja, se é verdade que a dinâmica das cidades se baseia, cada vez mais, em processos organizados em rede, também se pode dizer que a dinâmica das redes resulta, em grande parte, do dinamismo das cidades. O espaço dos fluxos é assim um espaço relacional de natureza reticular ancorado em territórios fortemente urbanizados. <br>É, neste âmbito, que surge o conceito de cidade intermediária assente em valores de natureza mais qualitativa e relacional. Segundo João Ferrão et al, «o novo conceito (ou a nova perspectiva) sublinha os aspectos relacionais e sobretudo as formas de organização reticulares. O duplo sentido de intermédio/intermediário sugere a ideia de um espaço de relações (entre cidades e entre cidades e regiões), estruturado em nós e fluxos, onde a cidade intermédia é (ou pode e deve ser) um medianeiro, um ponto de encontro e de passagem obrigatório» (Ferrão et al, 1994: 1128). <br>A função medianeira não remete exclusivamente para um sistema hierárquico, pelo contrário, ela aponta de forma crescente para plataformas reticulares de tipo horizontal, isto é, entre espaços urbanos com dimensões e valências relativamente similares. A noção de rede de cidades proposta por R. Camagni (1993) contempla essa tendência para a horizontalidade das relações e dos fluxos entre cidades. <br>O significado das noções de intermediação ou de mediação é mais amplo e ultrapassa o carácter reticular estabelecido ao nível do espaço dos fluxos. Na verdade, a cidade está cada vez mais integrada num complexo sistema relacional em que a componente territorial de proximidade ainda mantém uma importância decisiva. Para as cidades intermédias, a relação com o meio envolvente continua a ser uma dimensão fundamental para o seu desenvolvimento (Brunet, 2000). <br>
Coordenador 
Data Inicio: 
01/02/2006
Data Fim: 
01/02/2009
Duração: 
36 meses
Concluído