Capital Humano e Desenvolvimento Económico
Capital Humano e Desenvolvimento Económico
As últimas décadas têm assistido a uma expansão enorme de estudos sobre a relação entre estas duas variáveis nos mais diversos contexto, temporais e geográficos. Este projecto presta um contributo para este debate através do estudo do capital humano em Portugal, primordialmente durante o século XIX, e as suas repercussões sobre o desempenho da economia. São várias as vertentes abrangidas. Numa das suas dimensões, incide sobre o caso particular da lenta industrialização de Portugal no século XIX e o papel nisso da elevada iliteracia da mão-de-obra industrial portuguesa. Os resultados obtidos até agora sugerem, à semelhança de outros países, que o capital humano não-escolar pode ter sido mais importante deste ponto de vista do que a literacia e que a sua escassez podia estar relacionada com o baixo nível tecnológico da própria indústria. Uma segunda parte debruça-se sobre o estudo do nível e da forma de aquisição de uma outra forma de capital humano, designadamente a numeracia. Está-se aqui a seguir uma nova corrente de pesquisas que usa a técnica do "age-heaping", baseada no estudo detalhado dos censos populacionais, e que tem sido frutífera noutros contextos. Procura-se fazer estimativas micro deste fenómeno e relacioná-lo com factores locais determinantes da aquisição da habilidade para manusear números. Um terceiro aspecto deste projecto relaciona-se com a formação da mão-de-obra de "colarinho branco", o que se faz em ligação com o estudo do Banco de Portugal referido no projecto P-156. A hipótese seguida neste caso é que, em ambientes de trabalho como este, em que os requisitos de capital humano são grandes e de formação e monitorização custosa, emergem os chamados "mercados de trabalho interno". Estes asseguram uma oferta estável e mecanismos de vigilância sobre os trabalhadores eficazes e baratos. A sua presença testa-se verificando se a carreira destes trabalhadores obedece a requisitos como salários superiores ao resto do mercado, garantia de progressão de carreira no longo prazo e limitação de ingresso nessa carreira às posições inferiores da mesma. Finalmente, integra-se neste projecto uma pesquisa em antropometria histórica, que utiliza as estaturas dos mancebos em idade militar para aferir dimensões do capital humano que reflictam a saúde e a robustez física. Esta abordagem serve também para deduzir, por aproximação, a evolução do rendimento bruto per capita dos portugueses e compará-lo com a pletora de estudos similares que se vem desenvolvendo em outros países há trinta anos.
Estatuto:
Entidade proponente
Financiado:
Não
As últimas décadas têm assistido a uma expansão enorme de estudos sobre a relação entre estas duas variáveis nos mais diversos contexto, temporais e geográficos. Este projecto presta um contributo para este debate através do estudo do capital humano em Portugal, primordialmente durante o século XIX, e as suas repercussões sobre o desempenho da economia. São várias as vertentes abrangidas. Numa das suas dimensões, incide sobre o caso particular da lenta industrialização de Portugal no século XIX e o papel nisso da elevada iliteracia da mão-de-obra industrial portuguesa. Os resultados obtidos até agora sugerem, à semelhança de outros países, que o capital humano não-escolar pode ter sido mais importante deste ponto de vista do que a literacia e que a sua escassez podia estar relacionada com o baixo nível tecnológico da própria indústria. Uma segunda parte debruça-se sobre o estudo do nível e da forma de aquisição de uma outra forma de capital humano, designadamente a numeracia. Está-se aqui a seguir uma nova corrente de pesquisas que usa a técnica do "age-heaping", baseada no estudo detalhado dos censos populacionais, e que tem sido frutífera noutros contextos. Procura-se fazer estimativas micro deste fenómeno e relacioná-lo com factores locais determinantes da aquisição da habilidade para manusear números. Um terceiro aspecto deste projecto relaciona-se com a formação da mão-de-obra de "colarinho branco", o que se faz em ligação com o estudo do Banco de Portugal referido no projecto P-156. A hipótese seguida neste caso é que, em ambientes de trabalho como este, em que os requisitos de capital humano são grandes e de formação e monitorização custosa, emergem os chamados "mercados de trabalho interno". Estes asseguram uma oferta estável e mecanismos de vigilância sobre os trabalhadores eficazes e baratos. A sua presença testa-se verificando se a carreira destes trabalhadores obedece a requisitos como salários superiores ao resto do mercado, garantia de progressão de carreira no longo prazo e limitação de ingresso nessa carreira às posições inferiores da mesma. Finalmente, integra-se neste projecto uma pesquisa em antropometria histórica, que utiliza as estaturas dos mancebos em idade militar para aferir dimensões do capital humano que reflictam a saúde e a robustez física. Esta abordagem serve também para deduzir, por aproximação, a evolução do rendimento bruto per capita dos portugueses e compará-lo com a pletora de estudos similares que se vem desenvolvendo em outros países há trinta anos.
Objectivos:
Aproveitando os estudos antropométricos que se têm feito, está em preparação um paper sobre a formação literária dos portugueses no primeiro quartel do século XX em relação com as ocupações respectivas. Isto permitirá entender melhor as necessidades em capital humano de vários tipos de trabalho na sociedade de então. Uma segunda linha de análise conduz ao estudo do factor humano na história bancária portuguesa. Um livro em vias de preparação foca os dirigentes e os trabalhadores do Banco de Portugal no período 1846-1914, analisando em ambos casos a respectiva dotação em capital humano, um estudo de caso que corresponde a duas elites na sociedade portuguesa: a dos banqueiros e a dos trabalhadores bancários. Um terceiro objectivo visa o conhecimento da numeracia em Portugal à luz do censo de 1940, procurando integrá-lo num conhecimento não-quantitativo dos processos de aprendizagem deste conhecimento fundamental para a evolução económico.
Parceria:
Não Integrado





