Vera Ferreira
Vera Ferreira é doutoranda em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde integra o SHIFT - Grupo de Investigação Ambiente, Território e Sociedade. O seu projeto de tese intitula-se "A transição energética em Portugal no horizonte 2050: uma análise à luz do conceito de democracia energética" e os seus atuais interesses de investigação incluem a democracia energética e as transições energéticas justas. Foi investigadora júnior do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra entre 2019 e 2022, tendo participado na equipa do Projeto TROPO - Ontologias do Antropoceno em Portugal: movimentos sociais, políticas públicas e tecnologias emergentes. É mestre em Relações Internacionais (2017), na especialidade de Estudos da Paz e da Segurança, pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e é licenciada em Relações Internacionais (2015) pela mesma faculdade.
Equipa de Orientação
Tese / Dissertação
Esta investigação explora o potencial das comunidades de energia renovável (CER), um ator emergente na transição energética, como instrumento de democratização energética em Portugal. Através de grelhas de análise ancoradas nos conceitos de democracia energética e de energia renovável comunitária, foram examinados quatro estudos de caso – os programas “100 Aldeias” e “Comunidades Inclusivas” e as CER de Telheiras e da Ilha da Culatra –, com o intuito de aferir se constituem instrumentos de democratização energética e expressões de energia renovável comunitária. Estas iniciativas distinguem-se pelo estatuto legal, perfil dos atores envolvidos, modalidade de propriedade e controlo, grau de envolvimento das comunidades locais e distribuição dos benefícios financeiros. A sua caracterização foi aprofundada através de análise documental, entrevistas semiestruturadas, observação participante e visitas de campo.
A investigação revela que as CER enfrentam barreiras técnicas e administrativas significativas, que dificultam a sua expansão e consolidação. Demonstra ainda que nem todas as iniciativas coletivas e descentralizadas de energias renováveis, frequentemente denominadas de comunidades de energia renovável, representam instrumentos de democratização energética e expressões de energia renovável comunitária.
Da análise comparativa dos estudos de caso resultou uma tipologia das iniciativas coletivas e descentralizadas de energias renováveis em Portugal: autoconsumos coletivos liderados por empresas privadas, autoconsumos coletivos em regime de parceria e CER de base local. Estas categorias divergem no seu potencial contributo para fomentar a democracia energética e a energia renovável comunitária.
Conclui-se que a concretização do potencial democratizador das CER depende do seu alinhamento com os pilares da energia renovável comunitária – enraizamento local, governança democrática e participação direta de cidadãos e comunidades –, bem como de um compromisso mais amplo destas iniciativas para com a transformação estrutural do sistema energético.



