RELATÓRIO PRELIMINAR

RELATÓRIO PRELIMINAR

Um estudo realizado por uma equipa de investigadores das Universidades de Coimbra, de Lisboa  - através do ICS* - e do Minho revela que a Declaração do Estado de Emergência (DEE) e as medidas de contenção à Covid-19 tiveram efeitos sobre a situação laboral, as rotinas profissionais e as expectativas dos jornalistas em Portugal.

De acordo com os resultados preliminares do inquérito a que responderam 890 jornalistas, entre 25 de maio e 8 de junho, o salário bruto sofreu alterações para quase um quarto dos profissionais. Se se tiver em conta a remuneração total do agregado familiar, a Declaração do Estado de Emergência afetou mesmo um terço dos jornalistas. De acordo com os mesmos dados, 15,5% dos jornalistas inquiridos disseram que a sua situação laboral se alterou, sendo que em 11,1% dos casos falamos de processos relacionados com o lay-off. Os profissionais mais afectados (74%) auferem menos de 1.000 euros mensais.

O estudo contou com a colaboração do Sindicato de Jornalistas, da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e da Associação Portuguesa das Ciências da Comunicação e revela também que a situação por que passaram os média durante a DEE terá provocado um enfraquecimento das expectativas relativamente à profissão. Aumentou o número de profissionais que sentem os seus empregos ameaçados e o número daqueles que consideram mais provável a possibilidade de abandonarem a profissão a curto ou médio prazo.

Das respostas dos 799 inquiridos que têm o jornalismo como atividade principal ou secundária permitem perceber que, após a Declaração do Estado de Emergência-DEE, as suas expectativas acerca do futuro da profissão baixaram significativamente:

  •  aumentou a perceção sobre a probabilidade de perder o emprego a curto prazo;
  •  baixou a perceção sobre a probabilidade de encontrar um novo emprego no jornalismo, se se estivesse numa situação de desemprego;
  •  aumentou o número de jornalistas que admite a probabilidade de deixar de exercer a profissão a curto ou médio prazo;

Universo de inquiridos e respondentes:

O questionário esteve disponível entre os dias 25 de maio e 8 de junho. De acordo com os dados extraídos no dia 9 de junho, responderam ao inquérito 890 jornalistas que representam 13,33% do total de jornalistas registados (6678) na Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas. Dos 890 respondentes, 567 são homens e 323 mulheres. A distribuição da amostra por género é muito próxima da distribuição global do total dos jornalistas portugueses.

Aceder ao   Relatório Preliminar (30 junho 2020)

* Pelo ICS participaram os investigadores José Luis Garcia, José Nuno Matos e Pedro Alcantara da Silva.

 

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