Globalização e Relações Laborais em Portugal

Globalização e Relações Laborais em Portugal

A desterritorialização dos processos económicos, a par das novas tecnologias de produção e de informação, criaram novas formas de trabalho que sendo assentes numa lógica de liberalização e de flexibilização, alteraram profundamente o sistema de relações laborais.
Tendo como ponto de partida as profundas alterações produzidas pela nova conjuntura económica global na esfera do mundo do trabalho, pretende-se averiguar os impactos de tais transformações no sistema de relações laborais português, as quais apresentam distintas repercussões nos diversos sectores de actividade económica. Se, por um lado, os efeitos da liberalização dos mercados económicos mundiais, na sociedade portuguesa, têm sido o da deslocalização das indústrias para países com menores custos de produção, o que implica o aumento do desemprego em alguns sectores económicos, nomeadamente dos sectores têxtil, calçado e automóvel. Por outro lado, o desenvolvimento dos transportes e das telecomunicações tem vindo a gerar novos postos de trabalho na área dos serviços, em particular na área das novas tecnologias e nas indústrias do turismo, bem como a reestruturação tecnológica e organizacional do sector bancário.
Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Sim
Keywords: 
Globalização, Relações laborais, Emprego
A desterritorialização dos processos económicos, a par das novas tecnologias de produção e de informação, criaram novas formas de trabalho que sendo assentes numa lógica de liberalização e de flexibilização, alteraram profundamente o sistema de relações laborais.
Tendo como ponto de partida as profundas alterações produzidas pela nova conjuntura económica global na esfera do mundo do trabalho, pretende-se averiguar os impactos de tais transformações no sistema de relações laborais português, as quais apresentam distintas repercussões nos diversos sectores de actividade económica. Se, por um lado, os efeitos da liberalização dos mercados económicos mundiais, na sociedade portuguesa, têm sido o da deslocalização das indústrias para países com menores custos de produção, o que implica o aumento do desemprego em alguns sectores económicos, nomeadamente dos sectores têxtil, calçado e automóvel. Por outro lado, o desenvolvimento dos transportes e das telecomunicações tem vindo a gerar novos postos de trabalho na área dos serviços, em particular na área das novas tecnologias e nas indústrias do turismo, bem como a reestruturação tecnológica e organizacional do sector bancário.
Objectivos: 
O projecto guia-se pela prossecução de dois objectivos fundamentais. Em primeiro lugar, segue a finalidade de analisar as consequências sócio-económicas da deslocalização das empresas multinacionais na esfera das relações laborais portuguesas, bem como da criação de emprego no sector terciário, possibilitada pelo desenvolvimento das novas tecnologias de informação e de produção. <br>Em segundo lugar, pretende-se estudar o desenvolvimento e o impacto das novas formas flexíveis de emprego nos actores envolvidos nas relações de trabalho. Neste nível de análise procura-se aprofundar o conhecimento das estratégias de actuação e de interacção desenvolvidas pelos parceiros sociais. <br>Pretende-se também a divulgação de boas práticas de solução de conflitos no âmbito das relações de trabalho. <br>O estudo orienta-se pela seguinte hipótese principal: Existe uma relação de influência dialéctica entre as relações de trabalho e a conjuntura económica e política. <br>
State of the art: 
A tem&aacute;tica da globaliza&ccedil;&atilde;o no sentido das rela&ccedil;&otilde;es laborais e do trabalho, em Portugal, tem sido alvo de poucos estudos e an&aacute;lises, da&iacute; alguma dificuldade em poder reconhecer-se este facto na sua total extens&atilde;o, assim como os seus elementos determinantes, de um modo aprofundado. <br />O progresso tecnol&oacute;gico, a concorr&ecirc;ncia e a globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fen&oacute;menos interdependentes, que se t&ecirc;m vindo a afirmar cada vez mais (Lima, 2002). Embora n&atilde;o se trate de fen&oacute;menos novos, o seu impacto ao n&iacute;vel da afecta&ccedil;&atilde;o de recursos e da organiza&ccedil;&atilde;o das economias est&aacute; a atingir uma fase cr&iacute;tica, devido ao progresso no sector das comunica&ccedil;&otilde;es, &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de barreiras ao com&eacute;rcio, &agrave; liberaliza&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o de capitais e &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es na organiza&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gias empresariais. <br />As rela&ccedil;&otilde;es laborais e do trabalho reflectem todo um conjunto de pr&aacute;ticas em constante transforma&ccedil;&atilde;o e ajustamento, seja &agrave; efici&ecirc;ncia econ&oacute;mica, &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o da competitividade, aos novos conceitos da gest&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o, seja a outros elementos relacionados com a pol&iacute;tica nacional ou internacional (Lima, 2002). O aumento da competitividade global conduz a in&uacute;meras press&otilde;es e mudan&ccedil;as nas empresas e nas suas tomadas de decis&atilde;o estrat&eacute;gicas. Da&iacute; a necessidade de conhecer e interpretar alguns desses efeitos. <br />O processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o e o consequente ajustamento das empresas &agrave;s exig&ecirc;ncias da globaliza&ccedil;&atilde;o exp&otilde;e v&aacute;rios actores (empresas, trabalhadores, sindicatos), a uma s&eacute;rie de novos panoramas s&oacute;cio-econ&oacute;micos. <br />O impacto da globaliza&ccedil;&atilde;o no emprego n&atilde;o &eacute; consensual. Se por um lado, surgem novas oportunidades para a cria&ccedil;&atilde;o de empresas e expans&atilde;o de empresas existentes, por outro lado, estamos perante uma redu&ccedil;&atilde;o de emprego. De acordo com a Comiss&atilde;o Europeia, a acelera&ccedil;&atilde;o da liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio mundial, aliada ao fraco crescimento econ&oacute;mico da Europa, implicar&aacute; a perda de 860 mil postos de trabalho na Uni&atilde;o Europeia entre 1998 e 2010, apenas no sector t&ecirc;xtil e do vestu&aacute;rio, sectores de grande relev&acirc;ncia para a economia portuguesa.
Coordenador ICS 
Data Inicio: 
01/09/2007
Data Fim: 
03/03/2010
Duração: 
30 meses
Concluído