Salazarismo e Cultura Popular (1933-1958)

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A política cultural do Estado Novo tinha subjacente a vontade de transformar a cultura do povo. A sua intervenção fez-se sentir sobretudo nas Casas do Povo, nos ranchos folclóricos, no artesanato, nos museus etnográficos, na literatura popular e nas marchas populares (criadas em Lisboa mas depois disseminadas por todo o país, incluindo as colónias).
O autor procura demonstrar que o salazarismo promoveu um modelo ruralista, tradicionalista e nacionalista de cultura popular, com o duplo objectivo de se legitimar e de estabelecer um consenso em torno do universo de valores que, na sua óptica, enformavam a identidade portuguesa. Apesar disso, o associativismo popular livre resistiu ao programa autoritário do regime, tal como o comprova o estudo de caso da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio.
Mais de vinte anos após a sua publicação, Salazarismo e Cultura Popular mantém uma notável atualidade no campo dos estudos da cultura do Estado Novo, ou seja, daquele conjunto de práticas e instituições que definiram a ideologia do regime.
O livro oferece uma descrição particularmente detalhada dos atores institucionais e não institucionais, que, ao longo de décadas, construíram a imagem de Portugal como país rural e dos portugueses como um povo de camponeses. Em simultâneo, impede que a cultura salazarista se encerre na própria lógica totalitária com que procurou sistematizar a identidade nacional, com a sua impecável arrumação de classes, regiões, objetos e práticas. Oferece-nos, assim, um exemplo do que pode ser uma história aberta a todas as tensões e contradições que marcaram a vida cultural do período.
Luís Trindade, IHC, NOVA FCSH
| Índice | |
| Índice de quadros e gráficos | 9 |
| Preâmbulo à terceira edição | 11 |
| Prefácio Luís Trindade |
15 |
| Introdução | 21 |
| Capítulo 1 | |
| Caracterização da problemática do popular: estado actual da investigação Contributos para o estudo da cultura popular sob o salazarismo |
27 |
| Capítulo 2 | |
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O discurso sobre a cultura popular: análise das representações oficiais |
47 |
| Capítulo 3 | |
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Abordagem das práticas culturais no plano corporativo |
107
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| Capítulo 4 | |
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Abordagem das práticas culturais no plano não corporativo |
203 |
| Capítulo 5 | |
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Repressão da concorrência não consentida
Contexto da alternativa: propostas oposicionistas para a cultura popular Metamorfoses da influência política das oposições: associativismo cultural como bandeira da resistência Alcance político do associativismo popular livre e a anulação oficial da escala nacional Estudo de caso: a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio «Denunciar o indiferentismo político e religioso»: a radicalização política do regime salazarista «Não se compreende uma educação a que falte o comando de uma doutrina»: a imposição ideológica Persistência de um projecto alternativo da sociedade civil para o campo cultural Negociação entre o SNI e a sociedade civil: nem integração nem total autonomia O projecto cultural federativo e as contendas jurídicas: luta pela sobrevivência político-social A defesa da utilidade pública para fazer face aos encargos tributários A propriedade intelectual: direitos de autor vs direitos sociais (litígio com a SECTP) Impacte e orientação das actividades culturais da sociedade civil por via do federativismo A repressão oficial do associativismo cultural livre |
315 317 322 332 340340 344 344 346 352 359
|
| Conclusão | 363 |
| Siglas e abreviaturas | 367 |
| Fontes e bibliografia | 371 |
| Índice remissivo | 387 |
Daniel Melo é professor auxiliar na Universidade Aberta, Departamento de Ciências Sociais e de Gestão, e investigador integrado do CHAM - Centro de Humanidades, NOVA FCSH.
Licenciou-se em História pela NOVA FCSH, sendo ainda mestre em História dos séculos XIX e XX pela mesma instituição. Doutorou-se em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE-IUL com a tese «A Leitura Pública no Portugal Contemporâneo», reconhecida com o Prémio de História Contemporânea Victor de Sá e publicada em 2005 pela Imprensa de Ciências Sociais.
A sua pesquisa tem-se focado na história das políticas culturais, das práticas e representações socioculturais, assim como da leitura, do livro e da edição, da sociedade civil, dos direitos humanos e das migrações. Sobre essas temáticas foi autor e coeditor de 3 livros na Imprensa de Ciências Sociais.
Dos seus trabalhos mais recentes destacam-se «A censura aos livros no Portugal de Salazar», in Livros Proibidos no Estado Novo (4.ª ed. rev.ª e aumentada, Lisboa, Assembleia da República, 2024); «‘Living normally’: everyday life under Salazarism» (European History Quarterly, 2022); e «Debates sobre a cultura em Portugal: o complexo caso do livro e da leitura» (Sociologia, Problemas e Práticas, 2020).
Este trabalho obteve o Prémio de História Contemporânea «Victor de Sá», atribuído pela Universidade do Minho em 1998.
Mais de vinte anos após a sua publicação, Salazarismo e Cultura Popular mantém uma notável atualidade no campo dos estudos da cultura do Estado Novo, ou seja, daquele conjunto de práticas e instituições que definiram a ideologia do regime.
O livro oferece uma descrição particularmente detalhada dos atores institucionais e não institucionais, que, ao longo de décadas, construíram a imagem de Portugal como país rural e dos portugueses como um povo de camponeses. Em simultâneo, impede que a cultura salazarista se encerre na própria lógica totalitária com que procurou sistematizar a identidade nacional, com a sua impecável arrumação de classes, regiões, objetos e práticas. Oferece-nos, assim, um exemplo do que pode ser uma história aberta a todas as tensões e contradições que marcaram a vida cultural do período.
Luís Trindade, IHC, NOVA FCSH



