O Crepúsculo dos Grandes

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A aristocracia portuguesa do Antigo Regime, criticada pelos liberais no século XIX e recorrentemente comentada pela historiografia desde então, foi pela primeira vez estudada de forma sistemática neste livro. O grupo cristalizou-se com o fim da Guerra da Restauração como elite de corte da nova dinastia reinante da Casa de Bragança, mantendo uma impressionante estabilidade até finais do século XVIII.
A reprodução da elite aristocrática passou pelas estratégias ativamente prosseguidas pelas casas que a compunham, designadamente pela estrita disciplina familiar que pesava sobre os destinos individuais de todos quantos nelas nasciam. O grande exclusivismo social, que constituía uma das suas marcas fundamentais, era necessário à conservação da sua hegemonia no acesso aos cargos superiores da monarquia e à remuneração dos serviços resultantes do seu desempenho. A dependência das relações com a coroa e tendência crónica para o endividamento contribuiriam para tornar a aristocracia portuguesa especialmente vulnerável à legislação hostil do liberalismo triunfante em 1834.
O virtuosismo da composição está no modo como estes temas, sem perderem a sua individualidade, se entrelaçam na unidade discursiva que atravessa toda a obra. Um grande trabalho de investigação, como este é, permanece
aberto para interrogações que escapam às suas intenções expressas.
Rui Santos, NOVA FCSH
| Índice | |
| Lista de quadros e gráficos | 13 |
| Prefácio Rui Santos |
17 |
| Apresentação | 23 |
| Convenções e abreviaturas | 29 |
| PARTE I A CONSTITUIÇÃO DA ELITE ARISTOCRÁTICA |
|
| Capítulo 1 Vocabulário social e «sociedade de ordens»: o estatuto da Grandeza na dinastia de Bragança |
33 |
| Capítulo 2 A concessão de títulos |
49 |
| Capítulo 3 A concentração e a curialização das honras e das distinções: os senhorios e as comendas |
61 |
| PARTE II CASA, LINHAGEM E REPRODUÇÃO SOCIAL |
|
| Capítulo 4 Introdução |
67 |
|
Objectivos |
67 68 |
| Capítulo 5 Nupcialidade e celibato |
73 |
| Capítulo 6 Casamento e homogamia social |
87 |
| Capítulo 7 Casa e linhagem: o vocabulário |
93 |
| Capítulo 8 Casamento e dote |
111 |
| Capítulo 9 O «rei casamenteiro», a hierarquia entre as casas e o episódio puritano |
139 |
| Capítulo 10 A casa e o destino dos filhos |
153 |
| Capítulo 11 A escolha dos cônjuges |
167 |
| Capítulo 12 A crise de um modelo |
177 |
| Capítulo 13 Conclusões |
209 |
| PARTE III OS RENDIMENTOS E A ADMINISTRAÇÃO DAS CASAS TITULARES NOS FINAIS DO ANTIGO REGIME |
|
| Capítulo 14 Introdução |
215 |
|
As imagens e os problemas (I): doações régias e aristocracia em Portugal nos finais do Antigo Regime |
215 229 238 |
| Capítulo 15 A composição e a distribuição geográfica dos rendimentos: um retrato estrutural nos finais do Antigo Regime |
249 |
|
Objectivos, métodos e fontes |
249 272 301 311 |
| Capítulo 16 As tendências seculares dos rendimentos A hierarquia entre as casas |
331 |
|
A evolução dos rendimentos (século XVIII -1834) |
331 338 340 |
| Capítulo 17 A formação dos patrimónios e as formas da sua transmissão |
347 |
|
O quadro institucional da construção das casas: recapitulações |
347 348 362 |
|
Capítulo 18 |
379 |
|
Os problemas |
379 |
| Capítulo 19 A «decente sustentação» dos Grandes: residência, níveis de consumo e estrutura das despesas. A casa e a «família» |
431 |
|
Introdução: padrões de vida e hierarquia social na sociedade do Antigo Regime tardio |
431 434 439 455 |
| Capítulo 20 Senhores e «vassalos» |
475 |
|
Introdução |
475 480 481 484 495 498 |
| Capítulo 21 Conclusões |
507 |
| PARTE IV OFÍCIO E SERVIÇO: SONDAGEM SOBRE OS GRANDES E A ELITE DE PODER DA MONARQUIA |
|
|
Nota prévia |
514 |
| Capítulo 22 A produção de serviços e os ofícios da República: a problemática |
515 |
|
Perspectivas europeias |
515 |
| Capítulo 23 As trajectórias dos Grandes |
531 |
|
Os perfis educacionais |
531 534 |
| Capítulo 24 Os Grandes nos ofícios da República |
541 |
|
Introdução |
541 |
| Capítulo 25 A remuneração dos serviços e as doações régias |
557 |
|
Conclusão geral |
563 569 587 591 593 633 |
Nuno Gonçalo Monteiro, doutorado e agregado em História, é investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde é também professor. A sua área preferencial de investigação é a história social e institucional do Antigo Regime e dos primeiros liberalismos numa perspetiva transcontinental. Foi professor visitante em diversas universidades, coordenou vários projetos científicos internacionais e realizou numerosas conferências e comunicações. Entre mais de duzentos títulos publicados, é autor de Elites e Poder (4.ª ed.2024), D. José (3.ª ed., 2025), coautor da História de Portugal (11.ª ed., 2021) e cocoordenador de Um Reino e suas Repúblicas no Atlântico (2017), de Political Thought in Portugal and its Empire, c. 1500-1800 (2021), do livro 1822. Das Américas Portuguesas ao Brasil (2022), e do Dicionário Crítico da Revolução Liberal (1820-1834) (2025).



