Medicina e Império em Goa

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O livro Medicina e Império em Goa: do Conhecimento das Plantas à Biopolítica Colonial é uma obra imensamente oportuna. Partindo da etnografia de arquivo — espécie da antropologia histórica — como método privilegiado de investigação, o livro dá a escutar, com a vibração da palavra viva, a voz de atores e grupos que estariam, como querem algumas interpretações, ontologicamente condenados a não falar. Ao não se contentar apenas com a denúncia necessária e descrição das abominações do colonialismo, a obra captura, nos interstícios do arquivo e nas entrelinhas da documentação, o império em seus fluxos e refluxos, vacilações e improvisos. Interrogando a medicina praticada na Goa portuguesa em todas as suas dimensões, os capítulos desmontam a máquina colonial de administração dos corpos e revelam seus mecanismos de funcionamento, suas muitas peças em fricção, e as identidades complexas de seus operadores, que não se deixam essencializar na oposição entre europeus e "outros". [Thomás A. S. Haddad, Universidade de São Paulo, Brasil]
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Cristiana Bastos |
p. 15 |
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Capítulo 1 Os diálogos de Orta e Ruano sobre as frutas e legumes do Oriente: os testemunhos de uma outra face da Ásia |
p. 31 |
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Capítulo 2 «Esperiencias das hervas orientaes»: um inventário quinhentista de materia medica indiana |
p. 59 |
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Capítulo 3 Técnicas terapêuticas nativas da Índia utilizadas nas instituições médicas coloniais portuguesas de Goa, Damão e Diu (1680-1830). |
p. 89 |
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Capítulo 4 As ordens religiosas e a construção de uma medicina europeia aplicada aos trópicos: a ação da Companhia de Jesus a partir de Goa |
p, 123 |
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Capítulo 5 Segredos, orientalismo e botânica médica em Goa, c.1840-1930 |
p. 145 |
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Capítulo 6 Instituições coloniais e processos locais no governo da saúde em Goa: hospitais, físicos-mores, Escola Médica e saúde pública |
p. 187 |
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Capítulo 7 Goa perante a varíola: saberes concorrentes, poderes ambíguos e práticas conjugadas |
p. 235 |
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Capítulo 8 A lanceta contra a deusa: vacina antivariólica e variolização em Goa |
p. 255 |
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Capítulo 9 Goa perante a cólera e a peste: epidemias, conhecimento médico e políticas sanitárias |
p. 287 |
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Capítulo 10 Saúde pública, contextos coloniais e actores locais no século xx: o controlo da doença de Hansen na Índia Portuguesa |
p. 329 |
| Índice Remissivo | p. 363 |
Cristiana Bastos (PhD CUNY 1996) é antropóloga e o seu trabalho intersecta as disciplinas de antropologia, história e estudos sociais de ciência, tecnologia e medicina. É investigadora do quadro do Instituto de Ciências Sociais, onde coordena o Grupo de Investigação Identidades, Culturas, Vulnerabilidades. Em projectos anteriores investigou dinâmicas de população, mobilidades transnacionais, biopolíticas coloniais, medicina e império, história social da saúde e bem-estar, com pesquisa de campo e arquivo em Portugal, Brasil, Estados Unidos, India e Moçambique. Actualmente coordena o projectoThe Colour of Labour(ERC AdG 695573),onde está directamente envolvida nas linhas de pesquisa sobre a Guiana, Hawaii, Nova Inglaterra e Angola.


