Capital Científica

Capital Científica
Práticas da Ciência em Lisboa e a História Contemporânea de Portugal
ISBN: 
978-972-671-540-5
Idioma: 
Português
Ano da primeira edição: 
2019
Data de publicação: 
2019/Out
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
410
Coleção: 
Colecção Geral
Formato: 
Capa Mole
25,00 €22,50 €

Este livro propõe-se fazer da ciência praticada em Lisboa um elemento essencial para a compreensão das dinâmicas históricas do Portugal contemporâneo. Se parece certo que a condição de capital explica o facto de que grande parte da ciência feita em Portugal se tenha concentrado em Lisboa, o conjunto de textos aqui reunido explora as formas como essa centralidade foi construída por meio de objetos técnicos e discursos científicos de modernidade ou decadência. A partir  do estudo de uma série de instituições dá-se conta do modo como ao longo dos séculos XIX e XX os problemas urbanos lisboetas inspiraram o trabalho científico. Mas sobretudo,  mostra-se como é que os projetos políticos do liberalismo,  da república e do fascismo se fizeram na prática com doses  elevadas de ciência e tecnologia e, talvez mais inesperado, como é que cientistas, engenheiros e médicos forneceram matéria de facto para que esses projetos políticos pudessem ser imaginados.

 

Índice de mapas e figuras p. 11
Os autores p. 21
Agradecimentos p. 25

Introdução

Tiago Saraiva e Marta Macedo

p. 27
   
Parte I - Ciência e Regeneração  
   

Capítulo 1 - Engenheiros e capital: ciência e crédito na Escola Politécnica e na Escola do Exército

Marta Macedo

p.45

Capítulo 2 - A astronomia e a cidade: o Observatório Astronómico de Lisboa no espaço e nos tempos da capital

Pedro M. P. Raposo

p. 81

Capítulo 3 - Os espaços dos serviços geológicos: um projecto de domínio territorial

Teresa Salomé Mota, Ana Carneiro e Vanda Leitão

p. 111

Capítulo 4 - Máquinas noturnas: o Instituto Industrial de Lisboa como utopia romântica (1849-1888)

Tiago Saraiva e Ana Cardoso de Matos

p. 139
   
Parte II - Ciência e República  
   

Capítulo 5 - República de laboratório: o Hospital de Rilhafoles, o Instituto Bacteriológico Câmara Pestana e a Faculdade de Medicina de Lisboa

Marta Macedo e Tiago Saraiva

p. 183

Capítulo 6 - A cidade e a produção de um espaço privado de investigação biomédica: o Instituto Bento da Rocha Cabral ( 1921--1953)

Isabel Amaral e Ana Carneiro

p. 213

Capítulo 7 -  Ciências para o povo: espaços de ensino superior para adultos na Lisboa Republicana (Universidade Popular Portuguesa, Universidade Livre e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

Ana Simões e Maria Paula Diogo

p. 251
   
Parte III - Ciência e Estado Novo  
   

Capítulo 8 - O Estado Novo dos engenheiros: Instituto Superior Técnico e Laboratório Nacional de Engenharia Civil

Tiago Saraiva e Maria Paula Diogo

p. 285

Capítulo 9 - Radiações, cancro e ditadura: O Instituto Português de Oncologia e o governo das elites

Tiago Saraiva

p. 325

Capítulo 10 -  O Laboratório de Física e Engenharia Nucleares: uma "esquina do desenvolvimento tecnológico", 1961-1974

Júlia Gaspar

p. 349
   
Bibliografia p. 383

 

Tiago Saraiva é professor associado na Drexel University em Filadélfia, tendo sido  investigador auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa de 2005 a 2012. Foi também professor visitante na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e Berkeley. Em 2016 publicou Fascist Pigs: Technoscientific Organisms and the History of Fascism (MIT Press) que ganhou o prémio Pfizer de livro  do ano da History of Science Society em 2017. O seu novo manuscrito Cloning Whiteness: Californian Oranges and American Democracy in the Global South será publicado em 2020 também pela MIT Press. Juntamente com Amy Slaton é responsável pela edição da revista History and Technology. A sua investigação cruza a história  das ciências com história política, história transnacional e história ambiental. 

Marta Macedo é bolseira de pós-doutoramento do projeto ERC The Colour of Labour no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Foi membro integrado do CIUHCT e investigadora visitante na Universidade da Califórnia em Los Angeles em 2010-2011. Depois de ter trabalhado sobre a história da ciência e tecnologia e a construção do Portugal contemporâneo, dedica-se  atualmente ao estudo das relações entre ciência, tecnologia  e império, nos séculos XIX e XX. O livro que resulta da sua tese de doutoramento – Projectar e Construir a Nação: Engenheiros, Ciência e Território em Portugal no Século XIX – foi publicado pela Imprensa de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa em 2012.