Prémio Fernão Mendes Pinto

Prémio Fernão Mendes Pinto

Tânia dos Reis Alves, no ensino superior, antes de obter o grau de mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação (ISCTE-IUL) (2012) e de se doutorar em Sociologia (ICS da Universidade de Lisboa) (2018), sempre com as mais elevadas classificações, licenciou-se em Jornalismo (ESCS-IPL). Neste percurso, alcançou duas bolsas de investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT): uma bolsa mista de doutoramento, combinando trabalho de investigação em Portugal e no estrangeiro - França e Reino Unido; e uma bolsa para um projeto de investigação internacional (no projeto internacional Mutation of media: transformations in public and scientific communication).

 A sua tese de doutoramento, vencedora do Prémio Fernão Mendes Pinto de 2019, foi orientada por José Luís Garcia (Investigador Principal do ICS), intitulada "1961 - Sob o viés da imprensa. Os jornais portugueses, britânicos e franceses na conjuntura da eclosão da guerra no império português", articula a sociologia da comunicação com um foco na influência dos media na sociedade e na história e cruza um vasto leque de abordagens teóricas na área dos Media e da Comunicação, dos Estudos Coloniais e Pós-Coloniais e dos Estudos de Relações Internacionais. Conceitos como propaganda, desinformação, agenda-setting, media framing, acontecimentos mediáticos, construção social da realidade, diplomacia mediática estão no centro da investigação.

 Autora de artigos científicos e co-organizadora da obra Salazar, O Estado Novo e os Media, o seu trabalho insere-se num novo programa de pesquisa que procura  de uma nova compreensão da relação entre media e imperialismo, colocando o foco nas interações entre comunicação, política, sociedade, cultura e identidades nacionais; explorar o papel social dos media em diferentes momentos socio-históricos, não apenas como meios de representação, mas também como contestação, a partir de uma abordagem interdisciplinar; permitir uma nova visão da articulação e das tensões entre diferentes entidades, instituições e grupos que participaram no estabelecimento, manutenção e queda do império colonial moderno português; compreender os modos complexos como os impérios modernos e a comunicação se influenciaram reciprocamente; e estender este domínio de investigação de um modo que inclua um comprometimento mais profundo com os estudos pós-coloniais.

Atualmente é Bolseira de investigação da Fundação Oriente (2019-2020) com um projeto que propõe analisar as relações Portugal-Índia desde a queda do Estado Português da Índia até ao presente. No âmbito do concurso de Estímulo ao Emprego Científico da FCT, na modalidade de apoio individual, obteve uma posição como investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.