José Machado Pais, Investigador Emérito da Universidade de Lisboa

José Machado Pais, Investigador Emérito da Universidade de Lisboa

A Universidade de Lisboa distinguiu o Doutor José Machado Pais, do Instituto de Ciências Sociais, com o título de Investigador Emérito da Universidade de Lisboa.

A Universidade de Lisboa concede este título, de modo excecional, a professores e investigadores que se distinguiram pela sua ação e prestígio adquirido no seu campo académico e científico, e pela sua contribuição para a projeção nacional e internacional da Universidade de Lisboa.

Doutorado em Sociologia em 1991 no Iscte-IUL, com agregação (Iscte-IUL, 1999), José Machado Pais jubilou como Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, em setembro de 2023. A sua longa carreira como investigador desta instituição foi profícua e diversificada, tendo a sua produção científica marcado com especial ênfase as áreas da Sociologia da Juventude e da Sociologia da Vida Quotidiana a nível nacional e internacional.

Com uma vastíssima obra científica conhecida e reconhecida nestas áreas, sempre inovadora na apresentação de novos conceitos e caminhos metodológicos para entender a realidade social, José Machado Pais “deambulou” também pelas áreas da história e musicologia, da sociologia da cultura, da religião e da educação, sempre que um “enigma” intrigasse a sua curiosidade científica, desenvolvendo com criatividade e imaginação sociológica caminhos de pesquisa próprios e inovadores. As aspas aqui usadas destacam expressões que inspiraram gerações de estudantes e orientados/as, a quem despertava e sensibilizava para a necessidade de uma prática de pesquisa orientada pela “lógica da descoberta”, e não apenas pela “lógica de demonstração” de hipóteses conducentes a resultados esperados. A serendipidade não era algo que acontecia inesperadamente na sua prática de pesquisa, era antes um princípio orientador desta, fosse qual fosse o domínio social onde era realizada.

Publicou cerca de 40 livros com várias edições – mais de 20 de autoria individual - de entre os quais se destacam: A Prostituição e a Lisboa Boémia (1985, 2008, 2016); Artes de Amar da Burguesia (1986, 2006); Culturas Juvenis (1993, 1995, 2003); Consciência Histórica e Identidade (1999, 2016); Sousa Martins e suas Memórias Sociais: Sociologia de uma Crença Popular (1994); Sociologia da Vida Quotidiana (2002, 2004, 2007, 2010, 2012; 2015); Ganchos, Tachos e Biscates. Jovens, Trabalho e Futuro (2001, 2003, 2005, 2016); Nos Rastos da Solidão (2006, 2007, 2016); Vida Cotidiana: Enigmas e Revelações (São Paulo, Cortez, 2005); Chollos, Chapuzas, Changas. Jóvenes, Trabajo Precário y Futuro (Barcelona, 2007); Lufa-lufa Quotidiana. Ensaios sobre Cidade, Cultura e Vida Urbana (2010, 2014); Sexualidade e Afetos Juvenis (2012); Enredos Sexuais, Tradição e Mudança: as Mães, os Zecas e as Sedutoras de Além-mar (2016); Jóvenes y Creatividad: entre futuros sombríos y tiempos de conquista (Barcelona, 2020).

Acrescem a estes cerca de 100 artigos em revistas internacionais de referência em várias línguas e pontos do globo - Análise Social, Cadernos de Pesquisa; Educação & Sociedade; Espaces et Sociétés; Estudos Avançados (USP); Ethnography; Etnográfica; International Social Science Journal; Journal of Education Policy; Journal of Youth Studies; Leisure Studies; Margem (PUC-SP); Pensamiento Iberoamericano; Revista Brasileira de Educação; Revista Brasileira de Sociologia; Revista de Ciências Sociais (UFC); Revista de Estudios de Juventud (Madrid); Revista Iberoamericana de Juventud; Revista Salud Pública de México; Saúde e Sociedade (USP); Sociétés; Tempo Social (USP); Sociologia, Problemas e Práticas; World Leisure & Recreation; e World Leisure Journal – e mais de 60 capítulos de livros.


De notar ainda a sua ação percursora no campo dos métodos audiovisuais em Portugal, não apenas através da organização de eventos científicos e livros na área, mas também criativamente explorada em documentários como “Aldeia de Santa Isabel” (2002), “B(e) Joy” (2002) e “O Fado é bom demais” (2010).


Os subscritores deste documento gostariam de destacar o impacte que a obra do Professor Doutor Machado Pais teve na Sociologia da Vida Quotidiana e na Sociologia da Juventude, mas também o espírito de autonomia, responsabilidade e respeito que imprimia às equipas de investigação que coordenava e aos/às estudantes que orientava. Amplamente citada em Portugal e no estrangeiro, a sua obra foi reconhecida, em Portugal, com a atribuição do Prémio Gulbenkian de Ciências Sociais, em 2003, a propósito do livro Ganchos, Tachos e Biscates. Jovens, Trabalho e Futuro (Porto Editora, 2001, 2003, 2005, 2016) e no estrangeiro com a atribuição do Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Manizales (Colômbia).

José Machado Pais destacou-se também na área da formação avançada em Sociologia, lecionado no Programa de Mestrado e Doutoramento em Ciências Sociais do ICS-ULisboa e, mais tarde, no Programa Interuniversitário de Doutoramento em Sociologia: Conhecimento para Sociedades Abertas e Inclusivas (Consórcio OpenSoc), unidades curriculares na área dos Métodos Qualitativos.

Paralelamente, foi Professor Catedrático Convidado do ISCTE/Instituto Universitário de Lisboa, onde desde 1977 até 2016 lecionou várias unidades curriculares, sobretudo na área da Sociologia da Vida Quotidiana e dos Métodos Qualitativos, tenho iniciado muitas gerações de jovens sociólogos nestas perspetivas metodológicas. Orientou várias teses de doutoramento e acompanhou o desenvolvimento de vários projetos de pós-doutoramento nestas duas instituições de referência a nível nacional, bem como em outros programas de pós-graduação no sistema científico brasileiro.


A nível internacional, foi Professor Visitante em várias universidades europeias e sul-americanas: York University UK, Reino Unido (1989), WICE Faculty, WLRA International Centre of Excellence, Países Baixos (1992), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (1997), Universidade Federal de Alagoas, Brasil (1999), Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (1999), Universidade Estadual de Campinas, Brasil (1999), Universidade de São Paulo, Brasil (2000, 2012).


A sua trajetória foi ainda notável em termos das contribuições institucionais que teve para com a comunidade académica e a sociedade, a nível nacional e internacional. No ICS-ULisboa coordenou o Observatório Permanente da Juventude Portuguesa e o Observatório das Atividades Culturais, foi Diretor da revista Análise Social e da editora Imprensa de Ciências Sociais, tendo ainda sido Subdiretor do ICS-ULisboa durante três mandatos (2009-2016). A nível internacional, foi consultor da União Europeia e do Conselho da Europa, tendo sido Vice-Presidente do Youth Directorate of the Council of Europe (2000-2004), e Vice-Presidente da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas de Língua Portuguesa (2011-2015).