Trabalho análogo ao de escravo no Brasil contemporâneo: algumas reflexões
A conferência, que discute o problema do trabalho análogo a de escravo no Brasil contemporâneo, deseja, de um lado, mapear o debate sobre uma questão que está sendo considerada cada vez mais estratégica no campo dos estudos de história social do trabalho e, de outro, testar possibilidades para compreender sua construção, quer em termos académicos mais estritos, quer em termos políticos mais amplos. Dessa forma, parte-se do reconhecimento da existência, internacionalmente, de formas de trabalho compulsório nas sociedades contemporâneas, mas ressalta-se que, no Brasil, elas são designadas como "trabalho análogo à de escravo" ou de maneira abreviada "trabalho escravo". Um fenómeno que vem ganhando grande visibilidade, passando a integrar um elenco de temas que ocupa políticos e especialistas das áreas da história, das ciências sociais e do direito, entre outros. A dinâmica entre a postulação de especificidades para este fenómeno, no Brasil, nas últimas quatro décadas; sua capacidade de mobilizar diferenciados atores que demandam políticas públicas para combatê-lo; e seu enfrentamento como uma nova questão da história social do trabalho são pontos que buscarão ser desenvolvidos.
Angela de Castro Gomes é doutora em Ciência Política, investigadora do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas e professora titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense.
É autora de Burguesia e trabalho (Campus, 1978); A invenção do trabalhismo (Relume Dumará, 1994); História e historiadores (FGV, 1996); e Essa gente do Rio... Modernismo e nacionalismo (FGV, 1999), além de inúmeros artigos em revistas académicas.




