Práticas documentais na etnografia: que documentos sonoros são produzidos e como devemos tratá-los

Seminários GI
Sex . 14 Mar . 11h00
Sala 1, ICS-ULisboa
Práticas documentais na etnografia: que documentos sonoros são produzidos e como devemos tratá-los

No dia 14 de março, Pedro Félix (Coordenador da Equipa Instaladora do Arquivo Nacional do Som), será o orador convidado do Seminário do Grupo de Investigação Diversidades. O tema para esta sessão será Práticas documentais na etnografia: que documentos sonoros são produzidos e como devemos tratá-los. A partir das 11h, na Sala 1 do ICS-ULisboa e online.

As ciências sociais em geral e a antropologia em particular terão sido, eventualmente, o domínio de prática científica que mais contribuiu para o desenvolvimento das tecnologias de gravação de som. Este facto não constitui novidade, tendo sido até já objecto de alguma análise. Mas os documentos produzidos durante décadas eram vistos como funcionais, o que não quer dizer que não existisse uma preocupação com a sua salvaguarda em intensa relação com a prática de terreno e a tecnologia disponível.

Nesta apresentação, abordarei a questão do necessário tratamento arquivístico de colecções documentais produzidas por antropólogos e demais cientistas sociais, como estas devem ser tratadas de forma a manter a sua coerência e assegurar o seu futuro e a sua interpretabilidade. Começando por um rápido percurso histórico sobre o uso científico das gravações de som em Portugal e os esforços para constituir uma entidade que cuidasse desses materiais, proponho-me trazer para a discussão o projecto do Arquivo Nacional do Som como actor que procura responder a estas (e outras) questões.

Pedro Félix é o coordenador da Equipa Instaladora do Arquivo Nacional do Som, estrutura de missão criada pelo Estado Português e tutelada directamente pelo Ministério da Cultura. É investigador do Instituto de Etnomusicologia e do Instituto de História Contemporânea, ambos da Universidade Nova de Lisboa. Colaborou com o Museu do Fado desde 2005. Integrou a equipa responsável pela elaboração da candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da UNESCO. Coordenou e desenvolveu o programa de digitalização do espólio fonográfico do Museu do Fado. Tem realizado trabalho de gravação, digitalização, restauro e masterização de áudio. Concebeu e coordenou o projecto europeu HeritaMus. Tem desenvolvido trabalho sobre arquivos de som, património sonoro, tecnologias do som, práticas de grupos musicais, indústria da música, e também sobre metodologia e técnicas nas ciências humanas e no campo dos Estudos de Ciência e Tecnologia. É actualmente Secretário-Geral e Chair do Ambassador Committee da International Association of Sound and Audiovisual Archives (IASA).