O Programador Cultural

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Qua . 22 Jun . 15h30
Sala de Aulas 1
O Programador Cultural

No âmbito do Ciclo de Conferências Trabalho, Profissões e Ocupações organizado por José Luís Garcia (ICS-UL) e José Nuno Matos (ICS-UL), decorre dia 22 de Junho às 15:30 na Sala de Aulas 1 do ICS a sessão O Programador Cultural, por Cláudia Madeira (ICS-UL).

Resumo: As alterações no mundo trabalho constituem uma das faces mais marcantes do período dos últimos 50 anos. Da rotinização da mudança tecnológica maioritariamente orientada para novas formas de acumulação à emergência de novas matérias-primas e domínios de mercadorização gerados pelo factor tecnocientífico-económico e pela capitalização do conhecimento (ou do "imaterial"). De novas estratégias produtivas caracterizadas pelo elevado grau de flexibilidade e precarização dos trabalhadores à mobilização e exploração das capacidades linguísticas, cognitivas, comunicacionais, relacionais dos indivíduos. Paralelamente, a globalização dos mercados, a escalada global do capitalismo financeiro, a deslocalização de uma grande parte do aparelho industrial para regiões economicamente subdesenvolvidas e a implementação de orientações normativas que apontam para a desregulação e empresarialização impulsionaram uma outra relação com o trabalho.

O operário, símbolo do dinamismo fabril e depósito de esperança na superação do mesmo, deixou de ser socialmente representativo. O profissional, outrora senhor de um status relativamente elevado, legitimado por uma deontologia própria, viu a sua condição ser atravessada por lógicas de proletarização. O emprego, base de um contrato político e de uma sólida identidade assumiu diferentes formas - do contrato a prazo e do «recibo-verde» português, ao próprio não emprego - todas elas caracterizadas por maiores níveis de efemeridade, intermitência e precariedade, bem como por novos eixos de conflito.

Embora assumam uma enorme relevância social, o objectivo desta iniciativa não se resume aos traços acima mencionados. Entre uma narrativa que analisa o novo a partir do velho, encarando a flexibilização laboral como uma espécie de deturpação evolutiva da ordem fordista, e uma outra que ignora o papel do velho na construção do novo, elevando o trabalhador qualificado à condição de empresário de si mesmo, existem uma série de buracos negros que devem ser objecto de estudo e de reflexão. Será o trabalho imaterial um fenómeno recente e circunscrito a um segmento específico? Deverá a precariedade ser abordada apenas de uma perspectiva geracional? O que é, e o que não é trabalho? As classes sociais desapareceram com os operários? Numa perspectiva interdisciplinar, da sociologia à antropologia, passando pela história, o objectivo deste ciclo de conferências reside tanto na resposta a estas questões, como na formulação de tantas outras.