Navegando por normas e desvios: Género, subjetividades e resistências.

Seminários GI
Qua . 6 Maio . 11h00
Sala Maria de Sousa - ICS-ULisboa
Navegando por normas e desvios: Género, subjetividades e resistências.
Organização: 
GI LIFE

No dia 6 de Maio, Catarina de Carvalho Lopes (ICS-ULisboa e CICS.NOVA) e Paula Esteves (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ICS-ULisboa), serão as oradoras convidadas do seminário organizado pelo Grupo de Investigação LIFE, com o tema Navegando por normas e desvios: Género, subjetividades e resistências. A sessão, que terá duas apresentações distintas, será moderada por Sara Merlini (ISCSP-ULisboa).

A partir das 11h, na Sala Maria de Sousa do ICS-ULisboa.

Catarina de Carvalho Lopes, ICS-ULisboa e CICS.NOVA - Uma mulher entre matrafonas: Explorando máscara e género no Carnaval de Torres Vedras.

Resumo

A máscara da matrafona já se tornou imagem de marca do Carnaval de Torres Vedras, onde a maioria dos homens se mascaram de mulheres, muitas vezes de forma exagerada e caricatural. Ainda em processo, a presente investigação de Doutoramento procura compreender esta prática enquanto tecnologia performativa de género, inscrita num fenómeno social e num universo simbólico mais amplo, marcado por dinâmicas de inversão, transgressão e humor, com forte centralidade no género. Organizado em torno de quatro eixos centrais, o estudo explora diferentes dimensões da máscara: as relações de género que se estabelecem, as experiências subjetivas dos participantes, a sua materialidade e as lógicas de humor e sátira que a atravessam. Procura-se, assim, entrecruzar práticas individuais com estruturas sociais e culturais mais amplas. Metodologicamente, a investigação vem articular contributos da etnografia focada e da etnografia crítica, recorrendo a metodologias visuais e participativas baseadas nas artes. Estas abordagens permitem não só documentar, como também coproduzir conhecimento com os participantes, abrindo espaço a formas alternativas de representação e interpretação, que serão exploradas na comunicação.

Short Bio 

Catarina de Carvalho Lopes é licenciada em Artes Plásticas e mestre em Ciências da Comunicação. Desde setembro de 2024 que frequenta o Doutoramento em Sociologia através do Programa de Doutoramento Interuniversitário OpenSoc. Fez parte da equipa de monitorização do financiamento EEA Grants, na Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. Paralelamente, tem também desenvolvido trabalho na área das artes, aliando humor e crítica social, através do projeto @cataestrofica. Os seus interesses e trabalho de investigação assentam nas Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia, Ciências da Comunicação e Artes, nutrindo interesse sobre temas como género, ativismo, ritual, máscara e performance e privilegiando, sobretudo, métodos baseados nas artes e colaborativos. 

Paula Esteves, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ICS-ULisboa - Habitar o ordinário: Subjetividades transmasculinas entre violências invisíveis e resistências possíveis.

Sinopse

Os atos de violência contra a população transgênero são frequentemente retratados em matérias de jornais e é sabido que sua expectativa de vida gira em torno dos 35 anos. No entanto, a vida dessa população é marcada por outras tantas transfobias que emergem de fatos da vida cotidiana, como o simples uso do banheiro público, o direito constitucional à documentação, o exercício da fé, o uso das cidades e tantos outros que esta pesquisa pretende abordar. Assim, busco mostrar que o ordinário não espera o extraordinário para acontecer e focar nas transmasculinidades por entender que há maior invisibilidade dessa população que enfrenta transfobias ordinárias singulares, mostrando outras construções possíveis do masculino. A falta de acesso ao capital social viola direitos, levando esses indivíduos a viverem nas margens, sem suporte estatal e sem rede de apoio familiar. Logo, ao mesmo tempo em que as sociedades experimentam mudanças de paradigmas e questões de gênero e sexualidade tentam romper com a bio-lógica, vimos emergir políticas conservadoras e retrocessos em direitos já assegurados. Portanto, é preciso lançar uma nova lente sobre a produção dessas subjetividades, entendendo suas estratégias de resistência contra a violência e o sofrimento social a que esses corpos dissidentes estão sendo submetidos.

Short bio

Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É pesquisadora do LACED - Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento e dos Núcleos de Pesquisa CIDADES e NUER (PPCIS/UERJ), tendo atuado também como pesquisadora do ÍMPAR - Laboratório de Estudos Críticos da Família (USP) entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. É membro da Associação Brasileira de Antropologia, bolsista CAPES, editora do periódico Intratextos e integra a equipe do Blog CIDADES. Atuou como pesquisadora no Projeto de Pesquisa ''Indenizações e violência LGBTfóbica'', sob coordenação da Profa. Dra, Paula Lacerda. No momento é Doutoranda visitante na Universidade de Lisboa sob orientação da Profa. Dra. Chiara Pussetti no Instituto de Ciências Sociais. Tem como áreas de interesse a antropologia e a sociologia, com ênfase nos estudos de gênero, sexualidade, violências, emoções, família, Estado e religião.

Moderação

Sara Merlini, ISCSP-ULisboa

Investigadora contratada no Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG-ISCSP/ULisboa, Portugal) e é doutorada em Sociologia (ICS-ULisboa). A sua investigação centra-se no género, nas classes sociais e na desigualdade; na sexualidade, na diversidade e nas identidades; e nas políticas, nos direitos e na igualdade. Foi premiada quatro vezes a nível europeu (2017, 2021) e nacional (2023, 2024), pela sua investigação de doutoramento sobre o reconhecimento da identidade de género. Publicou 1 livro, 4 capítulos de livros e 8 artigos científicos em revistas internacionais e nacionais, indexadas e com revisão por pares. Sara é membro ativo das Associações Portuguesa e Europeia de Sociologia e foi eleita para a equipa de coordenação da Rede de Investigação RN33 da ESA – Estudos sobre Mulheres e Género, para um mandato de dois anos (2024–2026).