A Etnografia como Técnica

Seminários e Workshops
Qui . 26 Jun . 14h00 a Sex . 27 Jun . 10h15
Biblioteca Nacional, Sala Multimédia
A Etnografia como Técnica

Nos dias 26 e 27 de junho, o Grupo de Investigação Diversidades organiza um encontro sobre A Etnografia como Técnica, a realizar na Biblioteca Nacional. Consulte o programa completo.

Como técnica, a etnografia é mais que um simples conjunto de ferramentas, ela proporciona um enquadramento geral dentro do qual se torna possível questionar a condição humana. Ela é uma tradição de recolha e análise de evidência que assenta sobre uma mobilização da alteridade para desconstruir as peias dessa mesma alteridade. Nolens volens, cada um que escreve sobre um novo terreno faz mais uma contribuição para essa já longa tradição metodológica de des-etnocentrificação antropológica.

A etnografia não é um gesto espontâneo; trata-se de uma metodologia, com finalidades analíticas específicas, que responde necessariamente às sempre novas conjunturas socioeconómicas e políticas em que nos vamos encontrando. Nessa medida, a etnografia contempla toda uma vasta panóplia de ferramentas—de observação, negociação, análise e narrativa—que são continuamente refinadas e reinventadas de geração em geração.

No primeiro dia do nosso encontro, promovido pelo GI Diversidades do ICS-ULisboa, organizamos uma mesa-redonda dedicada a um dos maiores desafios contemporâneos da prática etnográfica: a relação entre o discurso etnográfico, as perspetivas (herdadas) que informam esse discurso e as expectativas que o discurso atualiza.

No segundo dia, convidamos oito participantes a discutir, à luz da sua própria experiência, as várias ferramentas etnográficas que herdámos.

1ª tarde (14:00-18:00) Etnografia: Perspetivas e Expectativas. Queremos debater a questão das perspetivas inscritas numa narrativa, pois elas nem são erradicáveis nem absolutas. Criticamos, assim, a perspetiva individualista e identitarista dos que recorrem apressadamente ao conceito de ‘lugar-da-fala’. Em primeiro lugar, a etnografia corresponde a mais um elo num processo de des-etnocentrificação antropológica que ultrapassa amplamente cada pessoa que a pratica. Em segundo lugar, a escrita etnográfica tem de corresponder a todo uma panóplia de obrigações técnicas cuja finalidade é atribuir-lhe verissimilitude e inseri-la no longo prazo da prática científica. Em terceiro lugar, a pessoa que pratica etnografia não sai inalterada da experiência do terreno—o seu ‘lugar da fala’ já se alterou sempre como resultado da própria prática etnográfica.

2º dia – (10:00-18:00) Ferramentas Etnográficas. Como universo metodológico, a história da etnografia proporciona-nos um legado de ferramentas (techné) de abordagem ao terreno que cada novo terreno nos chama a re-atualizar à luz das suas conjunturas específicas. Desde a própria definição de um contexto social como ‘terreno’ (ou ‘campo’ na tradição anglófona) até às técnicas mais específicas de recolha, análise e narrativa de evidência, a prática etnográfica envolve uma constante negociação metodológica.

Manhã - A definição do campo como técnica (coord. João Pina-Cabral)

Tarde - Criatividade técnica (coord. Chiara Pussetti)