Esperança minada e promessas em quarentena num contexto de mineração da Graffite em Balama, Cabo Delgado
No dia 24 de outubro, Elisio Jossias (Universidade Eduardo Mondlane e investigador visitante no ICS-ULisboa) será o orador convidado do Seminário do Grupo de Investigação Diversidades. O tema para esta sessão será Esperança minada e promessas em quarentena num contexto de mineração da Graffite em Balama, Cabo Delgado. A partir das 11h, na Sala Maria de Sousa do ICS-ULisboam e online.
Desde a nova vaga de exploração intensiva de recursos naturais, do solo e subsolo, em Moçambique, há sensivelmente 20 anos, vêm se multiplicando relatos sobre tensões e disputas de terras e de expectativas entre as comunidades afectadas por actividades de mineração, as companhias mineradoras e os governos locais e central. A mineração da Graffiti em Balama, na província nortenha de Cabo Delgago, em Mocambique, enquadra-se no ressurgimento da indústria extractiva para responder à crescente procura global de energias “verdes”, o que traz consigo a abertura de novas fronteiras extractivistas (Khassab 2021). Assim, recorremos ao debate no seio da Antropologia da extração e da mineração para analisar como a extração de recursos gera e reconfigura relações sociais entre as corporações mineiras, os agentes do Estado e aqueles directamente afectados pela mineração, tendo em conta a sua forte conexão com os recursos da terra e diferentes categorias de pessoas. Deste modo, nos propusemos a analisar o modo como as aspirações, desejos e ansiedades dos habitantes de Balama, sobretudo aqueles directamente afectados pela mina, são projectados e integrados nos discursos e práticas associadas à exploração mineira na região. Nesta comunicação mostro como as promessas da mineração geram o que chamamos por “circuito da dívida” (Li 2015 citada por Luning 2018), por conta de mudanças dramáticas nas vidas das comunidades locais em relacao aos usos dos recursos da terra e das expectativas geradas por promessas desenvolvimentistas.
Elísio Jossias é antropólogo, especializado em direitos da terra, posse e relações de propriedade, com foco nos sistemas costumeiros da terra, instituições e sistemas políticos locais de governação da terra. Trabalha na Universidade Eduardo Mondlane há mais de 20 anos como Professor de Antropologia, onde coordenou os cursos de Licenciatura e Mestrado em Antropologia, participou na criação do grupo de investigação sobre Terras e Territorialidades e orientou dissertações de mestrado sobre questões fundiárias. É igualmente membro do Grupo de Reflexão do Fórum de Consulta de Terras, desde outubro de 2021. Possui Doutoramento (PhD) em Antropologia, pelo Instituto de Ciências Sociais (Lisboa, Portugal), um Mestrado em Antropologia pela ISCTE (Lisboa) e uma Licenciatura em Antropologia e Bacharelato em Ciências Sociais pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi Director-adjunto para Investigação e Extensão da FLCS, actualmente Director do Gabinete do Reitor da UEM. É igualmente Presidente do Conselho Científico da Associacao Franco-Mocambicana de Ciencias Sociais e Humanas (AFRAMO) e membro fundador e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Tindzila, Associação Caminhos Sustentáveis. Em 2022 publicou um artigo na Revista Etnográfica, no prelo e com aceitação estão 2 artigos colectivos e 1 livro. Está neste momento envolvido na pesquisa sobre “Alternativa ao Extractivismo”, com trabalho de campo em Niassa com colegas do DAA e da Holanda e sobre Devolução de Terras cedidas para o investimento privado, com trabalho de campo em Nampula e Niassa que conta com colegas da Suécia.





