Chamada: IV Encontro de Ecologia Política: Territórios e Resistências

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Seg . 10 Mar . 23h59
Chamada: IV Encontro de Ecologia Política: Territórios e Resistências

A Rede de Ecologia Política convida à submissão de propostas para o IV Encontro de Ecologia Política, sob o mote Territórios e Resistências, que decorrerá nos dias 23 e 24 de maio em Coimbra, e 30 e 31 de maio no ICS-ULisboa.


As fronteiras do capitalismo avançam e aumentam a procura de novos territórios para a acumulação de riqueza e de poder. Perante a destruição de territórios e das suas comunidades humanas e não humanas, vemos surgir um pluriverso de resistências em defesa da vida. Das aldeias do Barroso contra as minas, ao Alentejo perante o cerco das monoculturas, às lutas pela habitação e contra a violência policial nas cidades, as populações resistem ao extrativismo predatório e procuram fazer viver os seus territórios. Dessas e outras lutas, surgem máximas sobre a centralidade do território como conceito e prática. Dizem-nos que “o território é a dignidade, e isso não tem preço" ou que “o território é a vida, e a vida não se vende, se ama e se defende”, sugerindo que território vai além da sua assunção hegemónica.
 

Neste Encontro, procuramos desafiar e confrontar as narrativas e as práticas dominantes de território como "propriedade" ou "recurso" a ser controlado, colonizado, desenvolvido, explorado e sacrificado. Olhar para os territórios enquanto espaço geo-político-económico permite-nos entender as dinâmicas extrativistas do capitalismo, ao mesmo tempo que nos possibilita avançar entendimentos e práticas alternativas dos/sobre/com os territórios. Queremos olhar para o(s) território(s) como lugares de organização coletiva e de resistência(s), como forma de recriar a cultura e a relação  entre pessoas e as ecologias não-humanas que as sustentam. Os territórios terrestres, rurais e urbanos, mas também os marítimos (‘maretorio’), os digitais, os virtuais e os ideológicos. Território não como espaço físico fora de nós, mas enquanto corpo que liga as vivências - assim como as violências - entre o nosso entorno e o nosso ser. Procuramos também entender as diferentes formas de resistência, humana e não-humana, a sua "ecologia" (como interagem entre si), reflexões de territorialidade, e as possibilidades de se tornarem formas de re-existência, de fazer territórios de vida, de criar novas utopias e futuros possíveis. Para além disso, queremos também entender os territórios de violência, de re-patriacalização e de re-colonização e os múltiplos contextos da produção de ausências dessas resistências, num contexto de exaustão dos corpos-territórios. A nossa intenção não é essencializar o território como a escala predileta de análises e de ação política, mas expandir o entendimento próprio do que é um território - a sua relevância, limitações, contradições e potencialidades para as resistências e re/existências político-ecológicas.

O Encontro é organizado por um coletivo emergente de grupos e pessoas constituídas na Rede de Ecologia Política, e aspira ele próprio ser um território de sentir, pensar e agir juntes para trocar conhecimentos e potenciar colaborações e sinergias entre territórios, movimentos, lutas e resistências, dentro e fora da academia, incluindo ativistas e comunidades locais.  Para isso, apelamos a uma diversidade de propostas académicas, artísticas, de organizações cívicas e de movimentos sociais. Incentivamos à apresentação de comunicações, oficinas, rodas de conversa, artes visuais, performance, e outras intervenções criativas.

Ao mesmo tempo, propomos integrar o Encontro numa agenda maior de eventos que estão ou vão acontecer em Portugal, para interligar e ampliar o território temporal e espacial da ecologia política. Por isso, se estiveres a organizar algum evento a acontecer entre fevereiro e maio de 2025, envia-nos a informação para podermos divulgá-lo no âmbito das Jornadas de Ecologia Política.

As submissões são feitas online até dia 10 de Março.

Este evento foi organizado por membros da Rede de Ecologia Política que compõe membros do  Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia), do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, da ECOSOC (Oficina de Ecologia e Sociedade) e do CIAS (Centro de Investigação em Antropologia e Saúde) e o Jornal MAPA. A Rede de Ecologia Política pretende estabelecer uma rede horizontal e descentralizada que conecte conhecimentos, territórios, movimentos, lutas e resistências, dentro e fora da academia, incluindo ativistas e comunidades locais, tendo ainda como objetivo facilitar a colaboração e a troca de experiências entre diferentes grupos e diferentes tipos de conhecimento, promovendo um ambiente de cooperação, criação de sinergias e apoio mútuo. Para mais informações sobre a Rede de Ecologia Política, consulte esta ligação.