Performance e ativismo: arquivo repertório e reperformance nos novíssimos movimentos sociais

Seminários GI
Sex . 10 Jan . 15h00
Sala Polivalente
Performance e ativismo: arquivo repertório e reperformance nos novíssimos movimentos sociais
 Paulo Raposo
Resumo:
Com base numa pesquisa em curso, numa leitura conceptual e em ideias ainda exploratórias pretendo analisar a tensão entre modelos políticos em tempo de crise à luz da antropologia da performance.
O teatro serviu ao longo da história de estímulo para acções de protesto, manifestações e revoluções, tal como tem servido para a celebração e para a explicitação das relações de poder. Considerando a hipótese de vivermos num tempo marcado por uma simultaneidade conflitiva entre três epistemes (modernidade, pós-modernidade e alter-modernidade) o exercício político, no redesenho contemporâneo das cidades, dos seus espaços públicos e da esfera pública, gera também vários níveis de espectacularidade e mediatização, de teatralidade e performatividade. No entanto, nos assim chamados “novíssimos movimentos sociais” e nos protestos contemporâneos, a sua acção pública, ainda que marcada pela teatralidade, parece vir a deslocar-se claramente para  o domínio da performance (definida a partir do campo artístico da performance art). 
Poderemos então falar da emergência de um novo performance activism (activismo performativo)? Ou até de re-enactment (re-performance) semelhante ao movimento que na performance art contemporânea tem vindo a surgir? De facto, arquivo, documentação e mediatização, para além da presença e do repertório, são hoje centrais na acção política destes movimentos. O activismo performativo parece conceber-se como um sistema rizomático construído por (e em) manifestações de rua, acções de desobediência civil, ocupações do espaço publico e na sua  respectiva propagação e difusão virtual. O papel do live streaming, no activismo político e na circulação das suas mensagens, consolida a ligação entre arquivo e repertório e articula "aqui e agora" com "mediatização", mas obriga-nos também a reformular a inquietante questão que o activista dos direitos civicos, poeta e  músico Gil Scott Heron havia colocado nos anos 70: ‘if the revolution will not be televised, it will be downloaded’?

Paulo Raposo é Professor Auxiliar no Departamento de Antropologia do ISCTE. Foi Professor convidado da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2004-2008) e Professor Visitante na Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil, 2009). Coordenou a Pós-Graduação em Culturas Visuais Digitais do ISCTE-IUL (2011-13) e é actualmente Diretor de Licenciatura em Antropologia no ISCTE-IUL. Pertenceu à Direcção do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS/ISCTE), da Associação Portuguesa de Antropologia (2004-2009) e do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (2007-09), e fez parte da Comissão Editorial da revista Etnográfica (2000-2009). Publicou em diversas revistas e livros nacionais e internacionais. Realizou várias investigações de terreno em Portugal trabalhando sobre temáticas como o corpo, ritual, performance, turismo e património, culturas visuais e movimentos sociais. Colabora regularmente com várias estruturas teatrais e performativas e em festivais.