É possível conhecer a batalha? Historiografia da guerra e estudo do acontecimento
Durante muito tempo a batalha foi considerada como o acontecimento histórico por excelência, a tal ponto que a expressão 'história-batalha' foi utilizada, não sem algum desprezo, para significar uma história 'à antiga', puramente política e diplomática, separada da leitura dos fenómenos sociais. Mas o acontecimento foi verdadeiramente estudado, no vivido dos atores, por esta antiga 'história-batalha', ou foi utilizado simplesmente como marcador temporal? Quais são as condições historiográficas de conhecimento deste tipo de acontecimento, quais as fontes utilizáveis e quais os escolhos a evitar? Esta comunicação utilizará estudos de caso retirados da minha própria investigação (Marengo, 1800), ou de investigações recentes de outros historiadores para discutir como se pode, e como não se pode, estudar a batalha.
Valeria Pansini é 'maître de conférences' [equivalente a professora associada] na Université Rennes 2, pertencendo à equipa de investigação CERHIO (Centre de Recherches Historiques de l'Ouest). Formou-se na Universidade de Génova, em Itália, tendo sido orientada por Edoardo Grendi na tese de licenciatura (laurea). Doutorou-se em Paris, na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, com uma tese dirigida por Jacques Revel e intitulada L'oeil du topographe et la science de la guerre. Travail scientifique et perception militaire 1760-1820. Fez pós-doutoramento na Universidade de Madison-Wisconsin e no Instituto Universitário Europeu de Florença. Atualmente, trabalha sobre o acontecimento de guerra e suas condições de possibilidade de conhecimento historiográfico, e também sobre a guerra de corso no Mediterrâneo no momento das guerras da Revolução Francesa (1793-1800).




