Conversas Sobre ... Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação
Decorre dia 25 de Fevereiro pelas 17 horas no âmbito do ciclo de seminários CONVERSAS SOBRE... a sessão dedicada ao livro de Rubem Barbosa filho, Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação. Com apresentação de Matheus Lima (ICS-UL) a sessão terá lugar na Sala de Aulas 1. O ciclo de seminários CONVERSAS SOBRE... é organizado por Ana Mafalda Graça (UNL) e José Nuno Matos (ICS-UL)
Resumo da obra: BARBOZA FILHO, Rubem. Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação americana. Ed. UFMG, Iuperj. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, 2000. Barboza Filho endossa a ideia de que a cultura ibérica constitui um outro ocidente, pois nela há uma concomitância entre a universalização das verdades da fé (o que lhe imprime o recorte tradicional) com as novas forças de uma acumulação de capital, centrada nas expansões territorialistas, (mas sempre fora da Europa aonde Portugal e Espanha nunca conseguiram exercer o seu territorialismo) que garantem a vitória do ocidente às custas de uma forma de viver. Assim, a Ibéria se despedaça para defender o catolicismo e o ocidente, afastando tudo o que pudesse comprometer essa missão, “os mouros e orientais, os judeus, os protestantes e Hobbes, o erasmismo e Maquiavel, o novo espírito científico e Galileu”. Essa operação barroca significou a revitalização da velha tradição corporativa, jurisdicionalista e hierárquica que sempre a orientou, alterando-se pouco desde o início da Reconquista. Barboza Filho conclui, então, que o barroco na Ibéria foi a forma trágica de viver o antigo e o moderno dentro de uma mesma e grande tradição. Desse paradoxo, o século XVIII na Europa central traz um desafio à Ibéria: o de tornar-se efectivamente Europa, depois de ter tentado hispanizá-la. No espaço americano, a perda – e consequente balcanização – da América por uma Espanha que tenta modernizá-la e, por outro lado, a do Brasil, que teve em seu espaço as fontes de riqueza e o centro do poder português (1808), tem como resultado um continente em busca de um destino, ao passo que a Ibéria manteve-se presa em todo o século XIX a uma reflexão sobre as causas de sua decadência.
Matheus Silveira Lima, é Bacharel e Licenciado pela Universidade Estadual Paulista – Unesp, Campus de Araraquara, Estado de São Paulo, desde 2001. Defendeu a dissertação de Mestrado intitulada "As raízes do pensamento político de Nestor Duarte: um estudo da ordem privada" no ano de 2004 na Universidade Federal de São Carlos. Integra-se ao corpo docente, na condição de Professor Assistente, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, no ano de 2004, encontrando-se afastado das actividades desde 2007 para cursar o Doutorado em Sociologia, na Unesp, trabalhando na tese intitulada "O vivido e o pensado: a sociologia política brasileira e a questão da herança portuguesa". No presente momento realiza estágio de doutorado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, sob os auspícios da CAPES-Ministério da Educação do Governo do Brasil, através de bolsa PDEE, e sob a co-orientação do Prof. Dr. José Manuel Sobral.




