História das Políticas de Abastecimento e Saneamento de Águas em Portugal

História das Políticas de Abastecimento e Saneamento de Águas em Portugal

 Assumindo a centralidade da relação entre o desenho e implementação de uma linha de governação nacional vocacionada para o saneamento básico, por um lado, e a sua expressão regional e local, por outro, este projecto de investigação propõe-se desenvolAssumindover a reconstituição / análise histórica das políticas de saneamento básico e dos serviços de água em Portugal, entre 1884 (data da criação dos Serviços Hidráulicos) e 2007, em torno de quatro temáticas estruturantes:

-  REGULAÇÃO: a regulação das políticas de saneamento básico em Portugal (regulação política, económica, sanitária e ambiental dos serviços de água em Portugal; quadro institucional de referência e respectivas atribuições; articulação com outros domínios de governação).

-  GOVERNAÇÃO / ADMINISTRAÇÃO: a articulação entre os dois níveis de governação predominantes (central e local): formas de coordenação de políticas; processos de diagnóstico e monitorização; atribuições partilhadas; investimento financeiro; colaboração técnica.

-  CONHECIMENTO / INFORMAÇÃO: a integração do conhecimento técnico / científico no processo de discussão política e no desenho de soluções: ao nível das políticas públicas de saneamento básico; ao nível das formas de gestão dos serviços; a produção de informação de monitorização das políticas e sua adequação aos processos de tomada de decisão.

-  GESTÃO: os modelos de gestão dos serviços de saneamento básico em Portugal: atribuições previstas na lei e sua evolução histórica; formas de organização dos serviços; relação público / privado; análise de casos exemplificativos e contrastantes.

Desta forma, procurará produzir informação e conhecimento de referência que permita identificar as problemáticas essenciais do sector numa perspectiva histórica, contribuindo para traçar a sua evolução e compreender em maior profundidade a sua actual configuração.

Subjacente a este projecto está, portanto, a questão de saber de que forma a análise histórica dos modelos de governação / gestão no sector do saneamento básico nos pode aconselhar acerca da definição de soluções futuras.

 

Estatuto: 
Entidade participante
Financiado: 
Não
Keywords: 
Água e Saneamento; Políticas Públicas; História; Ambiente
 Assumindo a centralidade da relação entre o desenho e implementação de uma linha de governação nacional vocacionada para o saneamento básico, por um lado, e a sua expressão regional e local, por outro, este projecto de investigação propõe-se desenvolAssumindover a reconstituição / análise histórica das políticas de saneamento básico e dos serviços de água em Portugal, entre 1884 (data da criação dos Serviços Hidráulicos) e 2007, em torno de quatro temáticas estruturantes:

-  REGULAÇÃO: a regulação das políticas de saneamento básico em Portugal (regulação política, económica, sanitária e ambiental dos serviços de água em Portugal; quadro institucional de referência e respectivas atribuições; articulação com outros domínios de governação).

-  GOVERNAÇÃO / ADMINISTRAÇÃO: a articulação entre os dois níveis de governação predominantes (central e local): formas de coordenação de políticas; processos de diagnóstico e monitorização; atribuições partilhadas; investimento financeiro; colaboração técnica.

-  CONHECIMENTO / INFORMAÇÃO: a integração do conhecimento técnico / científico no processo de discussão política e no desenho de soluções: ao nível das políticas públicas de saneamento básico; ao nível das formas de gestão dos serviços; a produção de informação de monitorização das políticas e sua adequação aos processos de tomada de decisão.

-  GESTÃO: os modelos de gestão dos serviços de saneamento básico em Portugal: atribuições previstas na lei e sua evolução histórica; formas de organização dos serviços; relação público / privado; análise de casos exemplificativos e contrastantes.

Desta forma, procurará produzir informação e conhecimento de referência que permita identificar as problemáticas essenciais do sector numa perspectiva histórica, contribuindo para traçar a sua evolução e compreender em maior profundidade a sua actual configuração.

Subjacente a este projecto está, portanto, a questão de saber de que forma a análise histórica dos modelos de governação / gestão no sector do saneamento básico nos pode aconselhar acerca da definição de soluções futuras.

 

Objectivos: 
Com o presente projecto pretende contribuir-se para a reconstituição das políticas públicas de abastecimento e saneamento de águas em Portugal numa perspectiva longitudinal ao longo do período em análise (1890 - 2009), para a identificação e caracterização das suas problemáticas essenciais e para a reflexão acerca das suas possibilidades de evolução futuras.
State of the art: 
Os servi&ccedil;os de abastecimento e saneamento de &aacute;guas s&atilde;o tradicionalmente, em Portugal, uma atribui&ccedil;&atilde;o aut&aacute;rquica . Promovendo a sua gest&atilde;o directa na maioria dos casos, ou experimentando a concess&atilde;o dos servi&ccedil;os a entidades privadas em algumas situa&ccedil;&otilde;es excepcionais (apesar de significativas do ponto de vista da popula&ccedil;&atilde;o abrangida), os Munic&iacute;pios procuraram garantir o abastecimento de &aacute;gua &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es sem uma interven&ccedil;&atilde;o regular e directa do Governo central. <p>Com a reorganiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de p&uacute;blica em 1899 , no governo de Jos&eacute; Luciano de Castro, e com a publica&ccedil;&atilde;o do regulamento geral dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e benefic&ecirc;ncia p&uacute;blica em 1901, no governo de Hintze Ribeiro, d&aacute;-se in&iacute;cio a um processo de regula&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias do pa&iacute;s que, conduzido pelo Governo, procurava orientar a actividade aut&aacute;rquica relativamente aos servi&ccedil;os de abastecimento e saneamento de &aacute;guas. </p><p>Contudo, a mera regula&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica das quest&otilde;es sanit&aacute;rias viria a manifestar-se insuficiente, apesar da reconhecida compet&ecirc;ncia dos primeiros sanitaristas portugueses (Correia, 1960): as limita&ccedil;&otilde;es financeiras das autarquias, bem como as suas deficientes capacidades de planifica&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de obras, eram enunciadas como justifica&ccedil;&atilde;o para a interven&ccedil;&atilde;o do Governo no sector atrav&eacute;s de linhas de cr&eacute;dito ou de financiamento a fundo perdido, bem como no apoio &agrave; planifica&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o das obras, prestado pelos Servi&ccedil;os Hidr&aacute;ulicos at&eacute; 1944 e, a partir de ent&atilde;o, pela Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Servi&ccedil;os de Urbaniza&ccedil;&atilde;o. </p><p>O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, e sua concentra&ccedil;&atilde;o nos centros urbanos, confrontava os Munic&iacute;pios com um problema que se intensificaria ao longo de todo o s&eacute;culo XX, mas para o qual estes n&atilde;o pareciam ter capacidade de resposta. Os recorrentes surtos de c&oacute;lera, que tinham na &aacute;gua um vector de cont&aacute;gio, assim como a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel acerca da percentagem da popula&ccedil;&atilde;o servida com redes de abastecimento de &aacute;gua e esgotos, denunciam uma evolu&ccedil;&atilde;o qualitativa e quantitativa muito lenta no sector: entre 1941 e 1977 a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o servida com redes de abastecimento de &aacute;gua passa de 26,4% para 40%. </p><p>Apesar da recorrente solicita&ccedil;&atilde;o de apoio financeiro ao Governo por parte dos representantes locais no parlamento, e de se terem desenhado tr&ecirc;s planos nacionais de abastecimento de &aacute;gua &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es como resposta pol&iacute;tica ao problema entre 1944 e 1972 , as solu&ccedil;&otilde;es preconizadas n&atilde;o demonstraram ser eficientes na resolu&ccedil;&atilde;o do problema. A necessidade de se modificarem os pressupostos essenciais do modelo de governa&ccedil;&atilde;o que, desde o s&eacute;culo XIX, assentava na articula&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es entre o Governo e perto de trezentos Munic&iacute;pios no continente, apesar de algumas vezes ter sido enunciada, foi sendo sucessivamente adiada. </p><p>Em Abril de 1974, identificado novo surto de c&oacute;lera no sul do pa&iacute;s que chegaria no Ver&atilde;o &agrave; capital, provocando treze mortos e seiscentos casos diagnosticados, confirmava-se a inadequa&ccedil;&atilde;o do modelo de governa&ccedil;&atilde;o prevalecente, tornando-se evidente a necessidade de uma mudan&ccedil;a profunda. </p><p>Coincidindo com o mais longo per&iacute;odo de seca de que havia registo em Portugal (Veiga da Cunha, 1982:65), e que viria acentuar as recorrentes falhas no abastecimento de &aacute;gua &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es, o per&iacute;odo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio criava a expectativa de satisfa&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de necessidades sociais que haviam sido secundarizadas no per&iacute;odo do Estado Novo: o saneamento b&aacute;sico passa ent&atilde;o a ser enunciado politicamente como des&iacute;gnio priorit&aacute;rio. </p><p>Depois de algumas interven&ccedil;&otilde;es pontuais conduzidas pelas Secretarias de Estado da Habita&ccedil;&atilde;o e Urbanismo e do Ambiente tendo em vista uma resposta conjuntural ao problema sanit&aacute;rio, &eacute; criada a Secretaria de Estado dos Recursos H&iacute;dricos e do Saneamento B&aacute;sico a 10 de Fevereiro de 1976, atribuindo-se-lhe a responsabilidade pelo desenho e implementa&ccedil;&atilde;o de um modelo de governa&ccedil;&atilde;o alternativo. </p><p>A inten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica era clara. Recuperando-se o modelo de regi&otilde;es de saneamento b&aacute;sico que j&aacute; havia sido idealizado em 1972 , deveria o Governo assumir a sua coordena&ccedil;&atilde;o,bem como a tutela das entidades gestoras a criar, subtraindo essa responsabilidade &agrave;s autarquias. No entanto, e por forte contesta&ccedil;&atilde;o aut&aacute;rquica, a solu&ccedil;&atilde;o desenhada n&atilde;o chegaria a ser implementada, gerando o coment&aacute;rio perplexo de alguns dos mais conceituados especialistas: </p><p>&quot;a responsabilidade do problema continuou na m&atilde;o das 305 autarquias, cujas finan&ccedil;as seriam refor&ccedil;adas. Como se fundamentalmente de finan&ccedil;as se tratasse, quando n&atilde;o &eacute; demais afirmar que, embora para esc&acirc;ndalo de alguns, que os problemas financeiros nunca s&atilde;o os principais e que, quando os meios financeiros falham, sobretudo num sector de base como &eacute; o saneamento b&aacute;sico, &eacute; porque j&aacute; falharam anteriormente muitos dos outros condicionamentos, falhas resultantes de incapacidades institucionais, que se alimentam de incapacidades humanas e politicas, e reciprocamente, um aut&ecirc;ntico c&iacute;rculo vicioso.&quot; (Lencastre, 1987:9). </p><p>Seria necess&aacute;rio esperar at&eacute; meados da d&eacute;cada de 1990 para que uma profunda reforma politica do sector viesse a ser desenhada e implementada, dando origem &agrave; actual configura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica dos servi&ccedil;os de saneamento b&aacute;sico em Portugal. </p><p>Como explicar o sucessivo adiamento de uma solu&ccedil;&atilde;o funcional e eficiente para os servi&ccedil;os de &aacute;gua em Portugal? Que vari&aacute;veis demonstraram ser impeditivas da sua implementa&ccedil;&atilde;o? Quais os per&iacute;odos de mudan&ccedil;a mais significativos em termos hist&oacute;ricos? Como se procurou articular o conhecimento t&eacute;cnico / cient&iacute;fico dispon&iacute;vel com o processo de tomada de decis&atilde;o pol&iacute;tica? Qual a repercuss&atilde;o territorial e demogr&aacute;fica das solu&ccedil;&otilde;es implementadas? Qual a import&acirc;ncia atribu&iacute;da ao sector, em compara&ccedil;&atilde;o com outros dom&iacute;nios de interven&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas h&iacute;dricas em Portugal? Que vari&aacute;veis assumem, ainda hoje, um car&aacute;cter problem&aacute;tico? </p>
Parceria: 
Não Integrado
Coordenador ICS 
Referência externa 
PROJ31/2010
Data Inicio: 
15/01/2009
Data Fim: 
15/03/2010
Duração: 
14 meses
Concluído