Impérios, Centros e Províncias: a circulação do conhecimento médico
Impérios, Centros e Províncias: a circulação do conhecimento médico
Este projecto visa clarificar os processos de difusão das doutrinas médicas e a consolidação de novas teorias na medicina portuguesa e brasileira ao longo do século XIX. O projecto envolverá dois eixos. No eixo (I), no âmbito da história das ciências da saúde, consideraremos o estudo dos processos oficiais de consolidação e difusão da medicina científica, envolvendo (1) o ensino formal da medicina, com particular atenção à criação de escolas médico-cirúrgicas em Portugal, no Brasil e nos territórios coloniais sob administração portuguesa; (2) a difusão de novas ideias, doutrinas e teorias através de periódicos médicos e farmacêuticos em língua portuguesa; (3) a circulação de estudantes, profissionais de medicina e informação escrita entre os centros emergentes portugueses e brasileiros do século XIX e os centros de referência europeus norte-europeus; (4) a circulação de informação escrita entre Portugal e Brasil; (5) a circulação de médicos entre os diferentes espaços coloniais. No eixo (II), de cariz antropológico-histórico, daremos atenção aos processos de dissensão, encontro, confronto e hibridação entre perspectivas de cura distintas e assentes em diferentes pressupostos sociais, culturais e cognitivos; aqui focaremos dois sub-eixos estruturantes de diferenciação: (II-a) o veio colonizadores/colonizados, em que analisaremos (1) as atribulações da implantação da medicina europeia em contextos não europeus, (2) as representações dos curandeiros e praticantes de medicinas indígenas por parte das autoridades coloniais, (3) as representações da medicina europeia por parte das populações colonizadas; e (II-b) o veio elite-massas, envolvendo outros regimes de fractura, diferenciação e exercício do poder, onde analisaremos (4) as atribulações da medicina urbana, ensinada nos grandes centros e apoiada pelas elites do poder, em confronto com práticas ditas populares e rurais; (5) as percepções da população sobre a medicina institucional e a incorporação de doutrinas médicas e farmacêuticas convencionais nas práticas populares.
A metodologia envolverá o estudo de casos exemplares correspondentes a fontes identificadas ou identificáveis no processo de pesquisa. No eixo (I), trabalharemos com (1) a documentação oficial das escolas médico-cirúrgicas de Lisboa, Porto, Bahia e Rio de Janeiro, bem como da faculdade de medicina de Coimbra, e com os matérias relativos às tentativas de formalizar o ensino da medicina nas colónias portuguesas, bem sucedido na Índia e vagamente implementado nas colónias africanas; (2) o estudo comparado de colecções de periódicos especializados em medicina e farmácia, já identificados em Portugal, Brasil e Goa; (3) o acompanhamento de percursos individuais de médicos e farmacêuticos que circularam entre centros e periferias e que se implicaram na difusão de doutrinas médicas, na experimentação científica e na divulgação internacional de resultados (4) o estudo de associações científicas e profissionais (médicos e farmacêuticos) com acompanhamento de percursos individuais de alguns dos seus associados e correspondência mantida; (5) o estudo de percursos individuais de médicos e farmacêuticos entre espaços coloniais portugueses. NO eixo (II) retomaremos a análise iniciada em anteriores projectos e parcialmente apresentada à comunidade científica internacional com vista ao desenvolvimento conceptual necessário a melhor entender a complexidade das relações entre os sujeitos envolvidos no confronto e encontro de práticas médicas de diferentes tradições. Se nos trabalhos anteriores focamos as percepções mútuas de colonizadores e colonizados nos períodos de implantação da medicina tropical na Ásia e África, o que nos levou a relativizar a fractura entre actores sociais protagonizada na literatura anglófona, planeamos agora estender a discussão de forma a alcançar confrontos e diferendos em contextos mais amplos; entre estes incluiremos o contexto do Brasil oitocentista, onde as tradições africanas e indígenas se combinam e confrontam com a medicina de raiz europeia, e um contexto insular português, do qual destacamos a fundação da escola médica do Funchal.
A metodologia envolverá o estudo de casos exemplares correspondentes a fontes identificadas ou identificáveis no processo de pesquisa. No eixo (I), trabalharemos com (1) a documentação oficial das escolas médico-cirúrgicas de Lisboa, Porto, Bahia e Rio de Janeiro, bem como da faculdade de medicina de Coimbra, e com os matérias relativos às tentativas de formalizar o ensino da medicina nas colónias portuguesas, bem sucedido na Índia e vagamente implementado nas colónias africanas; (2) o estudo comparado de colecções de periódicos especializados em medicina e farmácia, já identificados em Portugal, Brasil e Goa; (3) o acompanhamento de percursos individuais de médicos e farmacêuticos que circularam entre centros e periferias e que se implicaram na difusão de doutrinas médicas, na experimentação científica e na divulgação internacional de resultados (4) o estudo de associações científicas e profissionais (médicos e farmacêuticos) com acompanhamento de percursos individuais de alguns dos seus associados e correspondência mantida; (5) o estudo de percursos individuais de médicos e farmacêuticos entre espaços coloniais portugueses. NO eixo (II) retomaremos a análise iniciada em anteriores projectos e parcialmente apresentada à comunidade científica internacional com vista ao desenvolvimento conceptual necessário a melhor entender a complexidade das relações entre os sujeitos envolvidos no confronto e encontro de práticas médicas de diferentes tradições. Se nos trabalhos anteriores focamos as percepções mútuas de colonizadores e colonizados nos períodos de implantação da medicina tropical na Ásia e África, o que nos levou a relativizar a fractura entre actores sociais protagonizada na literatura anglófona, planeamos agora estender a discussão de forma a alcançar confrontos e diferendos em contextos mais amplos; entre estes incluiremos o contexto do Brasil oitocentista, onde as tradições africanas e indígenas se combinam e confrontam com a medicina de raiz europeia, e um contexto insular português, do qual destacamos a fundação da escola médica do Funchal.
Estatuto:
Entidade participante
Financiado:
Não
Este projecto visa clarificar os processos de difusão das doutrinas médicas e a consolidação de novas teorias na medicina portuguesa e brasileira ao longo do século XIX. O projecto envolverá dois eixos. No eixo (I), no âmbito da história das ciências da saúde, consideraremos o estudo dos processos oficiais de consolidação e difusão da medicina científica, envolvendo (1) o ensino formal da medicina, com particular atenção à criação de escolas médico-cirúrgicas em Portugal, no Brasil e nos territórios coloniais sob administração portuguesa; (2) a difusão de novas ideias, doutrinas e teorias através de periódicos médicos e farmacêuticos em língua portuguesa; (3) a circulação de estudantes, profissionais de medicina e informação escrita entre os centros emergentes portugueses e brasileiros do século XIX e os centros de referência europeus norte-europeus; (4) a circulação de informação escrita entre Portugal e Brasil; (5) a circulação de médicos entre os diferentes espaços coloniais. No eixo (II), de cariz antropológico-histórico, daremos atenção aos processos de dissensão, encontro, confronto e hibridação entre perspectivas de cura distintas e assentes em diferentes pressupostos sociais, culturais e cognitivos; aqui focaremos dois sub-eixos estruturantes de diferenciação: (II-a) o veio colonizadores/colonizados, em que analisaremos (1) as atribulações da implantação da medicina europeia em contextos não europeus, (2) as representações dos curandeiros e praticantes de medicinas indígenas por parte das autoridades coloniais, (3) as representações da medicina europeia por parte das populações colonizadas; e (II-b) o veio elite-massas, envolvendo outros regimes de fractura, diferenciação e exercício do poder, onde analisaremos (4) as atribulações da medicina urbana, ensinada nos grandes centros e apoiada pelas elites do poder, em confronto com práticas ditas populares e rurais; (5) as percepções da população sobre a medicina institucional e a incorporação de doutrinas médicas e farmacêuticas convencionais nas práticas populares.
A metodologia envolverá o estudo de casos exemplares correspondentes a fontes identificadas ou identificáveis no processo de pesquisa. No eixo (I), trabalharemos com (1) a documentação oficial das escolas médico-cirúrgicas de Lisboa, Porto, Bahia e Rio de Janeiro, bem como da faculdade de medicina de Coimbra, e com os matérias relativos às tentativas de formalizar o ensino da medicina nas colónias portuguesas, bem sucedido na Índia e vagamente implementado nas colónias africanas; (2) o estudo comparado de colecções de periódicos especializados em medicina e farmácia, já identificados em Portugal, Brasil e Goa; (3) o acompanhamento de percursos individuais de médicos e farmacêuticos que circularam entre centros e periferias e que se implicaram na difusão de doutrinas médicas, na experimentação científica e na divulgação internacional de resultados (4) o estudo de associações científicas e profissionais (médicos e farmacêuticos) com acompanhamento de percursos individuais de alguns dos seus associados e correspondência mantida; (5) o estudo de percursos individuais de médicos e farmacêuticos entre espaços coloniais portugueses. NO eixo (II) retomaremos a análise iniciada em anteriores projectos e parcialmente apresentada à comunidade científica internacional com vista ao desenvolvimento conceptual necessário a melhor entender a complexidade das relações entre os sujeitos envolvidos no confronto e encontro de práticas médicas de diferentes tradições. Se nos trabalhos anteriores focamos as percepções mútuas de colonizadores e colonizados nos períodos de implantação da medicina tropical na Ásia e África, o que nos levou a relativizar a fractura entre actores sociais protagonizada na literatura anglófona, planeamos agora estender a discussão de forma a alcançar confrontos e diferendos em contextos mais amplos; entre estes incluiremos o contexto do Brasil oitocentista, onde as tradições africanas e indígenas se combinam e confrontam com a medicina de raiz europeia, e um contexto insular português, do qual destacamos a fundação da escola médica do Funchal.
A metodologia envolverá o estudo de casos exemplares correspondentes a fontes identificadas ou identificáveis no processo de pesquisa. No eixo (I), trabalharemos com (1) a documentação oficial das escolas médico-cirúrgicas de Lisboa, Porto, Bahia e Rio de Janeiro, bem como da faculdade de medicina de Coimbra, e com os matérias relativos às tentativas de formalizar o ensino da medicina nas colónias portuguesas, bem sucedido na Índia e vagamente implementado nas colónias africanas; (2) o estudo comparado de colecções de periódicos especializados em medicina e farmácia, já identificados em Portugal, Brasil e Goa; (3) o acompanhamento de percursos individuais de médicos e farmacêuticos que circularam entre centros e periferias e que se implicaram na difusão de doutrinas médicas, na experimentação científica e na divulgação internacional de resultados (4) o estudo de associações científicas e profissionais (médicos e farmacêuticos) com acompanhamento de percursos individuais de alguns dos seus associados e correspondência mantida; (5) o estudo de percursos individuais de médicos e farmacêuticos entre espaços coloniais portugueses. NO eixo (II) retomaremos a análise iniciada em anteriores projectos e parcialmente apresentada à comunidade científica internacional com vista ao desenvolvimento conceptual necessário a melhor entender a complexidade das relações entre os sujeitos envolvidos no confronto e encontro de práticas médicas de diferentes tradições. Se nos trabalhos anteriores focamos as percepções mútuas de colonizadores e colonizados nos períodos de implantação da medicina tropical na Ásia e África, o que nos levou a relativizar a fractura entre actores sociais protagonizada na literatura anglófona, planeamos agora estender a discussão de forma a alcançar confrontos e diferendos em contextos mais amplos; entre estes incluiremos o contexto do Brasil oitocentista, onde as tradições africanas e indígenas se combinam e confrontam com a medicina de raiz europeia, e um contexto insular português, do qual destacamos a fundação da escola médica do Funchal.
Objectivos:
Situado na conjunção entre a história da medicina, o estudo social da ciência e o estudo histórico antropológico da medicina, saúde pública e doenças, este projecto tem como objectivo promover um conjunto de novas linhas de investigação (e.g., hidrologia médica e climatologia nos espaços luso-brasileiros; trajectos individuais de alguns cientistas em Portugal e no Brasil) num quadro comparativo que envolverá também estudos já em curso (e.g., erradicação da malária). Para o efeito, em combinação com as missões de pesquisa, serão efectuadas missões académicas para discussão comparada das investigações em curso, análise cruzada e desenvolvimento conceptual. No final realizar-se-á um painel colectivo para apresentação de resultados, almejando a uma publicação colectiva.





