Para acabar com a equivalência: a antropologia e a filosofia diante dos saberes orgânicos.
No dia 24 de Abril, Marcio Goldman (Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro) será o orador convidado do seminário organizado pelo Grupo de Investigação Diversidades, com o tema Para acabar com a equivalência: a antropologia e a filosofia diante dos saberes orgânicos. A partir das 14.30h, na Sala Maria de Sousa do ICS-ULisboa e online.
Resumo:
Esta apresentação baseia-se num livro em preparação coautorado por Marcio Goldman e Vladimir Moreira Lima. Propomos um movimento adicional para superar, de forma não hierárquica, o problemático postulado ocidental de que os modos de pensar de diferentes culturas e sociedades são, em essência, equivalentes. Acreditamos que a chamada “virada ontológica” foi um primeiro passo para isso, ao criticar as perspectivas epistemológicas que reduzem a multiplicidade de formas de pensar a pontos de vista mais ou menos equivalentes sobre uma realidade única. Diante dessa perspectiva, propôs-se a ideia de que as variações entre os modos de pensar têm mais a ver com a própria consistência do mundo do que com meras pluralizações de pontos de vista. A partir de uma experiência histórica muito específica – a saber, a irrupção, nas universidades brasileiras, a partir do início deste século, de políticas de ação afirmativa que envolvem cotas para minorias, encontros de saberes e, mais recentemente, as chamadas cotas epistêmicas – queremos levantar a hipótese de que o sucesso da “virada ontológica” foi acompanhado por um movimento de reterritorialização, que corre o risco de voltar a colocar em equivalência diferentes modos de pensar. E propor uma perspectiva ecológica, que leve em conta os diferentes meios em que operam esses modos de pensar, de tal forma que apareça sua não equivalência essencial, pensada como multiplicidade e condição de agenciamentos e enriquecimentos recíprocos.
Marcio Goldman é professor titular de antropologia no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ e bolsista do CNPq e da FAPERJ. É autor dos livros Razão e Diferença (1994), Alguma Antropologia (1999), Como Funciona a Democracia (2006), Mais Alguma Antropologia (2016) e Do Outro Lado do Tempo (2023). Editou o livro Do Lado do Tempo: O Terreiro de Matamba Tombenci Neto, de Mãe Hilsa Mukalê (2016).
Vladimir Moreira Lima é professor adjunto de filosofia no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira da UERJ. Coordena a disciplina de filosofia no Programa de Educação para Jovens, Adultos e Idosos do mesmo instituto. Mestre e doutor em filosofia pela UFRJ, é membro do Núcleo de Filosofias da Criação (UFRJ) e do GT Deleuze-Guattari (ANPOF). É autor dos livros Deleuze-Guattari e a Ressonância Mútua entre Filosofia e Política (2015), A partir de Guattari I: Uma Política da Existência (2020) e Jazz e Política da Existência: A Música de Félix Guattari (2023). Organizou e traduziu a obra Desejo e Revolução de Félix Guattari (2022) e, com Erick Araujo, traduziu Os Brancos, os Judeus e Nós: Rumo a uma Política do Amor Revolucionário, de Houria Bouteldja (2024). Traduziu também outros textos de Félix Guattari e Isabelle Stengers.





