Objectivos:
<p>This study aims to answer the following initial question: <br />To what extent does the relational dynamic established between the medium-sized cities and the rural zones contribute towards the consolidation of the actual urban centres and towards the development and revitalisation of the surrounding regressive areas?</p><p> </p>
State of the art:
O significado do conceito de cidade média tem vindo a sofrer profundas alterações desde os anos 70 (Costa, 2002). Numa primeira fase este era determinado principalmente pelo factor dimensão, identificando as cidades que não alcançavam o volume de residentes das grandes metrópoles, mas que detinham uma quantidade suficientemente relevante de população. Segundo esta óptica, a densidade morfológica da cidade média estava compreendida entre as áreas urbanas densamente povoadas e as aglomerações rurais de baixa densidade.
<br>No entanto, com a complexificação da urbanização e a emergência da sociedade em rede os factores de ordem morfológica e hierárquica deixaram de ser suficientes para caracterizar a realidade sócio-económica das cidades médias. Na verdade, a relação relativamente linear estabelecida entre volume populacional médio e dinâmica funcional intermédia já não faz muito sentido, na medida em que certas cidades menos populosas podem deter maiores índices de dinamismo do que extensas áreas urbanas e suburbanas: a localização de certos nichos de excelência pode fazer toda a diferença para a dinamização de uma cidade de dimensão média.
<br>Como demonstra Castells (2000), a emergência da sociedade em rede organiza-se, em grande medida, em torno das cidades mais dinâmicas. A direcção e a aglutinação das diversas redes informacionais são condicionadas pela configuração geográfica das cidades mais globalizadas. Ou seja, se é verdade que a dinâmica das cidades se baseia, cada vez mais, em processos organizados em rede, também se pode dizer que a dinâmica das redes resulta, em grande parte, do dinamismo das cidades. O espaço dos fluxos é assim um espaço relacional de natureza reticular ancorado em territórios fortemente urbanizados.
<br>É, neste âmbito, que surge o conceito de cidade intermediária assente em valores de natureza mais qualitativa e relacional. Segundo João Ferrão et al, «o novo conceito (ou a nova perspectiva) sublinha os aspectos relacionais e sobretudo as formas de organização reticulares. O duplo sentido de intermédio/intermediário sugere a ideia de um espaço de relações (entre cidades e entre cidades e regiões), estruturado em nós e fluxos, onde a cidade intermédia é (ou pode e deve ser) um medianeiro, um ponto de encontro e de passagem obrigatório» (Ferrão et al, 1994: 1128).
<br>A função medianeira não remete exclusivamente para um sistema hierárquico, pelo contrário, ela aponta de forma crescente para plataformas reticulares de tipo horizontal, isto é, entre espaços urbanos com dimensões e valências relativamente similares. A noção de rede de cidades proposta por R. Camagni (1993) contempla essa tendência para a horizontalidade das relações e dos fluxos entre cidades.
<br>O significado das noções de intermediação ou de mediação é mais amplo e ultrapassa o carácter reticular estabelecido ao nível do espaço dos fluxos. Na verdade, a cidade está cada vez mais integrada num complexo sistema relacional em que a componente territorial de proximidade ainda mantém uma importância decisiva. Para as cidades intermédias, a relação com o meio envolvente continua a ser uma dimensão fundamental para o seu desenvolvimento (Brunet, 2000).
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